Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Fev 08
A grande entrevista dada por Ricardo Salgado ao Expresso alguns anos depois do seu banco ter bloqueado todo e qualquer tipo de colaboração com o semanário na sequência de uma notícia sobre o envolvimento do BES no caso “Mensalão” coloca certamente um ponto final no diferendo entre as duas entidades.

Acima de tudo, esta situação é um exemplo claro de como as relações entre a comunicação social e as empresas são férteis de momentos construtivos e de outros muito menos.
Reza a história que muitas vezes a dimensão negativa dada pela imprensa a determinado projecto empresarial resulta de defeitos de gestão daqueles no que diz respeito à comunicação externa, essencialmente, no contacto com os jornalistas. Paradigma disto mesmo é o destaque que a imprensa nacional, e não só a da especialidade, atribui actualmente ao sector da banca.

Este sector de actividade da economia nacional, apesar do seu tremendo sucesso financeiro, alimentou uma postura comunicativa hermética, que privilegiava a comunicação vertical, tendencialmente unilateral, da qual o BCP foi o seu expoente máximo, plasmado na figura do seu fundador e líder, Jardim Gonçalves. Um líder que semeou o culto da pessoa, mantendo uma distância real entre si e a opinião pública em geral, distância expressa nos contactos limitados que manteve com a imprensa em geral.
As respostas à imprensa por escrito, o uso quase exclusivo de uma foto pessoal são só dois exemplos de um posicionamento que a determinada altura pareceu criar escola.

O cultivo desta distância teve de ser investido e o líder do banco tornou-se mais acessível, começou a dar entrevistas com mais frequência, a dar conferências de imprensa com batalhões de jornalistas e tornou-se mais social, mais próximo dos seus clientes e da opinião pública. A entrevista à RTP – ainda eivada dos antigos vícios do controlo das questões para facilitar as respostas adequadas – já foi uma tentativa de mudar uma imagem de um líder encerrado no seu castelo que chocava com a ideia de um banco dinâmico, inovador e moderno.

O mundo fechado da banca, prática e quase exclusivamente disponível através do investimento publicitário e da comunicação institucional, está a colher tempestades.
Aberta a “caixa de Pandora” com o caso BCP – sem dúvida uma janela de oportunidade para vasculhar os armários de tão poderosas instituições, aberta por alguém de dentro do sistema – o sector tem estado sob o crivo atento e crítico da imprensa que reclama agora os anos perdidos de comunicação e de informação unilateral.

Os bancos parecem estar a mudar e a perceber que o “segredo não é mais a alma do negócio”. Parecem ter percebido que não é suficiente fazer campanhas publicitárias milionárias ou mostrarem a sua capacidade de contribuir para causas sociais. É por demais evidente que os bancos precisam de comunicar com os seus públicos através de um vector independente, ou seja, através da comunicação social.
Ainda têm um longo caminho a percorrer, até porque, neste momento, a atitude da imprensa é de natural desconfiança, reflectindo o mercado e a opinião pública. Acredita-se que com o know-how de que dispõem e de um investimento adequado numa estratégia de comunicação bilateral, o mercado mudará a sua opinião sobre a banca…
publicado por Marco Freitas às 16:49

o processo de reflexão sobre a comunicação social regional madeirense é um exercício exigente e complexo porque envolve muito mais do que a mera constatação de um realidade sectorial das profissões que este contempla e dos problemas estruturais e funcionais que limitam ou facilitam a sua evolução.

Uma abordagem à comunicação social regional madeirense deve considerar perspectivas diferentes sobre o modelo social, cultural e político social.
Portanto, mais do que um exercício objectivo devemos considerar todas as subjectividades envolvidas na construção do que é a comunicação social regional e daquilo que pode vir a ser.

A Madeira é por natureza um universo social reduzido, limitado por diversos aspectos endógenos e exógenos, que influenciam sobremaneira os diversos sectores da sua vida, desde a economia, as decisões políticas e o posicionamento cultural dos locais.

Considerar qualquer tipo de determinismo fatalista que condene a região a um estado de constante passividade é um sintoma grave de um pensamento ultraperiférico reduzido à assumpção da pequenez física e também significado absoluto de que as limitações geográficas assumem um poder coercivo sobre as vontades.

A criatividade, a inovação e a capacidade de ser positivamente diferente deveriam ser instrumentos capazes de ajudar a criar soluções para saltar as barreiras físicas. Se juntarmos a estes mecanismos humanos as potencialidades que as novas tecnologias nos oferecem talvez seja possível convencer os madeirenses que estão tão longe do mundo como aquele da Madeira.

As gerações condicionadas e fortemente influenciadas pelos limites físicos das ilhas marcam ainda as rédeas do nosso destino. Tudo é ainda muito palpável, feito numa navegação à cabotagem, com os risco controlados e disponíveis para a novidade q.b..

A longitude e a latitude que nos define no mapa mantêm-nos longe de um mundo vertiginoso e oferece-nos uma falsa sensação de segurança, quer das suas influências positivas quer negativas, e afasta-nos da mudança.

Por natureza as sociedades modernas são pouco nómadas. Mudam quanto a necessidade é mais forte que todas as outras razões. Na Madeira, os movimentos que significam mudança encontram fortes entraves, conscientes e inconscientes, em consequência da estabilidade social que viveu nas últimas décadas.

Alguns sectores mais libertos dos condicionalismos que referimos começam a perceber que o estado letárgico em que a ilha vive começa a prejudicar o seu futuro.
publicado por Marco Freitas às 16:46

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