Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Ago 06
Ser competitivo e reconhecido a nível internacional é uma tarefa árdua e exige um trabalho contínuo das empresas, países, regiões ou cidades. Davos e o Dubai são dois casos sérios de reconhecimento internacional porque souberam
posicionar-se, construir e comunicar uma imagem de marca diferenciada dos demais destinos turísticos e de negócios. Os resultados que alcançaram
devem ser um incentivo para regiões como a Madeira. Quer queiramos quer não, vivemos num mundo globalizado onde os países lutam para atrair visitantes,
investidores externos e aumentar as exportações, o que implica a actualização de posicionamentos para gerar novas associações positivas e manter a notoriedade. A Madeira não é, com certeza, excepção e como tal precisa de saber
estar e comunicar neste mundo em mutação. Para poder definir a melhor forma de posicionar a Madeira no exterior há que analisar as oportunidades, as ameaças e os pontos fortes e fracos da Região. A comunicação da Madeira para o exterior
resultará se se obedecer a uma regra fundamental: tudo tem de começar por dentro, por nós, os que trabalham e vivem na Região. O projecto tem de contar com a colaboração de muitos nas pequenas e grandes iniciativas de comunicação e de acção. A identidade é muito mais do que uma imagem, é aquilo que fomos, o que somos e o que queremos ser. Acabar com sentimentos derrotistas ou auto-depreciativos, valorizar a capacidade de enfrentar desafios, como os nossos antepassados fizeram quando rasgaram as estradas da Madeira, e anular as posturas de suspeição perante novas vias de desenvolvimento pode ser o princípio de uma nova imagem para a Madeira.
O sucesso almejado não se coaduna com o “fado português”. No mundo das novas tecnologias falar em ultraperiferia é quase um contra-senso, porque esta não é mais do que um factor físico que pode ser ultrapassado com inovação, dinamismo, presença activa nos mercados através do protagonismo das marcas e produtos de sucesso. Porque não é possível promover uma marca artificialmente, um projecto de comunicação da Madeira deverá estar em perfeita harmonia com
a gestão global da Madeira. Para isso, a articulação entre os sectores privado e público deve ser maximizada. Segundo Carlos Manuel de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing, “a imagem de uma marca é a conjugação de múltiplos factores, sejam eles de ordem pessoal e colectiva, objectivos e subjectivos, fruto de diversas experiências acumuladas ao longo do tempo, que conduzem, consciente e inconscientemente, a uma soma algébrica de atributos que, no final, nos causam um sentimento de conforto, agrado, preferência ou de desconfort/desagrado/rejeição perante essa marca”. Ora, a Região tem um conjunto de factores fortes para singrar, para ser capaz de atrair consumidores e investidores e disponibilizar serviços capazes de revalidar com
locais de topo. Para promover um novo conceito da Madeira no mundo há que responder a duas questões importantes: a) a Madeira deve ser comunicada como
um todo ou os diferentes sectores de actividade devem realçar individualmente a Região? b) A ilha deverá ser vista como um destino eminentemente turístico ou deverá potencializar e posicionar paralelamente as actividades de sucesso que
existem para além do turismo? É um facto que o turismo é uma das actividades chave do desenvolvimento da economia e que a sua importância estratégica tem influência positiva na imagem de um país, região ou cidade mas, como já é admitido, se a Madeira quiser ser reconhecida e competitiva, não só o turismo deverá explorar novas vertentes como devem ser valorizados mecanismos de atracção de investimento externo como, por exemplo, o Centro Internacional de Negócios da Madeira. Mais, podem ser desenvolvidos conceitos como o de ilha ecológica ou conectada com o mundo através das novas tecnologias ou ainda a ideia de uma ilha aberta à investigação e à aprendizagem em várias áreas,
aspectos que podem mostrar um local diferente e atractivo. Associar o nome da Madeira a eventos de grande impacto – veja-se o caso de Davos – a uma sucessão de feitos e a uma história inovadora é meio caminho andado para afirmar a ilha como local de excepção. É incontornável: uma história diferente tem vida própria, comunica, cria reconhecimento e sensibiliza. Sendo um destino aprazível a Madeira pode também potenciar factores psicológicos como o
prestígio, o relaxamento, a educação e o conhecimento, a segurança e a estabilidade. Em qualquer processo de comunicação é importante ter presente que nem tudo pode ser controlado e que nenhum país, região, cidade ou empresa
tem uma imagem favorável em todas as áreas. Por isso, é preciso rever prioridades para valorizar o positivo e transformar o negativo, porque
como diz Paulo de Lencastre, director do Núcleo de Estudos da Marca da Universidade Católica Portuguesa “a marca de um país é muito mais o fruto orgânico de uma história do que resultante de um acto de gestão, por muito iluminado que ele seja”. Por isso, é fundamental arrumar a casa, definir para onde vamos e encontrar uma plataforma de trabalho comum para partir à conquista
do futuro.
publicado por Marco Freitas às 16:45

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