Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Nov 08
Imprensa. Enquanto a TV pode beneficiar com a crise, porque muita gente corta despesas (jantar fora ou o jornal que está mais caro) para ficar em casa, já a imprensa a sente. Está a perder leitores e a ter prejuízos, logo vai despedir pessoas. Mas há os que vêem na Net uma nova via para a sobrevivência

Imprensa é a que mais vai sofrer, enquanto a TV pode beneficiar

Enquanto uns se defendem da crise despedindo pessoas para cortar custos e compensar os prejuízos - caso dos americanos USA Today e Los Angeles Times -, outros optam por mudar do papel para a Internet, para ganhar mais leitores e, consequentemente, mais receita por via da publicidade, que está a crescer neste meio. É o caso do diário norte-americano The Christian Science Monitor (CSM), que, perto de completar o seu centenário (25 Novembro), anuncia que deixará "provavelmente" de ser editado em papel, a partir de Abril de 2009. A alternativa é uma edição diária online e outra ao fim-de-semana, em papel, com reportagens mais aprofundadas.

A decisão do primeiro jornal de circulação nacional e um dos pioneiros nas edições electrónicas na Internet em apostar no online diário em detrimento do papel deve-se a quase 40 anos de declínio nas vendas. Actualmente, a tiragem é de 52 mil exemplares, quando nos anos 70 ultrapassou os 220 mil.

O objectivo é potenciar o uso da Internet para um "jornalismo mais rápido", melhorar a relevância do jornal, "aumentar lucros e diminuir custos", explicou Judy Wolff, responsável da The Christian Science Publishing Society. Já o director da publicação, John Yemma, reforça que não se trata de um site apenas para remeter o leitor para as notícias já publicadas no papel, ao mesmo tempo que reconhece o potencial interesse dos jovens leitores pelo online.

Sedeado em Boston e vencedor de sete prémios Pulitzer, o CSM é editado de segunda a sexta-feira. Com as alterações, pretende manter as oito delegações internacionais (e as nove nos EUA), mas haverá cortes "modestos" na equipa de 95 jornalistas e 30 administrativos. E acredita que só perderá 15% dos seus leitores.

Mais pessimista é a visão do USA Today e do Los Angeles Times. O primeiro anunciou que vai cortar 10% do número dos seus funcionários, ou seja, cerca de mil, para fazer face à quebra de 33% nas sua receitas, no terceiro trimestre. Enquanto o Los Angeles Times anunciou a saída de 75 pessoas na área editorial, mas 200 no total da publicação.

A mesma sina deverá ter o grupo Washington Post (detém jornal com o mesmo nome e a Newsweek), que anunciou a quebra de 86% nas suas receitas, no terceiro trimestre, para 10,3 milhões de euros, face ao mesmo período de 2007, em que registou 72,5 milhões de euros. Menos vendas em banca e de anúncios ditou este resultado.

"Temos o luxo - a oportunidade - de dar o salto que a maioria dos jornais terá de fazer nos próximos cinco anos", assegura o director do The Christian Science Monitor. Apesar do apoio financeiro da Igreja da Ciência Cristã (Church of Christ, Scientist), que, este ano, deve chegar aos 9,5 milhões de euros, o CSM espera um prejuízo de 14,8 milhões de euros até ao final do ano fiscal em Abril. Mas não só: o CSM obtém 7 milhões de euros em assinaturas e apenas 783 mil euros em publicidade, com o online a contabilizar 1,3 milhões para apenas três milhões de páginas visualizadas por mês por 1,5 milhões de acessos individuais.

Para 2013, quando espera equilibrar receitas e despesas, as perdas devem chegar aos 8,3 milhões de euros e o apoio da Igreja de apenas 2,9 milhões de euros. "Todos falam de novos modelos" para o jornalismo, acentua Yemma. "Este é um novo modelo", conclui.

Esta é a ideia defendida por vários analistas, nomeadamente Dan Gilmor, do Centro Knight para os meios digitais, da Universidade de Arizona, EUA, que diz que o CSM não será o único. "Será uma transição lenta mas em larga escala, a maior parte do que hoje lemos em letra impressa estará online", além de que "aparecerão novos formatos que tornarão mais simples a leitura dos documentos electrónicos", conclui.

Fonte: DN
publicado por Marco Freitas às 09:38

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