Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Out 07
Eu sempre acreditei que comunicar podia ser simples, fácil e natural.
Contudo, desde os primeiros anos de aprendizagem na universidade, com
o avolumar de teorias e de debates sobre os principios, estratégias e efeitos
da comunicação, alimentamos pressupostos de que o processo de comunicação
é um sistema altamente intricado, sujeito às mais variadas correntes,
que têm o propósito preciso de impedir o percurso normal das mensagens
transmitidas.
Somos como que pressionados a abandonar a ideia de que "comunicar pode
ser simples". Na minha perspectiva porque a defesa da simplicidade como
elemento necessário à comunicação eficaz é um conceito que anula e esvazia
a complexidade temática que alimenta muitos dos especialistas deste
sector e, no ponto vista da prática, a semente das intrigas.
Embrulhados na rede, dificilmente conseguimos desenvolver processos de
comunicação simples por, na essência, ignoramos o papel que desempenhamos
quando transmitimos ou recebemos uma mensagem.
Os modelos de comunicação construídos no último século - e aqueles que
têm surgido mais recentemente - a par da proliferação de novas disciplinas
de comunicação tendem a fortalecer o conceito e a prática de comunicação
como um "universo complexo e indicifrável".
Para quem defende que o processo de comunicação é absolutamente simples
e natural, é desanimante verificar que as correntes que promovem a
complexidade ganham terreno. Muito provavelmente, até se esgotarem no
mais elementar e linear da comunicação.
Recentemente, descobri que há uma réstea de esperança para os defensores
da simplicidade nos processos de comunicação quando comecei a tentar
comunicar com o meu bébé recém-nascido e a tentar ser o melhor receptor
do mundo para perceber aquilo que, entre dicas faciais, sons e movimentos
de membros, tenta comunicar ao mundo que agora começa a conhecer.
A verdade é esta: sem códigos comuns estabelecidos, os pais conseguem
responder às exigências dos recém-nascidos, por natureza intuitivos. Comunicamos
com eficácia porque sabemos quão importante é esse processo,
aceitamos as suas limitações e trabalhamos a comunicação a partir daí.
Comunicamos, simplesmente.
publicado por Marco Freitas às 21:30

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