Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

18
Jul 06
Quando decidi comprar o livro de Manuel Maria Carrilho, "Sob o signo da verdade", e dei disso conhecimento a alguns dos meus amigosa sua reacção foi de que tinha perdido dinheiro e a respetiva leitura seria perda de tempo.
Devo dizer que independentemente dos autores e das matérias (salvo excepções radicais) comprar um livro nunca é perder dinheiro e a valia da sua leitura só pode ser averiguada depois de terminada.
Mas, não foi este o princípio que me levou a comprar o "Sob o signo da Verdade". Nem foi, com certeza, a capa personalizada na figura do autor, que se exprime de forma vazia, nem a conscuvilhice política que previsivelmente abunda no mesmo livro.
A razão da sua compra foi única e exclusivamente a curiosidade em saber como é que esta "amostra de político nacional" ataca a comunicação social que o ajudou a ser figura pública e as agências de comunicação que já colocaram líderes também do seu partido no governo do País, e que razões assitem a ete ataque.
Decidi, por questão de princípio, ler estas páginas com suficiente abertura de espírito e alguma objectividade, sendo que esta última esbarra na dificuldade da definição que tenho sobre o estilo de fazer política do autor do livro (que não é certamente aquele que ele alega no seu livro já que a interpretação da política que produz cabe aos cidadãos e não ao próprio).

A minha ideia sobre o livro será dada a espaço aqui no blog, que aproveito para lançar o desafio para quem quiser discutir algumas das matérias que envolvem a comunicação social e a política, em meu entender, o assunto mais importante do livro.

o astrisco
publicado por Marco Freitas às 17:58


Li o livro e acho que devo fazer alguns comentários, como homem da comunicação, como ex-jornalista e como cidadão responsável. Esta é a primeira parte dessas críticas.

Manuel Maria Carrilho, a quem passarei a tratar por MMC, diz que o livro que escreveu sobre as últimas autárquicas para a Lisboa é “um trabalho de responsabilidade, não de vitimização, é um exercício de liberdade, não de ressentimento…”, concluindo: “ o livro do meu despreendimento”.

A verdade é que depois de uma leitura mais ou menos atenta percebemos que o menor dos responsáveis pela sua derrota é o próprio e que, em relação à comunicação social - e até em relação a alguns colegas do seu partido e da equipa de campanha – conseguiu imputa responsabilidades que dificultaram a sua eleição.

Pode ser de facto o livro do despreendimento mas porque sacode, quase com alguma eficácia, a água do capote por não ter conseguido vencer Carmona Rodrigues (CR).

Por isso, depois de ter lido o livro, fiquei com a sensação que não teria sido escrito se o político socialista tivesse ganho as eleições, mesmo que tudo o que disse e escreveu se tivesse passado da forma que está explícito e implícito no livro.

É verdade que o autor toca em assuntos muito sérios, alguns dos quais podiam ser abordados com maior acutilância no quadro nacional, mas não é menos verdade que há uma certa arrogância que perpassa as páginas desta obra e que, na essência, traduz uma personalidade incapaz de assumir a derrota, bem como uma pseudo ingenuidade que encaixa mal a um político que tem a tarimba do universo politiqueiro português.

É um facto que MMC assume terem existido “factores mal analisados” e erros que contribuíram para a sua derrota e do seu partido. Curioso é verificar quantos destes dependem dele, e só dele, em exclusivo, ou seja, de quem deu a cara pela candidatura e deve assumir em toda a linha os passos dados na campanha.

Em 12 factores e erros note-se bem quantos parecem ser da sua única e exclusiva responsabilidade: preconceitos de vária ordem contra a candidatura; regresso de Edson Athaíde levantou receios, porque este publicitário tinha criado no passado inimigos no sector da publicidade, situação que MMC afirmou desconhecer; momento político, caracterizado por sequência frenética de eleições, afastou os cidadãos do processo eleitoral em causa. MMC chega a afirmar: “os cidadãos desvalorizaram a importância política das eleições autárquicas.” Sobre isto acho que podemos colocar duas questões: a primeira, aceitando a conclusão de Carrilho, será que a valorização dos eleitores das autárquicas lhe garantiria imediatamente a eleição? A segunda, assumindo a perplexidade desta afirmação por parte de um político que a par de muitos outros tem responsabilidades no afastamento dos cidadãos das questões da “res publica”, como pode alguém menosprezar o voto útil de uma eleição desta forma, colocando-se num pedestal já que só o voto na sua personalidade teria valorizado as eleições? Incrível… Não é?...Para quem se diz propõe tão iluminado.

