Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Out 08
A Dupladp corre o sério risco de ficar na história do sector da comunicação regional como a empresa que impulsionou, de forma séria e consistente, o debate sobre este sector de actividade nas mais diversas vertentes que comporta.

O seminário da Dupladp, denominado “Marketing e soluções empresariais”, o segundo organizado por esta empresa, confirma precisamente a ideia que aqui expresso. Quem lá esteve pode experimentar a sede de informação e de debate que existe na Região sobre estas matérias. Esperemos que outras empresas, outros organismos e organizações tenham percebido a dimensão do que ali de passou e tomem iniciativas que beneficiem o universo da comunicação em geral e das empresas em particular.

Segundo os dados oficiais, o número de inscritos no seminário foi de 350 pessoas mas ficou claramente a impressão que o número de presenças e de ouvintes, ao longo do dia, ultrapassou esse número.

Os temas eram em termos de substância convidativos e abarcaram o leque de interesses vasto. Esteve em análise o marketing no ponto de venda, o design da cidade e a comunicação como forma de promoção. Os oradores e especialistas presentes demonstraram, claramente, a sua qualidade e elevaram por consequência as valias do seminário.

Detectou-se alguma falta de experiência na gestão do evento que foi colmatada pela capacidade rápida de resposta aos pequenos – muito pequenos - obstáculos que apareceram mas que num evento onde a comunicação e a imagem predominam dificilmente passaram despercebidos… No entanto, a meu ver, isto só deve ser visto como um incentivo para no próximo ano fazer algo ainda melhor pois nada de negativo advém dos pequenos imponderáveis associados a este tipo de iniciativa. É costume dizer-se que o óptimo é inimigo do bom… O evento foi, em suma, muito bom… Por isso, pequenos pormenores como o facto das comunicações não terem sido distribuídas – eventualmente, até pode ter sido por opção da organização – podem sempre ser corrigidos…

Uma única sugestão: continuem!


A sessão de abertura - “Marketing e soluções empresariais”,

Na sessão de abertura, Humberto Drumond, responsável máximo da Dupladp recordou que a iniciativa começada em 2007 deve ser vista como um “investimento no conhecimento e na formação da sociedade”.
Para o interlocutor, a adesão verifica simbolizou “a credibilidade” do evento e dos objectivos traçados pela Dupladp. Uma credibilidade para a qual tem contribuído a relação de parceria com os clientes e uma política vincada de responsabilidade social e cultural com o fim de passar mensagens importantes para a sociedade. É assim na parceria estabelecida com o TEF e também na divulgação de mensagens em prol de uma causa como a SIDA.

A sala cheia viu um Humberto Drumond emocionado e também ouviu os elogios de um parceiro com a Delegação Regional da Ordem dos Economistas, na pessoa do seu máximo representante na Região, Eduardo Jesus. As palavras do Vice-Presidente do Governo Regional vieram acrescentaram outra perspectiva ao impacto do evento. Este governante escolheu aquele momento do dia para marcar a agenda mediática e anunciar apoios às empresas regionais. (ver destaque)

Usando da palavra, Eduardo Jesus recordou que o seminário era um exemplo “de criatividade e de responsabilidade social” na medida em que “possibilita uma experiência de comunicação e uma oportunidade para a Madeira”, na medida em que chama a atenção para o facto de que as empresas para além de visarem o lucro devem igualmente valorizar a função social que lhes é inerente como parte de um todo…


Pedro Oliveira falou da “coragem e do empreendedorismo mostrado pela Dupladp” para sublinhar que a iniciativa é um “dia para encontrar soluções assertivas para rentabilizar investimentos”.
publicado por Marco Freitas às 22:31

O Vice-Presidente do Governo Regional, com a arte e engenho derivada de muitos anos de experiência política, percebeu que num seminário sobre o marketing e soluções empresariais estaria presente o público ideal para anunciar um programa de apoio às empresas madeirenses neste tempo de crise. Para além disso, contou com uma forte presença dos mass media, já que se tratava de um evento muito mediatizado, um dos mais importantes do dia, o primeiro do dia…O cenário era o ideal e Cunha e Silva esteve muito bem ao aproveitá-lo.

