Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Out 06
Por defeito de formação não pude deixar de olhar para o desempenho da Comunicação Social em redor da problemática da Lei das Finanças Regionais (LFR).
A este propósito tomei algumas notas que gostava de rapidamente partilhar e que a meu ver testemunham de forma inequívoca o impacto que assunto tem merecido:

a)Uma pesquisa superficial aos conteúdos produzidos pela imprensa regional nas últimas das semanas diz-nos que no total foram publicadas aproximadamente 130 artigos directamente relacionados com a LFR, expressos em cerca de 90 páginas de jornal e em 11 manchetes.
b)Para além disto, detectei artigos em jornais do continente, desde os títulos generalistas aos da vertente económica. A somar a estes indicadores há que sublinhar o papel da RTP-Madeira na promoção de oportunidades para a análise ao tema - o que tem acontecido com alguma frequência – e também o acompanhamento que os canais nacionais têm feito.
c)Só uma análise de conteúdo mais profunda permitiria aferir o equilíbrio e a tendência informativa das notícias publicadas, designadamente sobre o nível de protagonismo dado aos assuntos em destaque e aos principais porta-vozes dos mesmos.
d)Contudo, estes dados possibilitam-me duas considerações principais:
1 – Que a Comunicação Social percebeu o alcance e importância do tema, assumindo o seu papel interventivo na vida social e, simultaneamente, tirando o devido proveito para alimentar as audiências. O que, diga-se, tem toda a legitimidade para o fazer.
2 – Que a actividade jornalística tem permitido um debate acesso, amplo e diversificado nos pontos de vista. O que é interessante registar numa Região que, como se convencionou em alguns sectores da sociedade, vive sob o chapéu do “défice democrático”!!


Atendendo ao conteúdo da cobertura noticiosa e às posições tomadas pelos muitos intervenientes nesta matéria, foi possível verificar que o debate está muito concentrado na questão monetária – enfim, sobre o quanto a Madeira vai perder e quanto é que deveria receber, independentemente da fórmula escolhida para tal, menosprezando aspectos que significam machadadas na autonomia e nas suas competências.

Mais, salvo raras excepções, a meu ver tem passado ao lado a preocupação sobre a estratégia que a Madeira deve seguir para o futuro, com a previsível perda de fundos e transferências de Estado. Tem sido interessante verificar comentários que falam de um novo ciclo, da necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento. Mas, não tenho visto mais do que isto, não vejo propostas concretas e, claramente é preciso ir mais longe. A verdade é que já foram tornadas públicas sugestões sobre caminhos a seguir que têm sido ignoradas.

De facto, mais que discutir o que vamos perder é preciso concentrar esforços - e aqui refiro-me a todos os sectores da Região – é preciso concentrar esforços para definir uma estratégia de desenvolvimento sustentado. E, muito resumidamente, para não cometer o mesmo pecado, como? Como é que pode ser feito?

Existem algumas opções interessantes:

a)Participar na globalização - devemos equacionar estratégias e um modelo de desenvolvimento que não nos afaste da economia global e que permite atrair investimento estrangeiro.
b)Aceitar, de uma vez por todos, que a influência dos sectores tradicionais na nossa economia será cada vez mais residual e que estes devem procurar um caminho diferente apostando na qualidade e na criação de marcas exclusivas, mesmo a nível mundial. Temos o vinho Madeira porque não podemos ter outros produtos?
c)Modernizar economia e valorizar CINM - Criar e tirar partido de mecanismos que ajudem a modernizar e diversificar a nossa economia apostando na área dos serviços e das novas tecnologias a nível internacional, valorizando ainda mais a capacidade do CINM para atrair conhecimento, experiências internacionais e benefícios directos para a economia
d)Enfim, devemos definir que Madeira do futuro. Penso que agora, mais do que nunca, os madeirenses devem tomar em mãos o seu destino valorizando o que de bom tem sido feito na região. O tempo do queixume tem de acabar para dar espaço à iniciativa e ao risco.
publicado por Marco Freitas às 12:24

Duas notas sobre a intervenção do primeiro participante neste debate:
A Primeira é para dizer que há falta de quem assuma bandeiras. Mesmo considerando as características profissionais do jornalismo não vejo porque estes profissionais não devam assumir bandeiras, ou mesmo os meios de comunicação social. Compromisso é o que falta nos dias de hoje, personalidade para defender principios, ideias e projectos. Só a consciência deve e pode ditar a medida do comportamento preconceituoso ou promíscuo. Um jornalista com a consciência tranquila é um jornalista livre (como qualquer outro profissional) e logo disponível para defender causas com toda a transparência. A expressão desse compromissão é que deve ser colocada no lugar e na altura certa e não nas peças jornalísticas aparentemente trabalhadas sob o signo da objectividade.
É por isto que defendo o fim do paradigma da objectivdade tal como ainda subsiste, dando lugar à ideia de que é a soma das subjectividades que constroem a envoltente de uma notícia e que conduzem a algo próximo da objectividade. SE houver rigo na notícia não será preciso haver preocupações com a objectividade.

Segundo ponto para dizer que o papel da Comunicação social é mais do que informar: é formar. E, no que diz respeito à Lei das Finanças Regionais, penso que já perdeu muito tempo em redor das questões financeiras, ou de quem tem razão ou enganou o povo. Para cumprir com o seu papel de forma a impresa deve estar atentar, não se render ao fenómenos das audiências que a "guerra" entre governos favorece e lançar para debate temáticas relacionadas com o futuro da Madeira. SIM, o que estou a dizer é: influenciar a agenda temática e pública provocando o debate sobre o futuro da Madeira, desempenhando um papel preponderante na definição desse futuro. Mas com seriedade, claro.

astrisco
astrisco a 19 de Outubro de 2006 às 14:40

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