Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

07
Set 05
Depois de muito penar e de se ter procurado muitos bodes expiatórios para atribuir culpados e encontrar justificação para os incêndios que foram deflagrando neste Verão por todo o país, chegou a altura de encontrar na comunicação social e na cobertura que fizeram sobre o assunto razões de culpa.

Como muitos portugueses estive de férias e por essa razão perdi algumas das discussões que aconteceram. Ainda assim, consegui perceber que a comunicação social é acusada de incitar comportamentos pirómanos e de captar que houve quem defenda que a cobertura deveria ter tido outros contornos, pasme-se, que mostrassem "menos chamas" nos ecrãs.

E a comunicação social entrou neste debate, provocado pelos senhores do costume, como se a causa principal dos fogos estivesse na exposição pública dos mesmos.

Sobre isto, o que acho que devo dizer é o seguinte:

1 - É sempre positivo discutir e analisar a cobertura que os media fazem de determinado assunto, desde que essa discussão não tenha sido provocada para criar mecanismos de censura.

2- A entrega dos profissionais e dos meios de comunicação social a estas discussões tem duas vertentes: uma de ingenuidade, onde se vê lançarem-se num debate sem matéria que sustente o mesmo e uma outra vertente mais maliciosa onde se verifica que apesar de faltar razões e documentação os media alimentam o debate por motivos de audiência.
O público tem de aprender a diferenciar o que está subjacente a estes debates.

3 - Não acham estranho - o público e os jornalistas - que quando não há culpados evidentes ou quando se quer desviar responsabilidades a comunicação social seja envolvida no debate e acusada de alimentar polémicas desnecessárias?

4 - Há que terminar com as tentativas encapuçadas de impôr aos jornalistas uma auto-censura, um controlo de informação em prol do bem comum. Concordo que esse controlo deva existir mas a iniciativa deve ser única e exclusivamente dos autores das notícias e dos meios que representam. Isto não significa que a opinião pública não possa expressar-se sobre a informação que gostava de ver tratada pelos media.

5 - Por fim, compreendendo e aceitando que se coloque nos pratos da balança a informação desregrada e uma informação controlada, até prova em contrário não há razões de maior que justifiquem qualquer mecanismo de censura em prol do bme comum. Até ver prefiro ter uma informação desregrada, onde se pode, inteligentemente e com atenção, selecionar a verdade, do que um sistema onde a informação é propositadamente escolhida, reduzindo a liberdade de escolha e o número de dados para tomarmos decisões sobre a informação que recebemos.

Marco Freitas

Caro Astrisco, I'M BAAAACK!!!! Pois é, após um longo....dois meses....de ausência nestas andanças, só queria dar a minha ligeira e simples opinião sobre esta questão dos fogos!!! Como jornalista,~sendo um "soldado raso", faço tudo o que meus superiores hierárquicos pedem...com excepção de coisas absurdas, do tipo dizer que o "SR.José matou a D.Maria por ciúme do Espirito Santo..."!!! Passe a grande (imensa!!!) exacerbação, confesso que apesar de estar a trabalhar em pleno Verão e sendo um devorador de informação, chocou-me tanto a cobertura abusiva, diga-se, destes incêndios que lavraram pelo País, que por diversas vezes passei para outro canal, sintonizei outra rádio e folheei outra página de jornal só para não ler o que já lera noutros anos, uma espécie de "dejá-vu"!!!! Se houve exageros, talvez pelo "calor" do momento alguns jornalistas tenham cometido os mesmos erros que já vimos noutras ocasiões (e do quais a memória que mais me entristece, pois estive em cima do acontecimento, foi em 2001, no caso Entre-os-Rios...algumas intervenções do tipo "então minha senhora, o que é que sente por toda esta situação de ver um parente seu a ser retirado de um autocarro afundado num rio?! - mais uma vez estou no exagero! mas, mais coisa menos coisa, aconteceu disto!!!). O que para o meu modesto entender é exagerado não é a entrega dos jornalistas à causa dos fogos, tentando descrevê-lo ao máximo pormenor, chegando ao ponto de dar voz à angústia de gente que tenta salvar seus bens....AQUI, meus amigos é que está o mal!!! Exploração da miséria humana....feita em tempo real, em directo, sem tempo de pesar os prós e os contras da publicação...tal como acontece nos jornais, onde o jornalista pode recolher toda a informação mas só a trasncreve se entender por bem fazê-lo!!! Na televisão, os repórteres vão à procura das emoções, do que costumo dizer "SANGUE, SUOR e LÁGRIMAS....fazendo o papel do NOSTRADAMUS, o Profeta da Desgraça!!! Por outro lado, creio que temos neste contexto da culpabilização da cobertura mediática dos fogos, uma desculpabilização dos verdadeiros culpados....TODOS...a começar pelos políticos, a acabar nos juízes...os primeiros, não aplicam as leis por demais revistas e sabidas, não implementam medidas, apesar dos dinheiros disponíveis, não cuidam da floresta dos outros, quanto mais das do Estado! E, entretanto, vão culpabilizando os que lá estão, sabendo eles que também já lá estiveram e não alteraram o "Estado das Coisas"!!! O problema é a politiquice que só dá para pensarem no futuro tacho, em vez de pensarem no futuro dos portugueses, de Portugal!!! Os segundos, por simplesmente continuarem a "olhar" o País do alto do seu pedestal, fazendo precisamente aquilo que a figura emblemática da Justiça faz....tapam a cara com um lenço e tentam acertar no alvo.....onde é que estão as penas exemplares aos incendiários, não só os pirómanos como aos que não cuidam da floresta?! ONDE?! Curioso é que, precisamente nesta altura dos fogos, estão os senhores doutores juízes de férias, de papo para o ar (salvo as excepções exemplares)....e têm o desplante de reclamar pelo período (excessivo de férias judiciais) que o Governo os quer tirar...se já não os tirou....Podem até ter razão nalguns pontos, mas tal como alguns "profissinais da treta", que só querem férias e descanso, trabalhando o ano todo a pensar nas férias e quando chegam das (merecidas?!) féríias começam a pensar no próximo período de férias, os doutores juízes precisam pensar mais no País e menos no seu período de trabalho de escritório, para tratarem da papelada....algo que não cabe aos juízes....esses que devem estar aonde são necessários...na barra do Tribunal!!! Mai'nada!!! Sinceramente..... Não sei porquê é que dizem que este País não tem remendo!!! Eu acho que tem....não tenho a solução porque não sou nenhum São Sebastião que irá aparecer numa manhã de nevoeiro.... Na minha terra natal, Cabo Verde, temos uma frase típica (que também já não é aplicada pelas novas gerações mas era arma de guerra nos tempos da guerra colonial, após a revolução de Abril e no pós-independência em 1975): NU TXUNTA MOM, NU COMPU NÔS TERA (aportguesando....Juntemos as nossas mãos, melhoremos a nossa terra!!!)...CAPICE?! E eu a dizer que não ia escrever muito.... Bem, fico por aqui!!! Espero não ter sido muito...sei lá, o que quiserem me chamar!!! Um abraço e até à próxima!!! Francisco Cardoso Posted by: Francisco Cardoso at setembro 7, 2005 09:11 PM
publicado por Marco Freitas às 21:50

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