Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Ago 06
Hoje, ser madeirense é mais do que olhar o mar e sonhar com mundos para
além do horizonte. Noutros tempos saber que existiam terras além do nascer
ou do cair do Sol preenchia a vontade de ser madeirense... Nesses tempos
cumprir o sonho era ir trabalhar num outro sítio qualquer ou desbravar
mares em aventuras raras, já que outros povos eram capazes de chegar até
nós... O mundo nem era imenso nem pequeno... era simplesmente secreto e
desconhecido. Tudo isso mudou.
Já não somos povo de uma terra isolada do mundo porque esbatemos o
agreste das linhas costeiras que nos impediam de dar um passo em frente.
Não foi o mundo que veio ate nós... Fomos nós que quisemos ir e trazer
novas experiências para a pequena ilha feita de molhes de pequenos aglomerados escondidos nas escarpas. Ser madeirense hoje é mais e devia ser desejar mais do que os nossos antepassados. Rompemos estradas na rocha, abrimos túneis incertos só com a convicção de que iria dar a algum lado e com um pouco de sorte encurtar distâncias, fomos ambiciosos e quisemos mais do que hidroaviões na baía do Funchal, quisemos aviões por cá e fez-se um aeroporto, fomos sendo exigentes com as nossas necessidades e evoluímos.
E agora? Que razões sustentam o marasmo que invadiu os espíritos dos
contemporâneos? Que motivos justificam debates e conversas de café que
não nos levam a lado nenhum, como se já não soubéssemos usar os escorpos
que outrora ajudaram a rasgar a ilha e a traçar caminhos para longe?
Acreditamos que vivemos num porto seguro e vivemos novamente a ilusão
daqueles que pensavam que a ilha subsistia sem o mundo. Perdermos
garra... Vejo gente aninhada ou mesmo prisioneira de raciocínios limitados
por outras barreiras, a exemplo do que a linha costeira impôs ao nosso passado. O tempo de querermos mais é agora. O tempo de voltar a ser novamente madeirense arrojado é hoje... Caso contrário, perderemos o mundo.
A internet não é tudo e viajar não dá automaticamente mundo. A barreira
que temos de ultrapassar é a do nosso pensamento pequeno e confinado a
uma sala de estar que não aceita o risco... Autonomia, internacionalização,
globalização, desenvolvimento económico e social são conceitos interessantes
que precisam de doses de criatividade e de risco para serem uma realidade na nossa terra. Quando efectivamente quisermos ir mais além depressa confirmaremos que as birras e os amuos, que parecem crescer exponencialmente em sectores representativos da sociedade, não passam de alimento para a falta de vontade e de coragem de ir além. O tempo de voltar a ser madeirense arrojado é hoje.
Marco Freitas
publicado por Marco Freitas às 16:46

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