Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

07
Mai 08
A visita de um Presidente da República a qualquer parte do território nacional é, previsivelmente, motivo de atenção mediática pois sugere um conjunto de abordagens públicas, de posicionamento ou de reacção que interessam tantos os locais como à nação. Isto significa que a comunicação social acompanha estas visitas com interesse, sentido crítico e pró-activo.

Considerando todos os condicionalismos políticos entre a Madeira e o Continente, nomeadamente entre os respectivos Governos, a visita à Região comportava em si um potencial mediático elevado.

Olhando para tudo o que aconteceu em redor da visita, as discussões lançadas, as polémicas geradas e exploradas até à exaustão, podemos considerar sem qualquer margem de dúvida que a visita não passou despercebida ao todo nacional.

Por tradição, as visitas do mais alto magistrado da nação a uma parcela do território têm um cunho positivo e construtivo. Visam valorizar o país, pontificar o que está mal no sentido de alertar e de abrir portas para a criação de mecanismos, normalmente políticos que ajudem a transformar os aspectos negativos detectados nas visitas em aspectos positivos. As visitas não são partidárias, por mais que tentem transformá-las em armas de arremesso político-partidário.
No caso da Madeira, era previsível que esta vertente fosse acentuada, um risco para o qual a Presidência estava certamente avisada.

Mais a frio, volvido algum tempo sobre a deslocação à Madeira, depressa assinalamos dois dos grandes temas políticos que marcaram a visita ao nível da comunicação social, ou seja, que mais interesse mediático gerou. Foram os casos da qualificação de Jardim ao Parlamento Regional a propósito do PR não ser recebido pelos deputados regionais (“casa de louco”); e o caso da demissão de Filipe Menezes da liderança do PSD.

Quanto à primeira situação, há quem diga que foi deliberadamente provocada por Jardim com o intuito de aumentar o foco da comunicação social nacional na Região. De facto, após essas declarações, verificou-se uma reacção de causa-efeito que marcou a agenda da comunicação social.

Como não é propósito deste blog fazer ou insinuar política, não nos compete classificar ou imiscuir nas estratégias internas dos partidos… Contudo, as declarações de AJJ colheram muitos comentários desagradáveis, inclusive alguns de dentro do partido.
É sabido que Jardim não fala sem objectivo, não provoca sem uma meta…
Ao utilizar esta expressão terá tentado justificar, sem ponderar custos, a ausência de Cavaco no parlamento ou, simplesmente, visou captar a atenção da imprensa para o que se passaria nesses dias na Madeira? Muito provavelmente Jardim tinha estes dois objectivos em mente…

A reacção da comunicação social a estas declarações pode ser questionada, bem como a cobertura que fez ao longo da visita? Claro que sim… Contudo, mesmo com uma leitura diagonal ao que foi dito e escrito, percebemos que a imprensa regional trabalhou intensamente -e bem, procurando abarcar todas as vertentes da visita e, inclusive, indo mais longe ao antecipar muitas da questões previstas para as conversas do PR com as diversas forças vivas da Região.
Para aqueles que não concordavam com os moldes da visita e com o programa traçado, a comunicação social foi o único veículo transmissor das suas mensagens iradas ao fornecer-lhes espaço editorial.

Portanto, a visita de Cavaco teve dois universos paralelos: o da visita em si às diversas localidades e o da comunicação social que tudo fez para exploras os temas políticos em cima da mesa.

Cavaco afirmou-se satisfeito, Jardim não disse o contrário e até o Governo da República parece ter embarcado na onda positiva que o PR tentou trazer à relação da Madeira com o restante território nacional… Para todos os intervenientes: ainda bem que fez bom tempo.

astrisco
publicado por Marco Freitas às 15:01

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