Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Abr 08
As XI jornadas de ciências da comunicação que tiveram lugar no início de Abril na Universidade do Minho em Braga, subordinada ao tema “Verdade ou Consequência” lançaram para o debate temas de elevada importância, nomeadamente a nova visão sobre a profissão do jornalista, sobre o próprio jornalismo per si e questões internas dos órgãos de comunicação social. Um dos temas mais quentes em debate foi a manipulação dos media por parte do poder político e mais recentemente, por parte do poder económico, também este condicionador da actividade política. Tema caro, polémico e nem sempre bem entendido.
Mas vamos por partes: do leque de jornalistas e responsáveis editoriais que participaram na iniciativa minhota, todos, ou quase todos, foram unânimes em referir que existe, efectivamente, manipulação da informação nos órgãos de comunicação social. No entanto, esta dita manipulação assume várias formas de actuação, nomeadamente à torrente de informação dos nossos dias. Hoje existe tanta informação disponível para assimilar que, ela própria encerra em si uma forma de manipulação. Escolher a informação que nos interessa e que nos dá jeito não é tarefa fácil hoje em dia.
A problemática começa logo nas fontes. Existe um leque alargado de fontes de informação. Mas o problema não reside propriamente aqui, reside, isso sim, no facto de estas fontes não serem isentas. As fontes nunca são desinteressadas, como referiu Pinto Balsemão, têm sempre um móbil quando divulgam ou difundem determinada informação. Agem sempre com um objectivo em mente, para condicionar determinada forma de abordagem de determinada temática. No meio deste “nevoeiro informativo” existem alguns profissionais, nomeadamente do audiovisual, que acreditam que a manipulação existente não é deliberada, ou seja, estes profissionais e outros, ainda acreditam na independência e na autonomia da profissão de jornalista. José Pedro Marques, profissional da RTP lançou uma questão importante para o debate. Falou das estatísticas como fonte credível de informação. Porém, não há qualquer preocupação em explicar aos leitores/espectadores/ouvintes o que está por trás das estatísticas. O que importa é dar a notícia em primeiro lugar. Até aqui tudo bem. Contudo, os profissionais da comunicação social têm também de ter presente que, actualmente, existem novas funções que têm de assumir num mundo globalizado da informação: ou seja, hoje em dia dar a notícia em primeiro lugar já não é apanágio do jornalista, essa tarefa fica para as agências de informação, mas sim explicar essa mesma informação ao leitor/ouvinte/espectador/cibernauta. Os parâmetros comunicacionais dos profissionais da informação estão em mutação, a adaptação deste mesmos profissionais a estas novas “regras” é que vai ditar se o profissional está em condições de sobreviver neste novo mundo comunicacional.
Paulo Baldaia, director da TSF, argumentou que um dos sectores mais vulneráveis a esta manipulação é, sem dúvida, o sector da Justiça. As notícias “apetecíveis” deste sector da vida social são muitas vezes vítimas de má interpretação por parte dos profissionais da comunicação social. Deliberadamente ou não. Condenam-se pessoas na praça pública sem a respectiva decisão judicial transitar em julgado. Desta forma, presta-se um mau serviço à sociedade. São muitas as pessoas que aprendem a pensar através dos meios de comunicação. É através deste forma que muitas pessoas lêem o mundo e se inteiram das novidades. Ora, se há divulgação de informações erráticas em processos judiciais por parte dos profissionais da informação está-se a prestar um mau serviço ao país, nomeadamente às pessoas e aos próprios tribunais. Para este responsável da TSF, há cada vez menos jornalistas especializados. Hoje em dia a polivalência que caracteriza o profissional da comunicação social não é lá muito abonatória para que se faça a devida filtragem de informação que chega das fontes.


Jorge Paraíso
publicado por Marco Freitas às 14:14

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