Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

08
Set 08
Na semana passada lançamos para debate a problemática “jornalismo de cidadão” colocando a questão se estaríamos a falar de um jornalismo de cidadania. Abordaram-se alguns aspectos muito interessantes desta realidade, sobre a sua existência e sobre a sua relação como o jornalismo de carreira e profissional. Nem de propósito (!), no dia 3 de Setembro, o Jornal de Negócios (www.negocios.pt) fez uma noticia intitulada: “Bloggers já se acreditam para eventos partidários”.
Em suma, esta peça centrou a sua atenção no interesse dos bloggers em participar nos eventos partidários, nas vezes que tal já aconteceu, bem como na posição dos vários partidos nacionais em relação à participação dos bloggers nas suas iniciativas em paralelo com os jornalistas.
Ficámos a saber que só o PCP, de forma liminar, e o PS, um pouco mais equilibrado, não acreditaram os bloggers em eventos seus, enquanto comunicação social. O primeiro não atribui igual acesso à informação enquanto que o PS sim.
Na peça, Afonso Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas e militante activo do PCP, diz rejeitar o que está a acontecer pois “um blog não é um meio de comunicação social e não pode ser tratado como tal” .

Se, na essência, os partidos negam a ideia de equiparar os bloggers aos jornalistas, a verdade é que na prática é o que já acontece. CDS, PSD e BE já acreditaram bloggers como imprensa e deram igual acesso à informação. Muito provavelmente estamos a falar de bloggers conhecidos dos partidos, e até afectos, mas o facto é que o precedente já foi aberto.

Nos EUA, a estratégia dos partidos parece ser outra: são criados áreas distintas para bloggers e jornalistas. Uma distinção que faz sentido já que é importante conhecer aqueles que irão abordar os temas em debate…

Voltando à discussão mantida sobre o jornalismo de cidadão, parece-me que esta notícia deixa claro qual o caminho que se segue – sendo que há um interesse oculto para os partidos desejarem criar uma concorrência à imprensa tradicional. Será que esta abertura verificada nos partidos e, quiçá mais tarde, em algumas organizações privadas, vai de facto criar uma concorrência aberta entra os jornalistas profissionais e o jornalista cidadão (blogger ou outro)?.
Portanto, para aqueles que teimam em aceitar, sem qualquer reflexão e análise, a chegada de “novo jornalismo” a sugestão que deixo hoje vai no sentido de se ponderar e discutir abertamente esta realidade, de se evitar a negação da sua existência como solução para o problema, e de colocar o jornalistas profissionais a esgrimirem os seus melhores argumentos em prol de um jornalismo sério, crítico e construtivo. Tal, só é possível com a prática de um jornalismo socialmente responsável.

O *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 10:53

Numa época em que os jornais procuram redefinir a sua vocação e o seu posicionamento na sociedade, quando enfrentam a concorrência de novos meios de comunicação e de possíveis novas vias de fazer jornalismo – cujo conceito é sustentado na relação directa e imediata do acontecimento com o público por oposição ao tratamento informativo que os meios tradicionais realizam -, tenho poucas dúvidas sobre qual deve ser o papel do chamado jornalismo tradicional e dos meios de comunicação social como é o caso da imprensa: mais do que nunca os jornais devem assumir o seu papel como instrumento de educação e de formação social.

Em tempos elaborei um pequeno texto sobre esta função dos jornais que gostava de reproduzir, até porque o tema vai ao encontro do debate sobre um sector que parece estar a perder a direcção, ele próprio a deslocar-se para a produção de notícias de foro pessoal (já que os jornalistas são cada vez mais bloggers e internautas).
Se se pode e se quer dar vida ao novo jornalismo de cidadão é também importante – diria crucial – que na mesma medida de grandeza se atribua aos jornalistas um mandato social para realizar com propriedade a sua função de educadores e formadores sociais através de um produção noticiosa ponderada e preocupada com o bem-estar público. Porque, pelo menos por agora, os “novos jornalistas” mostram pouca intenção social já que valorizam o acessório, o escândalo e a invasão da vida privada…


Dando sequência ao debate que ainda há pouco desenvolvemos sobre o jornalismo de cidadão acredito que o texto que se segue possa dar um contributo interessante.

