Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

04
Jan 08
Se há algum programa que gosto na RTP Madeira esse é, sem dúvida, o Dossier de Imprensa. Gosto do modelo, daquilo a que se propõe oferecer aos telespectadores e da maioria daqueles que têm participado no programa (pela simples razão de que dão algo de novo ao debate...).
Existem outras razões porque gosto do programa. Uma delas é porque assim a população madeirense tem oportunidade de ver os interesses em jogo no campo da comunicação social e a forma como esses se interligam com a sociedade em geral e com a política em particular.

Um dos temas de ontem (dia 3 de Janeiro de 2008) foi o Jornal da Madeira - a eterna problemática do JM - e o facto deste ter passado a gratuito.
Esgrimiram-se argumentos interessantes, de um lado e de outro... Contudo, não pode deixar de notar o "peso discursivo" dedicado à decisão do JM, tanto pelos jornalistas do DNM como da Tribuna (pessoas que muito admiro e que considero próximas, para que fique claro).

Também não pude deixar de reparar que a argumentação dos custos do Jornal da Madeira foi repetida, mais uma vez e utilizando a expressão do jornalista da TSF, como uma K7.

É incompreensível e inaceitável que o Jornal gaste tanto do erário público. Acredito que não há ninguém nesta terra que discorde disto... Mesmo aqueles do partido maioritário... Será também consensual que o jornal precisa de eliminar custos desnecessários, decorrentes dos mais variados aspectos da su gestão, inclusive aqueles relacinados com os profissionais que não produzem e não rentabilizam... Até aqui nada a contestar na argumentação de quem tem por hábito atacar a existência e actividade do JM.

Tenho debatido com alguma frequência este caso do Jornal da Madeira e defendido que a manutenção dos trabalhadores daquela empresa é possível desde que se tomem medidas de gestão sérias, em nada correspondentes àquelas que alimentam compadrios... E a este propósito parece-me algo paradoxal o argumento utilizando de que não se quer ver o fecho do jornal devido aos jornalistas e outros profissionais que lá trabalham e, simultaneamente, despechar-se um rol de argumentos que indicam o caminho mais certo para o seu fim...

Considerando que o Jornal da Madeira ainda é um bem público, o esforço responsável de todos é o de contribuir para o definir de estratégias que ajudem a sua saúde financeira. Ora, como é que isto se compagina com a concorrência, com as vontades do DNM e dos outro meios escritos de atacar o JM? Simples: se o problema é o custo que o JM representa ao orçamento da região, então o que falta fazer é tornar o Jornal rentável. De facto, o problema não é o Jornal custar 10.000 euros por dia.. O problema é não conseguir cobrir estes custos.... Afinal de contas quanto custa por dia o DNM, a RTP-M a RDP-M, a TSF-M, o PEF, a Tribuna, o Cidade e todos os outros meios de massas? O sucesso destes é confirmado no lucro obtido, isto considerando que nos dias de hoje o objectivo primordial de uma empresa de media é mais a procura do lucro do que a da informação equilibrada, socialmente responsável, enfim, a função de contribuir para o crescimento social da res publica.

Será que tornar o JM gratuito é uma boa medida de gestão? Quiçá... Se for abre-se aqui um verdadeiro espaço de concorrência... Ah! O argumento de que um Governo não pode deter um jornal e intervir no mercado.... Bom... Também aqui é preciso mais alguma transparência... Porque,no debate que está a decorrer é preciso, rigor e transparência significa lembrar que o Estado Português detêm meios de comunicação social poderosos na capacidade de influenciar... Logo o ataque ao JM não pode ser feito de forma isolada, ignorando realidades semelhantes.

Mas, para além disto, tenho algumas reticências quanto ao conceito de que um Governo não pode pode ter ao seu cuidado meios de comunicação social. Como as empresas qual a razão porque um governo não pode ter um meio comunicação social quando, como se sabe, precisa de informar a população das medidades que toma.... Adicionemos a isto, ainda a preocupação de que haja de facto uma imprensa equilibrada, construtiva e capaz de educar a sociedade.. Aspectos que as empresas privadas de comunicação social têm cada vez menos em conta. Exactamente. Um Governo pode ter um serviço público radio-televisivo e escrito não poder ter?

Acrescentemos ainda ao debate um outro aspecto: o do futuro da imprensa no mercado global desgnadamente face aos novos suportes tecnológicos que remetem para segundo plano o papel... Para conservar os actuais postos de trabalho e, eventualmente, aumentar o sector, é fundamental que os meios de comunicação de massas se adaptem... Isto significa ma maior interacção com os consumidores e informação através, por exemplo, da internet.

Nestr aspectos o DNM tem sido pioneiro na Madeira e tb em Portugal... É um exemplo a seguir... Ainda assim, o facto do DNM estar muito dependente do papel para manter a sua quota de mercado é um entrave no caminho do futuro...

Propomos este temas para debate porque queremos acrescentar à comunicação regional dados suficientes para poderem criar um sector de actividade sólido, estável e capaz de aceitar jovens profissionais sem o receio do despedimento.... Por isso, é estranho ver o sector degladiar-se sem conseguir perspectivar um desenvolvimento comum...

*astrisco*
publicado por Marco Freitas às 09:36

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