Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Mai 08
Em Portugal, entre os meses de Janeiro e de Fevereiro de 2008 foram distribuídos por dia cerca de 650 mil exemplares de diários gratuitos. O Global é o título com maior tiragem, com uma média de 218 mil exemplares na Grande Lisboa e no Grande Porto. Nas duas cidades, o jornal conta com a colaboração de 185 distribuidores.

Este fenómeno já não é exclusivo das grandes cidades nem se confina aos conceitos de edições generalistas. Existem gratuitos por muitas cidades menos populosas do país, na Madeira, e publicações da área desportiva e até económica.

A avaliar pelos números, este é um negócio bem sucedido que, mesmo assim, ainda não atraiu os títulos clássicos do nosso país. Talvez porque acreditam que a informação deve ser paga. Pois bem… a verdade é que a fatia de leitores que considera necessário gastar dinheiro para estar informado é cada vez mais pequena… A influência da internet junto dos leitores habituais da imprensa em papel já se fazia sentir quando surgiu a moda dos gratuitos. Os benefícios e as vantagens destes dois meios são mais do que fortes condicionantes à sobrevivência dos títulos pagos tal como os conhecemos hoje.

Pode não ser para curto prazo mas a imprensa paga vai mudar a sua estratégia, terá de se render a outras lógicas de gestão do seu produto se quiser sobreviver. Ou os títulos pagos passam a gratuitos ou oferecem um produto mais específico, mais segmentado para diferentes públicos e exigências.


Contudo nada disto é absolutamente certo por uma razão muito simples: porque os jornais tradicionais oferecem uma tradição, uma realidade em termos de negócios mais clara e bem identificada, uma posição que agrada ao mercado a longo prazo. Repare-se, se os gratuitos não conseguirem provar aos anunciantes que oferecem um bom retorno a queda será fatal… Mais, se continuar a ser veiculada a ideia de que não conhecemos o perfil-tipo dos jornais sem preço ou não aparecer mais nenhuma forma de medir os seus efeitos em termos de consumidor – para além da lógica pouco segura do aumento das tiragens – a verdade é que os jornais tradicionais permanecerão fortes e seguros…

Porque, quem garante que os milhares de jornais distribuídos asseguram mais oportunidades de visionamento da publicidade do que um jornal tradicional, com o seu público e processo de consulta já estabelecido?

Mais, o facto dos gratuitos continuarem a recorrer a todas as artimanhas publicitárias para se manter na onda da crista revela alguma fragilidade do conceito… Na essência, porque sabem que precisam de chegar sempre muito perto da população, de continuar a atiçar a sua curiosidade sob pena de verem cair as tiragens…

Há que agradecer aos gratuitos o contributo para o aumento de leitores de jornais… Sem dúvida… Mas quando estes leitores de “meias-notícias” quiserem mais informação depressa irão a um quiosque comprar um jornal tradicional…

Por isso, mais do que os jornais gratuito vejo mais perigo para os títulos em papel na Internet. Este meio não precisa de muito esforço para continuar a crescer como veículo de informação. Vai acontecer naturalmente… Os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos vão consumir informação on-line… Tão simples quanto isto….

O *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 15:22

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