Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

25
Jan 07
Em 2006 e já no início de 2007 a imprensa nacional e regional registou momentos de particular agitação. A queda generalizada das vendas, a perda de audiências e de mercado publicitário é motivo de preocupação. Eis alguns dos casos mais falados nos últimos tempos: Os maus resultados económicos e editoriais forçaram o jornal da Sonae a mudar em 2007. Vai aparecer renovado e com um modelos de negócios diferente, tudo porque, em 2006, os resultados
dizem que o terceiro trimestre apresentou prejuízos na ordem dos 3,5 milhões de euros; o volume de negócios desceu 1,7% , a circuação media mensal caiu de 50,7 mil exemplares para 44,2 mil e a quota de mercado publicitário acompanhou a queda de 15,8 para 13,9%. O seu director, José Manuel Fernandes, espera que a nova estratégia faça do Público “um polícia sinaleiro que oriente os leitores num determinado caos”. Caos, para o qual tem contribuído a atitude de alguns dos seus jornalistas. Por isso, esperemos que a mudança não seja só ao nível da imagem e dos preços dos espaços para publicidade. Que não seja só fachada...

O fim do Independente fez lembrar a queda de um gigante com pés de barro.
O semanário que dizem ter provocado o fim político de Cavaco Silva não chegou à maturidade: 18 anos depois da sua fundação editou o seu último número, precisamente quando o presidente da nação é o ex-Primeiro Ministro.
Foi em 1988 que a dupla Miguel Esteves Cardoso (MEC para os amigos) e Paulo Portas (PP para os portugueses) lançaram as bases de um título que muitos dissabores viria a criar à classe política portuguesa. Coincidência ou não, ou simples ironia do destino com o retiro de Cavaco as vendas começaram a cair sem parar e as várias tentativas para reanimar o espírito irreverente e polémico que criara, então já com Inês Serra Lopes à frente do projecto, falharam. Em 1995 emitiam 90914 exemplares e em 2006 esse número não passava de uma miragem já que fechou as portas com 9392 exemplares. Foi o estilo de fazer jornalismo que falhou ou a promiscuidade com a classe política que contibuiu para a dimiuição de credibilidade, peça fundamental para a adesão das audiências?

José António Saraiva pôs um ponto final na gloriosa carreira que tinha no mais prestigiado semanário nacional, muito provavelmente o mais influente do país, e criou o SOL, aparentemente com o intituito assumido de ocupar um espaço que o Expresso não conseguiu e, com um outro um pouco mais velado, o de roubar efectivamente leitores no terreno do Expresso. Enfim, provar que o Expresso não é imbatível. O Expresso, com anos de experiência às costas, não esperou para ver e mudou: de broadsheet para berliner, novas cores e tipos de letra,textos mais curtos e mais destaque às fotos. Para fazer frente às primeiras investidas do SOL lançou DVD’s de grandes filmes a custo imbatível, um brinde para os leitores e para o próprio título pois ajudou a subir as vendas e a afastar o espectro de uma hecatombe com o novo SOL. O SOL não surgiu para ser um novo “Expresso” mesmo que no seu intimo a vontade seja a de criar uma nova tradição de leitura ao sábado. Ainda é cedo para falar de sucesso ou insucesso
do projecto. Existem leitores a comprar os dois semanários, com claro prejuízo para os diários de sábado, mas até quando a sua leitura poderá ser
complementar? O Expresso venceu a primeira batalha...

Atento às mudanças, beneficiando do facto de ser o líder no mercado da comunicação social na Madeira, à laia de sinal dos tempos, o Diário de notícias da Madeira lançou aquilo que denominou de Plataforma Digital, por outras palavras, tornou a sua página na NET mais interactiva, com notícias redigidas exclusivamente para aquele espaço e com actualização permanente. A ambição é a de convencer e atrair novos públicos apelando a uma participação através das novas tecnologias. É um projecto de futuro mas que precisa de mais algum dinamismo, de maior atractividade e também publicidade um pouco
mais apurada para vingar na junto dos públicos em geral.

O Notícias da Madeira disse adeus à comunicação social regional. Sobre esta questão uma nota muito breve para lançara interrogação de como é que é possível edifica um projecto desta natureza - note-se que uma empresa de comunicação social não pode nem deve ser vista como uma empresa comum porque assume responsabildiades de peso com a res publica - sem uma análise conveniente à sua viabilidade?... Pelo menos é o que indicia o fim prematuro deste interessante projecto. O mercado regional é pequeno o que, por si só, deve obrigar a cuidados redobrados do ponto de vista empresarial. O que pode ter falhado(?): a vertente editorial adoptada, a vertente comercial ou, pura e simplesmente, a gestão do projecto? Seria absolutamente interessante
conhecer - mesmo que ao de leve - algumas das causas para o fracasso do projecto no sentido de podermos aprender com os erros e de deixar uma mensagem séria a futuros projectos jornalísticos. Na calha parece estar prevista uma reestruturação do Jornal da Madeira, numa altura em que se
conhece as intenções do Governo da República em proibir organismos de soberania de possuir meios de comunicação social impressos (Resta saber que explicação dará o Governo nacional para continuar a deter a RTP, um canal televisivo com níveis de audiência superlativamente maior do que um qualquer jornal nacional ou regional. A reestruturaçã odo Jornal da Madeira será bemvinda desde que elimine alguns dos vícios existentes e que teimam em manter o JM muito longe das perfomances do Diário. Por outras palavras, é
imperioso tornar o Jornal rentável. Missão impossível? Depende da gestão adoptada, da capacidade para controlar custos e da política de marketing a desenvolver. Com objectivos de rentabilidade claros e práticas de boa gestão,
o Governo Regional poderia defender-se dos argumentos que justificam os ataques ao Jornal, até porque, na essência, o que está em causa são os dinheiros dos contribuintes. Liberdade de expressão e de informação? Se o JM vendesse muito e fosse lucrativo - o que pressupõe uma grande audiência - poder-se-ía dizer que estes princípios eram colocados em causa?
Heritage, organizado pela Comissão

Os números da imprensa nacional
A APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens anunciou que nos três primeiros trimestres de 2006 os diários generalistas venderam menos 16,294 exemplares (24H, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público). O título que registou a maior queda foi o 24H e depois o Público. O CM continua a ser o título que lidera a tabela dos diários generalistas porque vende 113,3 mil exemplos. Aliás, é o único deste segmento que vende acima dos 100 mil. Contra a maré, os gratuitos continuam a ganhar terreno aos títulos pagos. Reforçaram a sua circulação em 38%. Uma das disputas curiosos de 2007 foi a que colocou face a face o Expresso e o Sol. Apesar de não haver números da evuçãool novo semanário, é sabido que no mês do lançamento atingiu um total de vendas de 126,2 mil exemplares. O Expresso, em linha com toda a imprensa nacional, também baixou durante os primeiros 9 meses do ano mas, em Setembro, graças à promoção dos DVD’s, registou vendas na ordem dos 175 mil jornais. Uma outra disputa curiosa tem acontecido entre a Sábado e a Visão. A primeira revista registou um crescimento de 12% e a Visão caiu 5,4%. A Visão tem uma média de circulação paga à volta dos 94 mil exemplares e a Sábado ronda os 70.000. Mesmo assim a Visão está a preparar uma remodelação.... Finalmente, no segmento dos económicos, a nota de destaque é que no todo dos títulos em actividade foram vendidos menos 1%.
publicado por Marco Freitas às 09:32

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