Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Dez 05
O debate sobre “Ética no jornalismo e os públicos”, organizado pela Escola Atlântico, foi uma oportunidade de superior interesse para debater os mais diversos assuntos sobre o sector e ver em confronto os profissionais e os aspirantes a jornalistas.
Com uma rara excepção, designadamente o representante regional da classe jornalística no debate, denotei um desencanto generalizado pela profissão, até uma certa tristeza pelo actual estado de coisas do sector e uma auto-flagelação em excesso que até soou a falso. Pode ter sido uma coincidência na escolha dos convidados, simplesmente. Curiosamente, este estado de descontentamento choca com os resultados de Novembro do Barómetro da Marktest/DN/TSF que atribuem aos jornalistas a melhor avaliação no desempenho da sua profissão, ultrapassando os médicos, as forças de segurança, professores, engenheiros e empresários. E, claro, estão nos antípodas dos políticos.

Um outro aspecto curioso do encontro e que durante as horas que decorreu falou-se do universo do jornalismo, das suas realidades, perspectivas e soluções para os problemas, dos públicos, sem nunca ter havido um referência explícita ao impacto da net no sector. Um pormenor que traduz a distracção que reina no mundo da comunicação social nacional. Porque digo distracção? Porque grande parte da classe teima em aceitar os problemas e a necessidade de os resolver com medidas inovadoras, alterando, se for necessário, o actual status quo.
A questão da criação da ordem de jornalistas, assunto que foi abordado pela rama no debate, é uma dessas questões.

Já a dicotomia empresa de comunicação social – jornalistas é outro dos assuntos que precisa de ser clarificado na mente de muitos jornalistas portugueses.

O modelo editorial é outra das questões que levanta celeuma. E isso não passou ao lado do debate. Não existem fórmulas absolutamente correctas de relatar os factos mas umas mais claras do que outras, seja recorrendo a perpectivas objectivas ou subjectivas. O importante é sabermos o método utilizado por este ou aquele jornal. O modelo híbrido que prevalece no nosso país produz imensas dúvidas, na essência, porque não defende um consumo bem definido da informação pelos diversos públicos. Há quem defenda o modelo anglo-saxónico. Com alguns aperfeiçoamentos é um modelo bastante realista porque não anula a subjectividade inerente às questões sociais e humanas, enfim, a todas as questões tratadas na comunicação social.

Entre a apresentação conceptual de João Ferreira (SIC Notícias), o posicionamento percursor de Miguel Martins (Correio da Manhã), a criatividade e ousadia de Ricardo Oliveira (DN-Madeira), a palavra redonda de J. Manuel Freitas (A Bola), as referências deontológicas de Paulo Sérgio Santos (Rádio Renascença) e o testemunho pessoal de Ana Lourenço (SIC Notícias) encontramos muitos argumentos para olhar para o jornalismo como uma profissão de futuro. É preciso vontade de transformá-lo e essa necessidade ou desejo foi mais clara na intervenção do representante regional.
Foi tanto assim que houve um debate interessante e pode dizer-se que a escola desempenhou o seu papel ao contribuir para a análise dos temas já referidos.

Uma nota final para referir a escassa presença de jornalistas regionais no evento. Sabendo o número aproximado de jornalistas que exercem na Madeira, descontando os que trabalharam naquela manhã de Sábado – e sabemos que são em menor número que durante a semana – como avaliar esta ausência acentuada. Mantenho a minha convicção já expressa nesta nota: por pura distracção, e acrescentar desleixo não é exagero. Aos que estiveram presentes é óbvio que esta crítica preocupada não se aplica.

O jornalismo pode ser uma profissão de futuro...Mas, para que tal aconteça, as mentalidades têm de mudar.
publicado por Marco Freitas às 15:50

Meus caros, as mentalidades têm mesmo que alterar-se!! Tive o privilégio de iniciar o meu percurso jornalístico em Lisboa e aí continuar ainda durante alguns anos antes de vir para a Região e uma coisa posso garantir-vos: O jornalismo que se faz na Madeira tem pouco a ver com o que se faz em Lisboa. Não quer dizer que não tenhamos excelentes jornalistas na Região, a questão é outra... eles estão cá mas as mentalidades são muito diferentes! Aqui ainda há muitos tabus e medos infundados. Meus caros, é preciso exorcizar as dúvidas e abanar a sociedade, mostrar que esta é uma classe com muita classe e inteligente, uma classe com mérito, uma classe que sabe ouvir as duas partes e relatar os acontecimentos tal e qual se passaram, uma classe que não se intimida por entrevistar ilustres com opiniões contrárias, uma classe que requer respeito por parte da sociedade... uma verdadeira classe jornalística! Está na hora de saírem do armário! Já agora tenham um 2006 repleto de sucessos, saúde e paz!
Rita Aleluia
Rita Aleluia a 10 de Janeiro de 2006 às 09:30

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