Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Abr 09

 

 
Cavaco Silva vetou a Lei do PS contra a concentração dos meios de comunicação social com argumentos interessantes – e aparentemente com alguma pequena dose de política à mistura.
Uma notícia que agradou às hostes regionais do PSD que desde muito cedo têm alegado que esta lei foi produzida unicamente para fechar o Jornal da Madeira.
 
Reconhecendo a coincidência – e até admitindo mais do que isso – tenho dúvidas que o Governo nacional em funções e, em particular, o Ministro da tutela tenha erigido uma lei tão importante como esta sustentado num objectivo particular e mesquinho como o de fechar um jornal dominado por um Governo que lhes faz frente. Acredito, no entanto, que tenham pensado nisso como comprova a inserção na lei de uma orientação a todos os níveis inexplicável, incoerente e até ofensiva para a liberdade de imprensa e de expressão: falo da ideia de impedir que os governos do Estado, das autarquias e das regiões autónomas com os seus cidadãos através de um dos meios mais baratos... Por arrasto pode-se até questionar qual a moral de um Governo para incentivar a leitura...?
        
Das argumentações sobre os princípios às do foro financeiro, Cavaco alerta para um conjunto de incongruências que, no mínimo, deve leva o PS a adiar, até ver, a re-apresentação da lei.
No passado, já abordei a vertente mais questionável desta lei e até agora ainda não vi uma explicação técnica capaz de provar que um jornal não pode fazer serviços público e uma rádio ou televisão podem, claro está, sem lesar a concorrência de mercado.
 
Outro aspecto tenho despertado merecido estranheza nesta lei da não concentração: trata-se de uma espécie de silêncio dos jornalistas perante uma legislação que preconiza um ataque a forma de ser e de estar dos jornalistas, já que para garantir a verdadeira liberdade de imprensa é preciso agir sobre as empresas e sobre os profissionais que trabalham para elas. Em suma, a confiança no bom-senso, no equilíbrio e na objectividade que devem pautar o papel dos jornalistas, trabalhem para uma empresa ou para um grupo multinacional e multifacetado, é nula.
 
Outra questão, entre as muitas que tenho levantado, estás relacionada com a eficácia da lei: terá o legislador ponderado de forma probabilística que a lei a vigorar garante realmente a dispersão de meios e de conteúdos na RAM? Na Região existem outros títulos diários e semanais, mas o público leitor do JM vai encontrar a informação que consumia nos outros jornais? Não se está de facto a fechar uma perspectiva informativa dos acontecimentos, designadamente do ponto de vista da informação política?
 
Sobre a dimensão geral da lei já muito disse e talvez só interesse pontificar que esta é uma lei que parece ignorar o caminho que a comunicação social tradicional vai ter de percorrer para sobreviver aos novos meios. Condicionar o mercado sem o conhecer é decidir sobre a sua morte prematura.
Felizmente, os novos meios podem abrir novas oportunidades aos profissionais da classe jornalística.
As últimas notícias do meio são indiciadoras do que venho dizendo sobre o futuro do jornalismo. Por isso, posso bem perguntar qual será o futuro da imprensa na RAM no quadro da actual crise, que se prolongará mais além do seu fim formal, já que um dos seus efeitos será a procura por parte dos anunciantes e dos consumidores de meios alternativos, tanto para fazer passar as suas mensagens com grande visibilidade como para acompanhar a moda dos novos meios informativos que oferecem outra cultura de notícia.
 
Posso perfeitamente especular, radicalizar até, sobre a possibilidade do fim de alguns jornais privados regionais que, a somar a um previsível fim do JM, significa, no limite, uma ausência total de meios impressos na Região. Caricato mas possível...
 
Considere-se também uma outra hipótese, já tornada pública (apesar de não se conhecer todos os seus contornos e alguns dos seus actores quando em palco tudo fazerem para adensar o mistério): a da aquisição do JM pelo DN da Madeira.
 
Interessante ideia. Mas... E a lei da não concentração? O curioso é que assim deixa de haver um jornal do Governo mas fica mais reduzido o leque de empresas de comunicação imprensa na região. Diria, com algum tom irónico, que este é um grande contributo para a lei prevista pelo PS Nacional. E como não sou forte adepto de uma boa teoria da conspiração nem vou considerar outras ideias despropositadas.
 
Cingindo-me ao que se sabe publicamente, devo dizer que pelo menos parece haver forma de manter os postos de trabalho existentes no sector da imprensa regional... O que é uma boa notícia, se for esse o objectivo das conversações entre o Grupo Blandy e o Governo Regional.
 
Andaremos por aqui para acompanhar esta novela...
publicado por Marco Freitas às 22:52

Convinha escrever sobre factos e não sobre opiniões... Acha por exemplo que a lei de imprensa está a ser cumprida na Madeira?
Anónimo a 9 de Abril de 2009 às 17:30

caro anónimo,

liberdade significa que posso escrever precisamente sobre o que me apetecer... Ainda assim, o que se passa com a lei da não concentração é real - não opinião - assim como as problemáticas que se vivem na Região Autónoma da Madeira...

Respondendo à sua pergunta, diria que há tanta liberdade de imprensa na Madeira como no Continente. Em que agumento ou facto baseia a sua pergunta? Lamento informar-lhe: liberdade significa poder dar a cara... E fazer perguntas com intencionalidades não se enquadra nesse leque... Quero com isto dizer que todos nós podemos contribuir para que se faça e se use práticas que dignifiquem a liberdade de expressão e de imprensa... Não acha?

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