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Nov 09

Jornalismo

Muito pouco do que é feito em Portugal cabe no conceito de jornalismo de investigação, defende uma tese de mestrado do jornalista Óscar Mascarenhas apresentada quarta-feira e que identifica as características necessárias para a definição.

 

No trabalho intitulado “detective historiador”, defendido quarta-feira em Lisboa perante um júri presidido por José Rebelo e que teve como arguente António Monteiro Cardoso, Óscar Mascarenhas apresenta uma proposta de itinerário obrigatório para a definição de jornalismo de investigação.

 

O jornalista Óscar Mascarenhas explicou, em declarações à Lusa, que a ideia da tese de mestrado sobre esta temática surgiu por não conhecer, até à data, a existência de trabalhos académicos em Portugal que permitam definir o conceito de jornalismo de investigação.

 

No seu trabalho procurou assim criar uma grelha de caracterização desse conceito tendo encontrado dez pontos que podem definir o jornalismo de investigação.

 

Na opinião do autor e com base nesta grelha, muito poucos trabalhos publicados poderão figurar como exemplos de jornalismo de investigação.

 

“Quase nada o que é feito em Portugal cabe no jornalismo de investigação porque se baseia em fontes não identificadas e não garante que as coisas tenham uma verdade.

 

O que sai do jornalismo de investigação tem de ser uma verdade que resiste ao tempo”, defendeu em declarações à Lusa o autor da tese cuja dissertação, orientada pela historiadora Magda Avelar Pinheiro, mereceu 19 valores.

 

Na opinião do jornalista, com a verificação dos dez pontos da grelha de caracterização “vão cair muitos ídolos de pés de barro”.

 

A grelha encontrada define que "um jornalismo de investigação mais do que assegurar a verdade dos testemunhos, garante a verdade dos factos, depurada mediante a verificação e confronto de fontes", defendeu.

 

O segundo ponto da grelha aponta que um jornalismo de investigação procura situações ocultas ou deliberadamente escondidas.

 

Segundo o trabalho, um jornalismo de investigação foge à agenda institucional ou, quando eventualmente a acompanha, fá-lo com propósitos de denúncia ou de revelação de situações não desejadas pelas entidades que a estabeleceram e selecciona os seus temas entre aqueles cuja relevância pode eventualmente mudar um juízo de valor dominante.

 

Por outro lado, ser jornalista de investigação pressupõe uma obra pessoal e personalizada e não apenas e só a mera divulgação de documentos ou informações passadas por outras entidades que prepararam a sua difusão.

 

Outro dos pontos da grelha refere que o jornalismo de investigação não é equívoco nem insinua - é afirmativo e factual, fornecendo os elementos necessários para que o público faça livremente o seu juízo de valor ponderado e autónomo.

 

É ainda um jornalismo que redobra o escrúpulo e a lealdade para com o público, as fontes e os visados sem deixar de ouvir ninguém com relevância para o caso, bem como não omitir qualquer informação importante.

 

Para se ser jornalista de investigação é necessário não encarar o "double checking" (verificação da informação) como uma formalidade, mas antes como uma essencialidade: é a prova dos noves obrigatória - ou da operação inversa - para cada afirmação que se faz.

 

A verdade difundida pelo jornalismo de investigação, acrescenta Óscar Mascarenhas na sua grelha de caracterização, tem de estar munida de robustez que lhe permita enfrentar as intempéries de um tempo longo sem poderem ser postas em causa.

 

Finalmente, o jornalista de investigação tem de possuir coragem, não forçosamente física, para assumir por si só, sem transferências, todas as responsabilidades do que foi publicado.

 

A tese partiu de uma "mesa-redonda virtual" com 17 jornalistas que de algum modo se têm identificado ou têm sido identificados com a prática de jornalismo de investigação.

 

Nesta mesa redonda, explicou Óscar Mascarenhas, procurou-se estabelecer o conceito, de modo a distingui-lo da investigação jornalística, prática transversal a todas as modalidades de jornalismo.

publicado por paradiselost às 15:37

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