Porventura, os organizadores do seminário não ficaram muito contentes com a exposição dada ao Vice-Presidente em detrimento dos conteúdos em debate… Mas, quando se convida o político tão influente para uma iniciativa daquela envergadura há que estar preparado para isso. Provavelmente contavam com o impacto da presença da VP para atrair a imprensa e os cabeçalhos… Uma expectativa legítima que ficou gorada pois alguns meios de comunicação nem mencionaram em que ambiente e enquadramento Cunha e Silva fez o anúncio… O que teria sido muito relevante para a própria notícia…

Sobre o que disse o Vice-Presidente, umas breves notas para os que não estiveram atentos às notícias do dia. Cunha e Silva disse, alto e bom som, que a “situação da Região, não é a melhor”, admitindo a existência de um crise... Nesse sentido, é ainda mais imperiosos que “a RAM vença o desafio do desenvolvimento” mesmo depois de ter perdido metade dos fundos comunitários e de ter de fazer frente a uma “falta solidariedade do Estado” com a Madeira.

Para além destes condicionalismos de ordem político o Vice-Presidente frisou que a condição geográfica e periférica da Madeira aliada a um mercado interno reduzido influencia sobremaneira o desenvolvimento e o sucesso das empresas regionais sendo altura para se equacionar “a internacionalização da economia”...

Recordando as dificuldades acrescidas com a crise internacional vigente, Cunha e Silva disse que é importante responder ao novo desafio de “abraçar as novas orientações da UE para as novas tecnologias…”
Como tal - e esta foi a parte mais importante do seu discurso – recordou os sistemas de incentivo já disponíveis e anunciou uma linha de crédito bonificada para as empresas madeirenses fazerem face à crise no valor de 15 milhões de euros.

Ao encerrar a sua intervenção, que teve um misto de política e de tecnicidade, Cunha e Silva disse que os tempos exigiam empreendedorismo e “estabilidade para as empresas fazerem o seu trabalho”. Deixou, por isso um apelo para “remarem todos para o mesmo lado”...
publicado por Marco Freitas às 22:29

Em traços gerais podemos dizer que o seminário teve intervenções muito interessantes ao longo do dia. Contudo, as temáticas do marketing no ponto de venda e da comunicação como ferramenta de promoção mereceram mais debate e arrebataram a sala. O design na cidade contou com intervenções de interesse mas a plateia não se mostrou tão apaixonada.

Sobre o primeiro painel, uma breve nota para salientar a qualidade e capacidade das intervenções do presidente da APM – Associação de Profissionais de Marketing e de Paul Miles. O primeiro sublinhou que os profissionais de marketing devem “estar seguros do papel que o marketing desempenha nas empresas” na medida em que este deve ser visto numa perspectiva social já que as empresas devem olhar para a sua actividade muito além da mera obtenção do lucro.

Carlos Oliveira lembrou que o local de venda é 50% responsável pela adesão às marcas... Indicador que sugere a necessidade de coerência de comunicação em toda a linha da organização.

Paul Miles falou da matéria através da apresentação e descrição do POPAI, uma associação especialista em tudo o que tem a ver com um ponto de venda… Esta organização de âmbito internacional trabalha ao nível da investigação sobre o sector, organiza eventos, debates e produz documentação própria...

Tem como objectivo criar uma medição standard para definir o impacto da acção no ponto de venda...Enfim, um GRP para medir os contactos com os diversos materiais de comunicação que existem... Mais, na sua acção procura sensibilizar para o uso dos suportes de comunicação digitais, incentivando as empresas a analisar o retorno dos investimentos nesta área...

Paulo Miles sublinhou que o marketing no ponto de venda hoje é visto como algo estratégico e não táctico...Como tal, o marketing tradicional não é suficiente... Há novo desafio, recordava Miles, o de comunicar com o novo consumidor que, mais do que nunca, decide como recebe a informação... De facto, perante a multiplicidade de meios, as empresas encontram crescentes dificuldades em contactar os públicos-alvo… Logo, o momento da compra é fundamental... No seu ponto de vista há que “trabalhar” o comprador de forma diferente...