Há também o facto Cunha e Vaz (CV). Outro facto externo, que passa pela capacidade desta agência ter feito uma forte campanha negativa. MMC assume, no entanto, ter desvalorizado a capacidade da CV para fazer este tipo de campanha, como se o próprio ou o seu staff não soubessem dos truques a que as equipas de propaganda e comunicação recorrem nestes períodos tão quentes.

A vitória pouco sólida de Marques Mendes no congresso do PSD é outros dos factores assinalados. Na opinião de Carrilho precisava de ser reforçada com uma vitória eleitoral – como se isto fosse algo de novo e de extraordinário – particularmente na maior autarquia do País. Ora, no entender de MMC esta meta aumentou exponencialmente o jogo sujo. O impacto negativo das medidas anunciadas pelo Governo do seu partido com o objectivo de combater o défice e a crise económica, diz o autor, não contribuiu positivamente para a sua campanha.

Associados a estes factores estão um conjunto de erros que completam este hipotético exame de consciência.
Um foi não ter feito mais para a concretização de uma coligação de esquerda. Isso aconteceu, diz MMC, porque o PS depois da maioria absoluta não estava para aí inclinado. Outro, porque a campanha começou mais cedo, segundo sugestão e ideia de Edson Athaíde. Para além destes erros, MMC reconhece que se enganou ao ter pensado que a apresentação de ideias e de projectos é mais importante do que ter uma agência de comunicação, numa clara referência ao uso da CV por Carmona.
Depois, para além da influência externa da CV, este político achou que a campanha foi excessivamente substancial (conforme sugestão da equipa) como que dizendo que a culpa é dos eleitores que não tiveram capacidade para perceber aquilo era proposto. Grande Presunção!
A somar a isto estão os lobbies da construção que se levantaram depois da declaração que fez a favor da reabilitação dos prédios e contra a construção de novos. Sobre isto, devo dizer que não entendo como é que o assumir de uma política para um determinado assunto é um erro. Será que afinal não devíamos estar a falar de substância? Será porque perdeu? Outra questão: Não será legítimo que os lobbies se movimentem a favor ou contra nos períodos das eleições? Na minha modesta opinião só é pena que o façam de forma encapuçada.
Por fim, Carrilho diz que devia ter sido mais crítico. Afinal, não fez críticas durante a campanha ou não soube comunicar essas críticas? Será que quer dizer que deveria ter sido mais destrutivo?



marco freitas a 27 de Julho de 2006 às 17:15

Amigos, como hoje não estou muito bem "inspirado", daí recorrer a dar uma opinião sobre as tais agências de comunicação de que Manuel Maria Carrilho fala no seu livro "Sob o Signo da Verdade", acusando essencialmente a Cunha Vaz & Associados «de lhe ter oferecido os seus serviços, em que incluía a compra de jornalistas, aquando da sua corrida à presidência da Câmara de Lisboa» (sic. DN de 29.05.06), além de outros "ataques" a jornalistas e órgãos de comunicação social. Todos sabemos que isso não é nem verdade, nem meia-verdade ou, quiçá, toda a verdade.....nos dias que correm, acredito que este político, que diz ter sido atacado e a quem foi roubado a possibilidade de subir ao poleiro, tudo é possível...inclusive o próprio poderia ter sido beneficiado, caso assim a conjuntura mediática o quisesse, a fim de "anular" os pontos fortes e evidenciar os fracos do seu mais directo oponente!!!! Só se fosse parvo!!!!
Há pouco tempo estive na apresentação de um projecto da ACIF, denominado "Negócios do Futuro", na qual realizaram um seminário com algumas "estrelas", casos de sucesso de madeirenses e gente ligada à Madeira, para darem o seu exemplo de sucesso....Quem lá estava, além de outroas, António Cunha & Vaz... a dada altura da sua palestra, o empresário referiu o caso da campanha em que, como todos fazem, tentam aproveitar os pontos fracos dos adversários, evindenciando-os publicamente, nomeadamente nos debates televisivos. Lembro que naquele afamado debate que terminou com uma recusa de Carrilho em cumprimentar Carmona Rodrigues, tendo este dito "gente ordinária..."!!! Lembram-se, certamente! Pois, o Sr. Dr. Cunha Vaz referiu nesse encontro da ACIF que os responsáveis da campanha de Carrilho estavam tão preocupados com a referência ao tal "caso da retrete" cultural, quando este era ministro, que pediram para que os responsáveis da campanha de Carmona "retirassem" esse tema da agenda, na "hora dos ataques pessoais", próprio dos debates....Cunha Vaz disse à boca cheia que, naquele momento, soube exactamente o que o "seu" candidato tinha de fazer para tirar vantagem desse caso, que até já tinha sido esclarecido publicamente (acho eu?!.....
O que acham então disto?! Seá que carrilho falou toda a verdade, meia verdade ou apenas a verdade?! Para mim, nem 1/5 da verdade foi esclarecido nesse livro!!! deixo esta para reflexão...
Pois bem, após um longo período sem contribuir para o astrisco, eis que deixei esta mensagem!!! Espero regressar em breve...

