Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

18
Mar 08
Em discussões de café, na internet ou nos diferentes espaços da comunicação social encontramos debates sobres sobre as maleitas do nosso querido país, as suas causas e, algumas vezes, ideias sobre como seria possível melhorar o actual estado de coisas negativo que vem invadindo a alma portuguesa.
Nestas apaixonantes conversas, privadas ou públicas, tanto parece ser fácil salvar o país como deixar-se perder no marasmo que paulatinamente toma conta de várias vertentes da vida nacional. Somos assim. Somos aquele povo que nem governa nem se deixa governar.
O alerta recente da SEDES – um dos poucos mereceram grande destaque na comunicação social nacional – traduz o colapso em que Portugal evidencia, designadamente ao nível das suas estruturas públicas mais representativas.
Há que recear este colapso?! Não, claro que não. Pelo contrário, deseja-se que aconteça para que se torne possível uma ruptura de regime, político e social, e o traçar de um caminho mais seguro, estável e orientado.
Em suma, no meu ponto de vista, é preciso organizar Portugal. À moda dos países latinos não comungamos de uma ideia de sociedade organizada, trabalhada estrategicamente. Preferimos viver consoante a onda ou o vento das políticas em voga, promovidas por este ou aquele líder, partido ou organização.
Os portugueses precisam de aprender a ser organizados. Por isso, antes de gastarmos milhões de euros em campanhas internacionais de imagem com pouca base de sustentação real, é prioritário investir na essência da nação, na criação de um espírito nacional organizativo, capaz de limitar os fracassos das muitas decisões incoerentes que os decisores políticos e governamentais tomam em nome do chamado “bem comum”.
A referência aos políticos e a toda a sua classe não é fortuita nem demagógica ou sine sensu.
Fruto da revolução de Abril, temos um país governado por uma classe que se auto-proclamou capaz de dirigir os destinos de uma nação mas que ao mesmo tempo procura obter benefícios directos com essa gestão. Tenho dúvidas que as múltiplas organizações que surgiram na nação depois da revolução dos cravos tenham capacidade para amputar o poder tentacular alcançado pelos partidos, organizações que visam, quase exclusivamente, a sua perpetuação desde os corredores do poder ao mais recôndito dos cantos de Portugal.
Como alguém recordava no outro dia, numa dessas conversas de café, dificilmente será possível ter vida política fora de um partido. E eu acrescento: quando se diz que o regime actual está falido também é preciso assumir a renovação radical dos partidos, começando por um mea culpa em relação ao actual estado da nação.
Num país onde se pode estacionar em passeios, contra a lei e de forma impune, ou se gastam milhões na manutenção de compromissos internacionais para assegurar uma imagem e uma presença no mundo, e se descura as dificuldades internas parece que fica tudo dito quanto à necessidade de organizar Portugal e as suas prioridades.
Para o efeito, é necessário assumir que a nação atingiu o “grau zero”, ou seja, que todo e qualquer esforço para melhorar é ineficaz. Assim, numa revolução social e cultural assumida por algumas elites – onde de forma condicional se pode incluir os mais capazes da actual classe política – seria possível traçar uma “carta organizativa de Portugal”, interna e externa, com o apoio da população.
O olhar individual de um líder ou a estratégia de um partido não determina a razão de um país… Portugal não se organiza porque não sabe como e porque prefere viver dependente das influências individuais, dos rasgos de génio de líderes e da sorte das conjunturas.
Eu digo: é preciso tornar o país mais frio, mais calculista, mais mecânico e menos emocional.
O ser apaixonado português tem bloqueado o bem-estar geral. Temos modelos bem sucedidos que muitos recusam aplicar porque, simplesmente, não foram eles (os que recusam) a criá-los ou a desenvolver com eficácia. Falamos, naturalmente, da inveja, da incapacidade para ouvir e para aprender.
Nos dias de hoje, antes de mais, precisamos de saber aprender, o que implica refrear a tendência individual e egoísta de que só sabemos ensinar e aquilo que pensamos estabelece as validades e as regras a aplicar.
Se Portugal tiver capacidade para aprender - o que significa o reconhecimento dos erros – não tenho dúvidas que saber-se-á organizar os mais diversos sectores de actividade em prol de um bem comum.
Esta organização é também meio caminho andado para a transparência e, consequentemente, para a redução da tão propalada corrupção. Por isso, organizem-se.
publicado por Marco Freitas às 14:47

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