Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

03
Set 08
O jornalismo está a viver um momento de mudança acentuado. Para além dos muitos factores endógenos que têm largamente contribuído para a crise de identidade do jornalismo, com consequências visíveis na sua praxis, a multiplicidade de canais de comunicação e de informação que a Internet vem possibilitar é, sem margem para dúvidas, uma das razões para as mudanças que se vivem no sector...

Hoje, foi noticiado que vai arrancar um novo site de"jornalismo de cidadão". Chama-se Dernotix e tem como objectivo preencher um vazio criado nos grupos de media ao nível dos correspondentes internacionais. Para o fundador do site, Turi Menthe, a sua função será a de "ajudar os jornais e os produtores de programas informativos" fornecendo conteúdos ´que muitas vezes passam despercebidos ou não estão facilmente acessíveis.

Este projecto é mais um entre muitos que têm surgido em alternativa a um jornalismo orientado e fechado em termos de conteúdos informativos. Apesar dos benefícios que este tipo de jornalismo acarreta - se é que se pode chamar de jornalismo à mera recolha e disponibilização de conteúdos em rede - todo o cuidado é pouco na interpretação desses conteúdos e nas respectivas mensagens que propagam... São sobejamente conhecidas as fraudes no campo jornalistico - particularmente a nível internacional - praticadas inclusive por alguns jornalistas de reputação inabalável... Encontramos notícias fabricadas, foto truncadas, factos inexistentes, fontes inventadas. No melhor pano cai a nódoa e não são estes casos que devem manchar e ferir a importância de um sector como o dos media na nossa sociedade.

O jornalismo de cidadão não é sinónimo de jornalismo de cidadania. Pode ser, se for praticado de forma responsável... Uma responsabilidade que se pede ainda mais aos jornalistas de hoje e aos meios de comunicação social porque são estes quem têm a capacidade de filtrar as impurezas que o cidadão-jornalista não sabem ou não quer ver e tratar... A notícia não é um mero reflexo de um facto... É resultado de um exercício responsável e maduro que os cidadãos sem prática de jornalismo dificilmente conseguem realizar. Os novos jornalistas, "os jornalistas instantâneos", tem objectivos diversos de um qualquer meio de comunicação social... Por isso, encontro aqui nesta função de controller um novo papel para os media e para os jornalistas de carreira... A sociedade precisa da sua clarividência e da responsabilidade social que se esforçam por praticar...

Quem melhor pode praticar o jornalismo de cidadania são os profissionais do jornalismo, porque têm experiência, foram preparados para o efeito e porque lhes é pedido contas dos seus actos perante a opinião pública.
É claro que há lugar para o cidadão-jornalista... Mas, reforço a ideia, o jornalista deve ser cada vez mais cidadão... Mais activo e interveniente, quer através dos seus trabalhos quer através de outras actividade complementares por forma a dar um contributo único à propagação da informação....

O número de leitores, ouvintes, telespectadores ou cibernautas conscientes de que a informação que consomem, e muitas vezes reproduzem, não é a mais correcta é ínfimo. Apela-se, por isso, à responsabildiade social dos media e dos jornalistas para fazer valer o papel educativo do jornalismo na sociedade.

Daqui a algum tempo será possível retirar o melhor dos dois universos do jornalismo, agora em choque... Mas, para isso, é absolutamente necessário que os jornalistas participem activamente na educação do cidadão jornalista. Como? valorizando ou desvalorizando a informação que é enviada e não consumindo e distribuindo tudo o que chega às redacações... Parece um bom princípio... Quem sabe, mais tarde, se não será possível criar espaços paralelos onde se possam valorizar estas duas formas de fazer jornalismo...

O conceito de jornalismo parece estar em evolução... Como quase sempre é a prática que empurra a teoria para a frente.. Como tal, é importante que o mundo do jornalismo actual e tradicional saiba interpretar a mudança...
publicado por Marco Freitas às 09:52

Torna-se difícil comentar - mas ao mesmo tempo agradável e cativante - posts como aquele que o Jorge Paraíso elaborou e nos apresentou.