Porque a Vida é Bela...Carpe Diem
Francisco Cardoso a 20 de Julho de 2006 às 16:39

Carrilho, Dan Brown e Jardim


Qualquer semelhança é pura coincidência...
Ora aqui está mais uma "campanha de difamação" que agora surge pelas mãos (ou melhor dedos) dos cibernautas anónimos, de alguém que investiu o precioso tempo para encontrar, desenfreadamente, semelhanças entre o livro de Dan Brown e o de José Maria Carrilho. E nisto, há sempre uma tendência do narrador em encarnar a principal figura melodramática da narrativa, traçando um filme quase épico dos tempos modernos. Nesta película impressa, a vítima é simultâneamente herói, actor e realizador.
A política é fértil em coincidências e, por vezes, a realidade confunde-se com a ficção. Não é por acaso que todas as semanas surgem as vozes sebastianistas nas bancadas de São Bento, ou que nos cadeirões da assembleia da Metrópole se imprimem versos sebastionistas, quais visionários ou idealistas descendentes de Pombal. Os políticos são, afinal, grandes actores.
A Madeira, por seu turno, vive também o seu melodrama político, a sua realidade/ficção, a tal que produz, nos órgãos de comunicação social, a informação/mercadoria. Como na Região se condenam, de forma veemente, as referências políticas nacionais do período anterior à Autonomia (os tais colonialistas, fascistas ou desertores), é o incontornável estilo de Alberto João Jardim, que assume a referência para a prosperidade. Alberto João vê-se e é visto como herói de uma batalha épica. É hoje o próprio presidente que vislumbra uma "Guerra Santa" entre Lisboa e o Funchal. Afinal, como o próprio demonstrou quando entrou em cena num comício no Porto Moniz, montado sobre um elefante, a política é também arte, por vezes surreal...




Há várias pistas que nos levam a descobrir quem tramou Carrilho na
corrida a Presidente da Câmara de Lisboa. Está tudo no livro "Sob o
signo da Verdade"... mas codificado em paralelo com o livro de Dan
Brown "Código Da Vinci". Não acredita. ? Verifique ...


1ª Pista
O filho de Carrilho chama-se Dinis.
O Rei D. Dinis morreu com 46 anos.
Pág. 46 do Código Da Vinci:
Aparece a palavra "Portugal".


2ª Pista
A palavra Carrilho tem 8 letras.
Avançamos 8 páginas.
Pág. 54 do Código Da Vinci:
Aparece "campanha da difamação".


3ª Pista
O livro de Carrilho tem 207 Páginas
Pág. 207 do Código Da Vinci:
Aparece "Toda a gente adora uma conspiração".


4ª Pista
Clara Ferreira Alves foi muito criticada por Carrilho e aparece no
livro de Carrilho na página 167
Pág. 167 do Código Da Vinci:
Aparece "A preciosa verdade perdeu-se para sempre".


5ª Pista
Emídio Rangel é apoiante de Carrilho e aparece na página 78 do livro
de Carrilho.
Pág. 78 do Código Da Vinci ? aparece o recado de Rangel para Carrilho
"Professor, as consequências poderiam ser desastrosas para si."


6ª Pista
Quem tramou realmente Carrilho ?
O filme de Carrilho na campanha tinha 13 minutos.
Somamos à página 78, os 13 minutos do filme e vamos para a página 91
Pág. 91 do Código Da Vinci
Aparece " P.S. - P.S. - P.S."


E isto é mesmo verdade, não é só publicidade!


Melhor do que "O Código Da Vinci" é "O Código Carrilho".
Ricardo Freitas a 19 de Julho de 2006 às 10:42

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