Recordo que, como escrevia então, Os jornais são um instrumento fundamental para ensinar, para criar hábitos de leitura e para formar. Não é nova a ideia de que os jornais devem apoiar a educação das crianças, dos jovens e dos adultos. Tem sido assim desde os primórdios da imprensa. Mas, segundo os registos, o primeiro programa bem estruturado nasceu por volta de 1930 e foi iniciativa do “The New York Times”. Actualmente, existem em todo o mundo mais de 700 programas orientados para a educação de jovens através dos jornais.

De tempos em tempos esta capacidade da imprensa é questionada, primeiro, fruto de interesses localizados e, segundo, porque o sector tem mantido um percurso que contraria esta linha vocacional.

A WAN, Associação Mundial de Jornais, entre muitas outras actividades, promove uma rede mundial de jornais com eventos e iniciativas de vária ordem dirigidos aos jovens, com o objectivo de atrair o seu interesse e fomentar a leitura.

Na Europa e nos Estados Unidos da América, o hábito de ler ainda é preservado por gerações mas velhas (ver OBERCOM). Curiosamente, em Portugal encontramos a situação oposta, pois a fatia de leitores de jornais concentra-se na sua maioria entre os 17 e os 38 anos. O que não acontece por mero acaso. A verdade é que um grande número de jornais portugueses têm iniciativas orientadas para os mais jovens, algumas com longa tradição no panorama nacional, um prática que corresponde à linha de orientação e aos obectivos que a WAN traçou para este seu projecto.

A promoção de suplementos, a criação de secções de páginas especificamente dedicadas aos jovens, os projectos de literacia, a promoção da escrita e do desenvolvimento de programas de utilização de jornais nos mais diversos momentos da vida diária são só alguns dos projectos que os jornais podem desenvolver e que a WAN está a incentivar.

Esta organização internacional defende que o hábito de ler jornais deve ser efectivamente incentivado desde a infância e que os editores devem assumir essa responsabilidade com espírito de missão. Por essa razão organiza programas de alcance internacional para promover o uso de jornais nas escolas.

A promoção da leitura e da escrita, da conversação e do pensamento crítico são aspectos programáticos que devem ser levados em conta pelas escolas e são argumentos fortes a favor da utilização dos jornais nas aulas, em todas e não só naquelas relacionadas com o sector.
Segundo a WAN, “os programas que incentivam a leitura de jornais nas escolas estão predestinados ao sucesso”, na essência, porque influenciam e ajudam a informar os estudantes e contribuem para uma “cidadania responsável”.
Esta dose de confiança da associação mundial é sustentada em resultados positivos verificados em alguns países. Por exemplo, nos EUA, a WAN assegura que é clara a ligação entre a utilização de jornais na escola e a tendência para os jovens tornarem-se assíduos leitores de jornais em adultos. No entanto, segundo o inquérito 2004 da Gallup, 9 em cada 10 jovens entre os 3 e os 17 assistiram a programas de televisão e 3 em cada 10 tinham lido jornais. Dados que reforçam a necessidade do projecto da associação.

Contra as expectativas da WAN estão as constantes quebras de circulação dos jornais fruto da desconfiança no jornalismo praticado, a atractividade de outros meios de comunicação, nomeadamente a televisão e a internet, e o marketing pouco eficaz produzido pelos meios da imprensa.

Parece não sobrarem dúvidas de que a criatividade é essencial para atrair os jovens. Mesmo assim, encontramos em alguns projectos jornalísticos uma falta de apetência para gerar atractividade junto dos jovens leitores, algo que se verifica um pouco por todo o mundo.
Em Portugal, os títulos nacionais têm procurado ir ao encontro das necessidades dos jovens. Existem revistas muito bem cotadas neste segmento e espaços didáticos muito procurados. Porém, há um conjunto de dúvidas que se mantêm em aberto: porque é que a partir de determinada idade, aqueles que liam com interesse os jornais deixam de o fazer? Não será porque os jovens só se identificam que um determinado espaço do jornal não sentido curiosidade por ler outras rubricas dos mesmos? E o que podem fazer os jornais para contraiar esta tendência, tanto mais que a internet conquista espaço ao papel a passos largos? Uma revisão geral dos conteúdos produzidos pelos jornais é capaz de ser uma solução.

MPF
publicado por Marco Freitas às 10:23

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