A amizade que nos une e a confraternização que foi comum ao longo de toda a licenciatura em comuinacação social não tolda nem influencia a minha opinião sobre as suas capacidades de ler e de perceber o universo da comunicação. Pensamos da mesma forma em alguns aspectos porque tivemos a mesma escola e porque o debate que sempre promovemos nas nossas conversas aprimorou a nossa forma de estar e de ver as coisas...

No concreto, quero salientar a seguinte nota que o Jorge deixou: "... a discussão tem de levar a efeitos práticos, senão caimos no engodo da política..."

Pois é... O debate aqui realizado sobre este tema parece ter essa vontade de ir mais além das palavras... Critico muita vezes a passividade demonstrada pelo sector para resolver os seus problemas, perdendo mt tempo em discussões e em análises estéreis... Pois bem... Vivemos o facto consumado de que muita gente pretende agir como jornalistas utilizando as novas tecnologias para difundir as suas notícias, impressões e perspectivas do mundo. Como disse o Jorge, há que confiar na escolha dos repectores... É, por isso, preciso aprender a dizer não à informação que nos querem impingir... É preciso educar no sentido de criar defesas aos cidadãos em geral para saberem mandar para o lixo aquela informação que não constroi e prejudica o equilíbrio social... Esta informação pode existir, pode circular, pode ser divulgada - são as premissas da democracia - porém devemos preparar a opinião pública para os ataques, uns mais estratégicos do que outros, que individuos ou grupos de individuos ou empresas podem fazer sob a capa do jornalismo...

Este debate trouxe um ponto comum e concreto e que parece de fácil resoluação: aqueles que fazem os pseudo jornalismo de cidadão não podem ser chamados de jornalistas... e esta espécie de jornalismo não deve ser assim chamada... Procuremos outra nomenclatura... Façamos história...
MPF a 4 de Setembro de 2008 às 10:53

Dividi o texto para não ficar muito comprido e chato de ler.
Nesta segunda parte, expresso a a minha forma de ver estas e outras questões relcionadas com a Comunicação. Eu e o Marco Freitas estudamos juntos na Universidade do Minho em Braga, licenciamo-nos em Ciências da Comunicação e uma questão ficou sempre em aberto: nunca devemos ter ideias estanques sobre que temática fôr. A evolução das ideias e dos póprios paradigmas, neste caso, comunicacionais são um mote de um pensamento avançado,de um jornalismo do século XXI. As novas formas de comunicar, ou melhor, os novos veículos de comunicação têm de ser encarados com cautela e prudência como mandam as regras do bom-senso. Analisar, analisar e analisar. Só depois emitir opinião sobre eles e separar o essencial do acessório. Quero com isto dizer que as novas formas de veicular informação (caso do Demotix) estão aí para nos fazer evoluir, para aguçar a nossa perspicácia e análise dos problemas...O Demotix é feito por profissionais de comunicação social? Não sei, sei, e isso está ao meu alcance, é que é mais um contributo para a a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, uma vez que coloca ao alcance de mais pessoas informação, logo de conhecimento. Só com mais conhecimento podemos tomar as decisões certas, o pelos menos, não cometer tantos erros...A co-existência de meios de comunicação tradicionais e novos serve dois objectivos. A cidadania e a democracia. Pilares básicos da sociedade de informação. Da informação livre e objectiva. Tudo o resto é, mais ou menos, subjectivo.
cumprimentos...
Jorge Paraso (Braga) a 4 de Setembro de 2008 às 09:57

