Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Jan 09
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A partir das 20 horas de hoje, as estações de televisão públicas francesas deixarão de transmitir publicidade no horário nobre.

A medida tem vindo a suscitar a ira dos jornalistas, entre outros sectores, mas o Presidente Nicolas Sarkozy está determinado a criar a versão francófona da BBC, o conceituado serviço público britânico de rádio e televisão, financeiramente suportado pelos espectadores (através de taxas) e pelo Governo de Sua Majestade.

A abolição da publicidade, ainda que não passe de um pequeno ponto na revolução que Sarkozy está a promover no panorama audiovisual em França, é motivo mais do suficiente para a paralisação dos jornalistas do canal público.

A redacção da France 3 paralisa hoje e a da France 2 amanhã. Suscitou ainda uma onda de atoardas dirigidas ao Presidente Sarkozy por parte dos principais dirigentes políticos em França, da esquerda à direita.

Os opositores falam a uma só voz alegando que por detrás da abolição da publicidade no horário nobre está a intenção de favorecer os canais privados, bastante penalizados pela sucessiva contracção do mercado publicitário.

As críticas vão ainda para uma outra medida: a nomeação directa do administrador da televisão estatal por parte do Eliseu. A este propósito, os opositores de Sarkozy não têm dúvidas: trata-se de um regresso a uma época de má memória em que o poder político controlava a televisão.

Anunciada pela primeira vez há cerca de um ano por Nicolas Sarkozy, a reforma do audiovisual suscitou desde logo a oposição por parte dos partidos do centro-esquerda e do centro.

Os socialistas, por exemplo, fizeram tudo o que estava ao seu alcance no Parlamento para impedir até hoje a entrada em vigor da nova legislação.

Num primeiro momento, também o principal administrador da televisão francesa, Patrick de Carolis, classificou as mudanças anunciadas como "estúpidas e injustas" mas concordou suspender a publicidade voluntariamente no horário nobre até que o diploma fosse aprovado.

Todo este processo acaba por ser mais um bom exemplo das idiossincrasias da política francesa. A abolição da publicidade nas televisão pública há muito que é uma bandeira dos partidos da esquerda, mas para história há-de ficar como tendo sido concretizada por um homem da direita.
publicado por Marco Freitas às 18:30

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