Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Dez 05
Ainda não tinha terminado a campanha eleitoral para as autárquicas e os media, com especial destaque para a televisão, inauguravam um turbilhão informativo sobre as presidenciais, campanha e eleições que só decorrerão em Janeiro.

Que política editorial, que bem público presseguem os meios de comunicação social para invadirem a casa dos portugueses com política sem fim?
Será que não existem alternativas ao manancial de notícias e índole política. Para além do mais a perspectiva informativa é muito pouco inovadora, e como sempre, navega em redor das polémicas que conseguirem criar e gerir na esfera pública.

O estudo realizado nos EUA sobre as mudanças de atitude do eleitorado (e que serviu de barómetro da cobertura meditática das presidenciais de 2004) revela dados interessantes tanto para os políticos como para os mass media.

Neste estudo, os meios de comunicação social, a publicidade política, as campanhas e os seus instrumentos de propaganda, os candidatos e os próprios eleitores estiveram sob escrutínio.

A principal conclusão da análise é que há uma quebra aguda nos níveis de confiança na propaganda como fonte de informação e que a publicidade tem menos impacto nas suas opiniões.

Independentemente de ser a televisão o meio preferido para a informação política e os jornais uma segunda escolha e de se saber que a internet está a ganhar terreno aos restantes mass media – indicador que não deve ser menosprezado nesta relação entre a política e os eleitores – o que está verdadeiramente em questão nos dias de agora é o lobby que está ser desenvolvido pela classe política para convencer a opinião pública, o povo que vota, que a solução do nosso país passa pela visão que têm do nosso país, que são os mais esclarecidos sobre as estratégias que os país deve seguir.

Para conseguir vincar os seu ponto de vista precisam da comunicação social, da sua anuência, da sua passividade ou sede de audiências. O ciclo é vicioso e está viciado e a classe política sabe tirar o máximo proveito das fraquezas da comunicação social.

O panorama não é animador mas a solução passa indubitavelmente pelos jornalistas.

O aliamento da população dos assuntos que determinam o sucesso ou fracasso do nosso país como tal deve ser estancado, mas não da forma que os políticos querem. O futuro do país não passa pela politização de tudo o que mexe. Tem sido assim desde o 25 de Abril e ainda não assistimos a um verdadeiro movimento que diga que o período revolucionário e os seus participantes podem descansar que o país saberá seguir em frente. Que liberdade existe na decisão de um eleitor depois do excesso de propaganda a que é submetido diariamente?
Voltando ao papel crescente da internet na democracia: ainda está por se confirmar os seus efeitos, mas com o tempo depressa se confirmará que a queda de confiança nas mensagens transmitidas pelos media de massa é uma reacção ao status quo que ensina que devemos seguir uma política sem informação avalizada. Só um eleitor informado dá o seu voto em perfeito equilíbrio. E a informação transmitida tem sido muito pouco equilibrada e objectiva.

Por isso, não é por excesso de informação que a classe política vai conseguir o apoio inequívoco mais sustentado da opinião pública e que a população vai aceder aos seus constantes apelos.
publicado por Marco Freitas às 15:49

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