O retalho e a distribuição são de facto componentes importantes para impulsionar as vendas porque são oportunidades para as marcas inovarem junto de um consumidor bombardeado por produtos. Até porque não há um volume de tráfego garantido… Como tal, aproveitar ao máximo o cliente quando entra na loja é o milagre que todos esperam alcançar…

Existem, aliás, razões para as empresas acreditarem na eficácia do ponto de venda. Um estudo da Deloite, resultante de inquérito a gestores de mais de 100 empresas, diz que o ponto de venda é um dos elementos de maior retorno do marketing.

O ponto de venda, a loja e a grande superfície são espaço em mudança… são mais do que um espaço físico… o mundo da internet está a mudar a relação do ponto de venda com os consumidores.

Para perceber esta dinâmica do mercado, há um conjunto de iniciativas e investigação em desenvolvimento para ajudar a perceber os investimentos feitos nas lojas. A POPAI, uma associação do sector que tem objectivos formativos e educativos, é responsável por este trabalho de investigação.


A importância do posto de venda no sucesso de um produto foi ainda abordada, por exemplo, por Carlos Batista, da Insular de Moinhos, que apresentou uma realidade regional versus a força de vendas de marcas e produtos externos.
publicado por Marco Freitas às 22:28

O design na cidade e a comunicação como ferramenta de comunicação foram os temas abordados na segunda parte do seminário.
Apesar do interesse do primeiro tema e de se ter assistido a uma excelente apresentação técnica e a um debate as questões relacionadas com a comunicação social marcaram de forma mais incisiva a tarde de trabalhos. O que aprendemos?


Pedro Salgueiro fez uma apologia da vitória das novas tecnologias de comunicação sobre os meios tradicionais, tomando como exemplo a televisão… Arriscou alguma previsões que podem não se confirmar… É verdade que os modelos tradicionais da comunicação merecem ser revistos mas é importante não esquecer a relação actual com os consumidores de informação e de entretenimento.
Há uma interactividade a reter …

A mudança vai trazer novos mercados, novos plataformas de comunicação, mais ecrãs, enfim, aquilo que chamou de “evolução espantosa dos media”.

Devem-se, por isso, esperar novas formas de relacionamento entre os consumidores e os produtos, na essência, porque as empresas vão colocar os produtos através de meios mais interactivos… o mundo digital elimina as actuais definições de target, traz uma mudança geracional…

O consumidor para a ser “ um consumidor permissivo”, porque é ele que autoriza e decide como quer receber a informação das empresas. A comunicação é mais viral menos de massas…
publicado por Marco Freitas às 22:27

Um dos momentos chave e de grande impacto do dia foi aquele protagonizado por Ricardo Oliveira. Ao seu estilo, vincou que as “empresas madeirenses são pré-histórias na comunicação”, principalmente porque se recusam a aceitar e a perceber que “hoje não há só papel há lógicas multimédia de comunicação” …

Numa intervenção curta mas muito incisiva, o director da TSF-M (rádio que patrocinou o evento), admite que o “conteúdo editorial está a substituir a publicidade” nas opções das empresas por a seu ver “A credibilidade ganha terreno a banha da cobra, à má publicidade.”

Aquele seminário foi o local ideal para sublinhar que “o jornalismo garante a memória dos acontecimentos… E que vai atrás, ao passado, ver o que foi dito e prometido…” Esta responsabilidade do jornalismo é fundamental para se perceber a sua intervenção social e o seu posicionamento na estrutura da sociedade.

Porque a sua intervenção foi feita no âmbito de um seminário sobre “soluções empresariais”, Ricardo Oliveira apontou três aspectos que ainda definem o tecido empresarial regional. O primeiro é que as empresas gostam de notoriedade e de ter espaço na imprensa mas demoram a compreender que se convidarem políticos para as suas acções correm o risco de perder destaque em prol da agenda oficial; o segundo, é que as empresas comunicam tarde e mal… Mais, a maioria não tem comunicação e nem sequer querem que se fale delas… Não têm estratégia e só reagem quando têm má comunicação social; finalmente, o terceiro ponto serviu para atacar aqueles que não distinguem o que é publicidade de informação pura.

Ao terminar, Ricardo Oliveira defendeu que a relação das empresas com o jornalistas, e vice-versa, deve ser muito trabalhada… Para que seja bem sucedida, pediu bom senso e respeito pelos códigos de conduta das partes envolvidas nesta relação interactiva…
publicado por Marco Freitas às 22:25

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