Após mais do que uma leitura, registo com apreço a realização de debates como este que aqui estamos a assistir. Afinal, os meios de comunicação menos formais também servem para aumentar a nossa carga cognitiva sobre a realidade e temas relevantes como aquele que estamos aqui e agora a lançar para o debate.
Caríssimos (Marco e Duarte), sem querer fazer de juiz supremo, aliás, nem a essa veleidade tenho pretenções, noto que a temática do jornalismo cidadão, ou do jornalismo de cidadania é bem pertinente e actual. Para além de polémica. Tem de ser discutida, sem dúvida, não tem de haver verdades supremas. A opinião é subjectiva e assim será. Mas a discussão tem de levar a efeitos práticos, senão caimos no engodo da política.
Não vou acrescentar muito mais a este debate. No entanto, gostava que algumas ideias ficassem claras. A primeira tem a ver coma própria designação desta nova questão do jornalismo-cidadao. Na minha perspetiva, não se pode confundir jornalismo-cidadão com verdadeiro jornalismo. Aquela é mais uma forma de lançar para a blogosfera e para o mundo globalizado de hoje, notícias que de outra forma nunca chegariam ao dominio público. Útil? Sem dúvida... Suficiente?, claro que não...
Para mim, o cidadão-jornalista é aquele curioso que recolhe informação e lança-a no espaço informativo..Com que critérios? Isso fica à responsabilidade de quem consome informação, ou acredita ou não acredita...contudo, não se deixou de fazer um jornalismo de cidadania, ou melhor, prestar um serviço à cidadania. Não obstante a vertente "informativa" vinculada, talvez o nome dado não seja o mais adequado, concordo...O jornalismo é mais que isso, é como diz o Marco, o jornalismo tem e ser feit por profissionais experimentados com capacidade de análise acima da média, uma vez que a arte jornalistica tem especificidades que escapam ao cidadão-jornalista comum...
abraço aos dois
Jorge Paraso (Braga) a 4 de Setembro de 2008 às 09:39

Claramente que não... Mas a questão não é expurgar os pecados de uma comunicação tradicional... O objectivo - não é fácil declará-lo porque pode soar a qualquer orientação de censura -, o objectivo é atribuir aos jornalistas de carreira esse papel de controller, de uma espécie de vigilante da informação... Soa mal... mas a verdade é que só um jornalista de carreira bem formando consegue detectar os subterfúgios a que um jornalista-cidadão pode recorrer para fazer vingar uma informação. Claro está que estamos a falar de pessoas mal formadas... Porque não são todos assim... Por iso prefiro falar do cidadão jornalista... É porque só um bom cidadão pode ser bom jornalista.
Mas Duarte... parece ser irrefutável esta mudança de paradigma. Não acha? Então o que fazer para salvaguarda o jornalismo sério e de profissão e distigui-lo do outro? Esta é que deve ser a principal preocupação da classe jornalistica e não a prossecução de um debate que visa impedir os cidadãos de se assumirem como divulgadores de notícia...

E depois, qualquer cidadão bem formado, como qualquer jornalista (que é sempre membro activo da sociedade) observa sempre os principios e a ética tendo em vista a divulgação de notícias com verdade. Estaremos talvez a falar do cunho pessoal, da vertene subjectiva e opinativa que um jornalismo menos controlado pode acarretar... Porém, quem vai decidir são os novos leitores... E esses estão cada vez menos ligados aos meios tradicionais... É nesta encruzilhada que se encontra a imprensa. Afinal de contas, como continuar a manter as audiências sendo socialmente responsável, evitando orientar o jornalismo para as vertentes do entretenimento, dos fait-divers e dos escandalos? É complicado, mas a nossa sociedade precisa desesperadamente de um jornalismo sério, critico e formal para contrapor - não negar ou derrotar - os outros patamares da informação. Até porque numa sociedade livre todos têmn direito a expressar-se através dos meios que lhe aprovouver...

