Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

07
Mai 08
O congresso do PSD-Madeira poderia ter sido um momento único para o futuro da Região. Independentemente das questões relacionadas com a abertura do congresso à comunicação social, das guerrilhas da sucessão e dos objectivos partidários da organização, o partido deveria ter vindo a público com uma ideia para o futuro da Região, para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento, a todos os níveis.
Cunha e Silva foi o único – pelo menos a aparecer na imprensa – a falar da necessidade de se conhecer os projectos do partido para a Madeira (claro está, num desafio aos seus opositores à cadeira do poder). A verdade é que o disse: mais que as pessoas o importante é os projectos para a Região.

Na nossa humilde opinião, o congresso foi um “flop” no que diz respeito às abordagens relativas à vida comum dos cidadãos desta ilha. Esta afirmação decorre da leitura da imprensa nos dias que rodearam o congresso.

Da leitura e da análise aos jornais desses dias quentes, resultou um conjunto de sugestões que merecem ser consideradas e que deverão ser motivo de uma forte reflexão sobre a existência, os efeitos e os benefícios dos partidos para o bem comum, tal como actuam nos dias de hoje…

Com o fito de melhor compreender a extensão do tipo de cobertura mediática que rodeou o congresso - e a partir daí a essência da própria reunião – recolhemos entre os dias 4 e 8 de Abril o conjunto de notícias directamente relacionadas com o congresso publicadas no Diário de Notícias da Madeira e no Jornal da Madeira.

Sustentado nos indicadores analisados, é possível afirmar que houve uma cobertura quantitativa equiparada entre o DNM e o JM, salvaguardadas as distâncias no campo das notícias breves.
Olhemos para as notícias sobre esta perspectiva: O JM publicou 16 páginas e o DNM 21 sobre o congresso do PSD-M, uma média de 4 a 5 páginas por dia; tanto o JM como o DNM tiveram na primeira página notícias sobre o evento, trocando por números, nos quatro dias da recolha, todos tiveram chamada e destas por duas vezes as notícias foram fundo; o JM publicou uma entrevista e o DNM 3; em termos de reportagem o equilíbrio manteve-se com o DNM a editar 20 e o JM 23; no plano da opinião no DM registamos dois artigos e nenhum no JM; finalmente, quanto às breves, no JM encontramos 26 e no DNM 46, uma diferença que se explica pelas diferentes características editoriais e de paginação no que concerne ao recurso a este tipo de peça no DNM. Ainda assim podemos considerar que o Jornal recorreu a um número pouco habitual de breves na sua edição.

De notar que o Jornal criou um cabeçalho especial para os dias do congresso, atribuindo alguma solenidade ao evento.

Num olhar aos 95 títulos registados nos 4 dias sobre o congresso só 14 se referiram a Jardim e à sua sucessão. Contudo, só 2 títulos, entre os dois jornais, se referiram a tema sociais. A saber: à pobreza na Região e à criminalização do consumo da droga.

Esta é uma nota extremamente importante e, visivelmente, preocupante. Será compreensível ou aceitável que um partido, em particular um partido com influência determinante na vida da sociedade regional, para o bem e para o mal, não tenha produzido notícias que justificassem uma cobertura jornalística mais além do mero conteúdo político e partidário?

Não se deveria esperar um partido mais voltado para a Madeira do que para o seu próprio umbigo. Sabemos que o PSD-M começa a atravessar uma crise de identidade fruto da sucessão que se adivinha e talvez, por isso, se tenha concentrado nas questões partidárias… É compreensível mas inaceitável. O povo não vai votar num partido ou num novo líder sem confiar e sem conhecer o seu projecto para a Região.

Como tal, um congresso nesta altura do campeonato político deveria ter sido mais esclarecedor e mais orientado para a Madeira, foi tão parco nestas questões do desenvolvimento regional que a comunicação social teve dificuldade em trazer este supra-tema para título ou mesmo criar notícias.

A leitura às 37 páginas escritas nos dias do congresso e às 121 peças editadas só permitiu assinalar um reduzido número de comentários de índole mais social e mais concentradas nas preocupações do desenvolvimento futuro regional, nos mais diversos quadrantes.

Como exemplo, tomemos as breves, muito breves (!), referências às possíveis medidas penalizadoras que a Região pode sofrer no campo da segurança social se Sócrates continuar Primeiro-Ministro (um alerta de Roque Martins); a necessidade do partido ter alguma identificação com as regiões ultraperiféricas pela importância que estas têm para a Madeira (Guilherme Silva); o elogio de Menezes, numa entrevista que concedeu, à obra estrutural de Jardim e o facto de ter um cunho social e humano, bem como a abordagem aos futuros desafios que passam, dizia, por apostar melhor no turismo e noutros mecanismos para dar respostas aos novo problemas. Encontramos também uma série reduzida de comentários, uns desfavoráveis outros neutros, ao facto do partido ter fechado os trabalhos à comunicação social (Alfredo Maia, Arons de Carvalho). As únicas peças que fugiram, quase na totalidade à política, foram duas breves- enfiadas numa massa de outras sobre os fait-divers do congresso – uma sobre a pobreza na região e outra sobre a criminalização do consumo da droga. Jardim, por duas vezes, referiu-se a temas menos partidários para dizer que queria definir a zona franca como “off-shore” e aludiu à independência da justiça, a menos impostos, ao desenvolvimento sustentado, pediu menos Estado na economia e mais sector privado (temas que só encontramos uma única vez na imprensa).

Olhando para este rol de referências ficamos com a sensação que até existiu alguma preocupação em abordar temas importantes para o futuro da Região. Nada mais falso. A verdade é que estes temas mereceram menos destaque que muitos dos fait-divers do congresso que os jornais decidiram referenciar e publicar já que muitos desses assuntos temáticos se perderam no meio da amálgama de conteúdos políticos e partidários que cobriram a larga maioria das peças.

Esta curta análise deve ser vista como um exercício meramente indicativo que demonstra com alguma clarividência que o PSD-M não criou, nem teve intenção, de criar debate e conteúdo além das questões políticas que convidassem os media a produzir notícias sobre os mais diversos aspectos da vida regional, desde os problemas sociais e económicos.

Nas discussões pós-congresso não vislumbramos uma nota de rodapé que fosse sobre este aspecto do congresso. Pelo contrário, as discussões incidiram sobre quem teve mais destaque na imprensa, sobre as fotografias que apareceram ou sobre quem mais se esforçou para agradar o líder.

*astrisco*
publicado por Marco Freitas às 18:11

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