Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

08
Set 08
Numa época em que os jornais procuram redefinir a sua vocação e o seu posicionamento na sociedade, quando enfrentam a concorrência de novos meios de comunicação e de possíveis novas vias de fazer jornalismo – cujo conceito é sustentado na relação directa e imediata do acontecimento com o público por oposição ao tratamento informativo que os meios tradicionais realizam -, tenho poucas dúvidas sobre qual deve ser o papel do chamado jornalismo tradicional e dos meios de comunicação social como é o caso da imprensa: mais do que nunca os jornais devem assumir o seu papel como instrumento de educação e de formação social.

Em tempos elaborei um pequeno texto sobre esta função dos jornais que gostava de reproduzir, até porque o tema vai ao encontro do debate sobre um sector que parece estar a perder a direcção, ele próprio a deslocar-se para a produção de notícias de foro pessoal (já que os jornalistas são cada vez mais bloggers e internautas).
Se se pode e se quer dar vida ao novo jornalismo de cidadão é também importante – diria crucial – que na mesma medida de grandeza se atribua aos jornalistas um mandato social para realizar com propriedade a sua função de educadores e formadores sociais através de um produção noticiosa ponderada e preocupada com o bem-estar público. Porque, pelo menos por agora, os “novos jornalistas” mostram pouca intenção social já que valorizam o acessório, o escândalo e a invasão da vida privada…


Dando sequência ao debate que ainda há pouco desenvolvemos sobre o jornalismo de cidadão acredito que o texto que se segue possa dar um contributo interessante.

Recordo que, como escrevia então, Os jornais são um instrumento fundamental para ensinar, para criar hábitos de leitura e para formar. Não é nova a ideia de que os jornais devem apoiar a educação das crianças, dos jovens e dos adultos. Tem sido assim desde os primórdios da imprensa. Mas, segundo os registos, o primeiro programa bem estruturado nasceu por volta de 1930 e foi iniciativa do “The New York Times”. Actualmente, existem em todo o mundo mais de 700 programas orientados para a educação de jovens através dos jornais.

De tempos em tempos esta capacidade da imprensa é questionada, primeiro, fruto de interesses localizados e, segundo, porque o sector tem mantido um percurso que contraria esta linha vocacional.

A WAN, Associação Mundial de Jornais, entre muitas outras actividades, promove uma rede mundial de jornais com eventos e iniciativas de vária ordem dirigidos aos jovens, com o objectivo de atrair o seu interesse e fomentar a leitura.

Na Europa e nos Estados Unidos da América, o hábito de ler ainda é preservado por gerações mas velhas (ver OBERCOM). Curiosamente, em Portugal encontramos a situação oposta, pois a fatia de leitores de jornais concentra-se na sua maioria entre os 17 e os 38 anos. O que não acontece por mero acaso. A verdade é que um grande número de jornais portugueses têm iniciativas orientadas para os mais jovens, algumas com longa tradição no panorama nacional, um prática que corresponde à linha de orientação e aos obectivos que a WAN traçou para este seu projecto.

A promoção de suplementos, a criação de secções de páginas especificamente dedicadas aos jovens, os projectos de literacia, a promoção da escrita e do desenvolvimento de programas de utilização de jornais nos mais diversos momentos da vida diária são só alguns dos projectos que os jornais podem desenvolver e que a WAN está a incentivar.

Esta organização internacional defende que o hábito de ler jornais deve ser efectivamente incentivado desde a infância e que os editores devem assumir essa responsabilidade com espírito de missão. Por essa razão organiza programas de alcance internacional para promover o uso de jornais nas escolas.

A promoção da leitura e da escrita, da conversação e do pensamento crítico são aspectos programáticos que devem ser levados em conta pelas escolas e são argumentos fortes a favor da utilização dos jornais nas aulas, em todas e não só naquelas relacionadas com o sector.
Segundo a WAN, “os programas que incentivam a leitura de jornais nas escolas estão predestinados ao sucesso”, na essência, porque influenciam e ajudam a informar os estudantes e contribuem para uma “cidadania responsável”.
Esta dose de confiança da associação mundial é sustentada em resultados positivos verificados em alguns países. Por exemplo, nos EUA, a WAN assegura que é clara a ligação entre a utilização de jornais na escola e a tendência para os jovens tornarem-se assíduos leitores de jornais em adultos. No entanto, segundo o inquérito 2004 da Gallup, 9 em cada 10 jovens entre os 3 e os 17 assistiram a programas de televisão e 3 em cada 10 tinham lido jornais. Dados que reforçam a necessidade do projecto da associação.

Contra as expectativas da WAN estão as constantes quebras de circulação dos jornais fruto da desconfiança no jornalismo praticado, a atractividade de outros meios de comunicação, nomeadamente a televisão e a internet, e o marketing pouco eficaz produzido pelos meios da imprensa.

Parece não sobrarem dúvidas de que a criatividade é essencial para atrair os jovens. Mesmo assim, encontramos em alguns projectos jornalísticos uma falta de apetência para gerar atractividade junto dos jovens leitores, algo que se verifica um pouco por todo o mundo.
Em Portugal, os títulos nacionais têm procurado ir ao encontro das necessidades dos jovens. Existem revistas muito bem cotadas neste segmento e espaços didáticos muito procurados. Porém, há um conjunto de dúvidas que se mantêm em aberto: porque é que a partir de determinada idade, aqueles que liam com interesse os jornais deixam de o fazer? Não será porque os jovens só se identificam que um determinado espaço do jornal não sentido curiosidade por ler outras rubricas dos mesmos? E o que podem fazer os jornais para contraiar esta tendência, tanto mais que a internet conquista espaço ao papel a passos largos? Uma revisão geral dos conteúdos produzidos pelos jornais é capaz de ser uma solução.

MPF
publicado por Marco Freitas às 10:23

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Setembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Sobre mim e autores
pesquisar
 
links
blogs SAPO