A criação da expressão jornalismo de cidadão talvez não tenha sido a mais feliz... Porque um bom jornalismo sempre procurou dar voz aos cidadãos e por isso o surgimento do cidadãp como jornalista deve exigir algo mais... Quiçá uma autorização oficial do Sindicato...? Não sei, estou a especular... A verdade é que temos de lidar com o mundo que temos. Não é perfeito e está cheio de novas oportunidades que nem sempre correspondem às nossas expectativas. Isto para dizer que vejo uma comunicação social tradicional pouca capaz de reagir...
MPf a 3 de Setembro de 2008 às 15:10

Após esta sua exposição, observo que as nossas opiniões não assim tão opostas quanto à partida poderiam parecer. Vá lá! No entanto, continuar a designar "jornalista-cidadão" a alguém que não tem quaisquer quadro ético-deontológico-legal a respeitar... Não me parece que seja por aí que vamos expurgar os pecados dos media tradicionais. Porventura estaremos a ampliar os pecados.
Duarte Ferraz a 3 de Setembro de 2008 às 14:43

É sempre com interesse que leio e revejo os comentários do Duarte Ferraz... A sua pertinência e as pequenas provocações associadas têm a sua razão de ser...

Mas, caro Duarte, sobre este caso é claro que existem dúvidas sobre o facto de se chamar a um cidadão que envia disponibiliza informação para consumo de jornalista...

Recordo, por isso, o que disse no texto:

"Este projecto - o Dernotix - é mais um entre muitos que têm surgido em alternativa a um jornalismo orientado e fechado em termos de conteúdos informativos. Apesar dos benefícios que este tipo de jornalismo acarreta - se é que se pode chamar de jornalismo à mera recolha e disponibilização de conteúdos em rede - todo o cuidado é pouco na interpretação desses conteúdos e nas respectivas mensagens que propagam..."

Poderia ter sido mais claro...? Agora, não deixo de ver vantagens numa divulgação da informação como aquela que o dito jornalista-cidadão faz... Até porque a informação produzida pelos media não está isenta de pecados?

Eu não faço parte de nenhum grupo que pretende vingar qualquer tese sobre o jornalismo de cidadão... não sou obtuso a esse ponto... Não preconizo qualquer tese radical e única sobre a evolução do jornalismo... Como também não parei no tempo. A educação social, pessoal e escolar que tive ajudaram-me a perceber que existem na vida em sociedade um leque de possibilidades, vários caminhos a seguir... Como tal, procuro manter uma postura que me permite receber e interpretar a inovação... Como eu disse, procurando tirar o melhor partido dos dois mundos...

Como tal, sugiro que revejas a tese de que os consumidores de notícias são obrigados a recorres ao meios tradicionais... É porque os indicadores de todo o mundo dizem o contrário...

Marco, editor do *astrisco*
marco freitas a 3 de Setembro de 2008 às 12:14

Achas mesmo que isso é jornalismo? O cidadão que relata um acontecimento é JORNALISTA? Não será apenas uma TESTEMUNHA? É que apresentam hoje o "jornalismo de cidadão" como uma novidade, mas relatos de acontecimentos por testemunhas oculares já existem desde o século XIX e nunca se confundiu isso com jornalismo. É que um jornalista tem um código deontológico e leis a cumprir e hoje até pode ser sancionado, até com multa e perda da carteira profissional, se faltar aos seus deveres. Agora, diz-me lá qual é o mal que acontece ao teu "JORNALISTA-CIDADÃO" se ele faltar à verdade?
Infelizmente para ti e para outros teus grandes amigos que procuram vingar a tese de que jornalista pode ser qualquer um, há um problema que estraga os vossos planos:
- A profusão de informações e fontes de notícia, com níveis de credibilidade díspares, a par das limitações quotidianas de tempo, obriga os 'consumidores' de notícias a recorrerem aos meios de informação TRADICIONAIS. O que estes devem fazer para não perder o passo é acompanhar bem os meios menos formais (por exemplo, blogues) e seleccionar o que acham que merece chegar ao grande público. E, claro, devem ter a sua versão de jornalismo on-line...
Duarte Ferraz a 3 de Setembro de 2008 às 11:19

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