Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Abr 06
Um canal aberto

No mundo global, há muito que as empresas desenvolveram canais privilegiados com os media. Um processo que desenvolvem através de contactos directos com os jornalistas que trabalham na sua área ou, de uma forma mais genérica, com as redacções dos diferentes órgãos de comunicação social.

Lá fora é assim. Em Portugal, também. Mas ainda subsistem empresas que preferem optar pela velha máxima de que o “segredo é o segredo do negócio”. Para o bem e para o mal, fecham-se em copas e nem fazem transpirar a mais pequena informação para os media.

Na Madeira, o fenómeno é similar ao país. Há empresas que há muito descobriram as vantagens de alimentar um canal de interesses mútuos entre a informação que gostam de fazer sair para o público. Paralelamente, os jornalistas agradecem porque, assim, asseguram uma parte continuada da informação.
As empresas sabem que mais vale ir gerindo as suas notícias nos bons momentos, sabendo que, depois, poderá vir a ser mais fácil amortecer os efeitos de uma eventual má notícia através do elo entretanto criado. Não que o jornalista vá branquear, mas, em virtude de conhecer a realidade da empresa, pode escrever com maior conhecimento, aliado ao facto de ter acesso o mais alto próximo possível à origem da fonte para um devido esclarecimento. Este factor é relevante porque, muitas vezes, eliminam-se boatos, contra-informação, ou mesmo informação deturpada. Se, na realidade, as notícias não forem agradáveis à empresa, pelo menos é publicada a explicação, também com a sua versão.

Poderíamos optar por apontar nomes de empresas que, no caso concreto da Região Autónoma da Madeira, trabalham com os jornalistas numa política que diria ser de porta aberta. No entanto, correríamos o risco de esquecer alguma. Seria uma deselegância.
Sem mencionar nomes, diria que existe uma meia dúzia de empresas e instituições que trabalham desta forma. As outras só esporadicamente noticiam. E, normalmente, o contacto surge por parte e insistência do jornalista.

Perante este cenário, pode questionar-se acerca do porquê de existirem tão poucas empresas com canais de contacto com os media. Sinceramente julgo que tudo se deve à formação dos empresários, com pouca apetência para noticiar a sua actividade. Não têm sensibilidade para mostrar o que fazem, inserido numa política de marketing.

Não vamos defender que devem inventar “factos” para serem notícia, porque isso acabaria de ser como o azeite, com a verdade a vir sempre acima. Mas, independentemente da dimensão da notícia, julgamos uma boa política abrir as portas e criar corredores com os media. Sobretudo, cultivar ligações com jornalistas, sem que com isso subsista nada mais do que um canal aberto.
Independentemente da amizade que possa surgir deve persistir o chavão de que “amigos amigos, negócios à parte”. Claro que esta teoria acabará por esbarrar, nem que seja de raspão, na questão prática onde os laços entretanto criados acabarão por deixar marcas e todos ficarão a ganhar.

Paulo Camacho
pacprivado@yahoo.com.br
publicado por Marco Freitas às 11:49

Concordo que as empresas regionais devem abrir mais as portas à comunicação social e aumentar o seu nível de profissionalismo nesta área.
Contudo, para além das razões apresentadas pelo Paulo Camacho,há uma que considero ser um grande entrave: os empresários ainda têm receio dos jornalista e, consequentemente, de se exporem.
Só os jornalistas podem fazer mudar esta realidade.
MPF


marco a 15 de Abril de 2006 às 17:38

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