Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

05
Out 07
Não vi... De facto, não vi Santana Lopes fazer mais uma das suas cenas mediáticas. Contudo, já ouvi imensos comentários e já li sobre o incidente. Portanto, parece-me simples de imaginar o que se passou. Veremos quanto tempo é que esta polémica “fica no ar”. Agora, o sucedido levanta um conjunto de questões interessantes.

1ª - é um facto que sob a capa de uma “política editorial” cabe à SIC a definição e a gestão dos momentos informativos incluindo os directos. Isto não é discutível. Se a política editorial é boa ou não quem o dirá são ou consumidor da informação e os anunciantes (e ao que se sabe a SIC não vive os melhores tempos, um pouco como toda a comunicação social).

2ª – Ao abrigo de uma agenda editorial e mediática, o canal resolveu contar com a presença de Santana Lopes (naturalmente porque lhe atribui algum valor mediático e até informativo) para comentar as eleições internas do PSD (estas sim, um assunto de estado e de grande preocupação já que se trata de um partido nacional com legitima aspiração de poder).
Importa aqui saber em que condições em que o ex Primeiro-Ministro foi convidado e se foi convenientemente informado de que poderia ser interrompido para um directo sobre a chegada de Mourinho.

3ª - Posto isto, parece-me também in questionável a liberdade de um qualquer convidado se excusar continuar a participar num qualquer programa de televisão ou de rádio. Em que lugar está escrito que isto não poder acontecer? A verdade é que a comunicação social convive muito pouco com a recusa e com a critica...
Aparentemente, o senhor até foi educado e deixou claro as razões porque não continuava em estúdio...
Talvez Santana mostrou a coragem, ou a “lata”, de fazer aquilo que muitos outros políticos já desejaram ter feito e não fizeram ou, como é seu timbre, tenha visto uma oportunidade para criar um facto mediático e estar na ribalta na actual fase da vida do partido.
E como este é o lugar da conspiração: até que ponto é que a SIC jã não sabia que ele podia retirar-se se fizesse o directo?

4ª – A escolha do directo tem muito pouco de pertinente. Desculpem-me se discordo da SIC... Mas, conhecendo o outro actor do incidente tudo parece não ter passado de uma encenação... E, cometer um erro básico destes não é para a SIC. Mourinho também precisa de exposição mediática.Caso contrário teria chegado a Portugal sem ninguém saber. Não terá o senhor especial também uma agenda mediática?

5ª – Os directos são fundamentais na comuncação social falada e ouvida. Compreendo!... Mas, uma televisão que se diz de serviço público (como muitas vezes a SIC- N se advoga) com certeza deveria ter parâmetros mais elevados.
Porque, queiramos ou não, discutia-se um assunto muito importante para o futuro do país do que o futuro pessoalde um treinador de futebol (com todo o respeito para a profissão).
Aqui sim, pode-se definir prioridades. Quer queiramos quer não, Santana foi primeiro-ministro de Portugal, líder de um partido de governo, desempenhou cargos de chefia pública a vários níveis... Merece todo o respeito do povo português, incluindo da comunicação social. A sua competência ou incompetência não lhe retira mérito pelos cargos atingiu na nação. É para além do mais eleito pelo povo à Assembleia da República.
E Mourinho? Bem, posso reconhecer-lhe mérito por mostrar a capacidade dos portugueses vencerem no estrangeiro. Mais do que isto é pedir muito... Que mais fez ele pelo país? De concreto...

6ª – O equilíbrio é importante nestas coisas. Santana vingou na política porque obviamente beneficiou da cobertura da comunicação social. Mas quanta comunicação social não tirou proveito das asneiras do político e do seu “charme” mediático?

O “astrisco”
publicado por Marco Freitas às 11:05

Como o leitor se aperceberá o artigo foi preparado para inserção num outro espaço que abordou o assunto em debate. No blog "conspiração às 7". Infelizmente, por razões técnicas - assim pensamos - o comentário não foi aceite. Pelo que, impunha-se a sua publicação no blog do autor, ou seja, no astrisco.
Uma nota complementar: Já visionei aquele famoso momento de televisão e mantenho o que disse... Talvez possa sublinhar mais um pequeno pormenor: a incapacidade da jornalista para justificar de forma adequada o directo... Será porque foi apanhada de surpresa ou, de facto, era difícil justificar aquele momento de televisão e a opção editorial...

o *astrisco*
astrisco a 28 de Setembro de 2007 às 09:25

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