Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Nov 09

José António Saraiva, director do Sol

José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.
 

Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?

 

José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.

 

– Que problemas?

– Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi interrompida.

 

– Depois houve mais alguma pressão política?

– Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.

 

– Travou o negócio?

– Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos para deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.

 

– E as pressões acabaram?

– Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.

 

 

– Foi um processo longo...

– Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.

 

– Do primeiro-ministro?

– Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.

 

– Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?

– Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare--se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.

 

– Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posição?

– Estou disponível para colaborar.

publicado por paradiselost às 19:18

 

 

A passagem do modelo de negócio dos jornais de papel para digital e a sustentabilidade das empresas de comunicação social são as preocupações que estarão no centro do 62.º Congresso Mundial de Jornais, que começa no final do mês na Índia.

 

Subordinado ao tema "Jornais: Multimédia, um negócio em ascensão", o congresso mundial promovido pela Associação Mundial de Jornais (WAN na sigla em inglês) vai analisar e discutir as estratégias de sucesso das empresas de media líderes em todo o mundo.

 

João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), que é membro da WAN, afirmou à Lusa que um dos principais temas em discussão no encontro é a forma como as empresas vão fazer a transição do modelo de negócio do papel para digital.

 

"Por um lado, há o modelo de negócio de publicações com toda a actividade centrada no papel, mas por outro a necessidade de ter actividade centrada na multimédia", disse.

 

"Hoje há aplicações mais concretas. Há que ter em consideração o crescimento do negócio multimédia nos jornais, as assinaturas, mas sem esquecer que a força e o poder do impresso é muito grande", salientou.

 

O congresso vai contar com a presença de um jornalista português como orador, o que já não acontecia há muitos anos, disse o presidente da API.

 

O jornal "i" recebeu um convite directo do presidente da WAN por causa do entusiasmo que "i" está a suscitar no estrangeiro, explicou o director da publicação, Martim Avillez Figueiredo, que estará presente num dos painéis do congresso.

 

"É um jornal muito inovador, nascido já na era pós-internet, que surgiu para responder a esta nova realidade, e fez logo a sua adaptação", ao contrário dos outros jornais que começaram por ser impressos e tiveram gradualmente que se adaptar ao digital, considerou o responsável.

 

A presença de Martim Avillez no congresso servirá precisamente para mostrar um produto "com grande êxito lá fora" e que se constituiu "como uma marca, mais do que como jornal de informação", explicou.

 

O outro tema que vai dominar o debate é o ambiente e o impacto da sustentabilidade das empresas.

 

"As empresas de media têm que ser empresas de economia sustentável, têm que respeitar o ambiente, o mercado do carbono e a marca da água, ou seja, quanto é que contribuem com emissões de carbono e gastos de água", explicou João Palmeiro.

 

A organização espera este ano ultrapassar o recorde alcançado em 2008 na Suécia, com1 1.800 participantes oriundos de 113 países de todo o mundo.

publicado por paradiselost às 15:58

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