Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Jan 08
Publicada com a devida autorização do autor

Polémico, combativo e frontal. Eis alguns dos atributos de Ricardo Rio, vereador da oposição, que em 2009 quer ser presidente da Câmara Municipal de Braga. Aponta novos caminhos na gestão da autarquia bracarense, sem esquecer a grande responsabilidade que um presidente deve ter com a população que o elegeu. Atento aos problemas dos seus conterrâneos, Rio não esquece as suas origens, afirmando mesmo que para um bracarense a maior aspiração e ambição é ser presidente da Câmara de Braga.


“Estou preparado para ser presidente da Câmara”

Para Ricardo Rio, bracarense dos sete costados, não existe qualquer tipo de problema se em 2009 for eleito presidente da Câmara Municipal de Braga. Aliás, diz mesmo estar preparado para exercer o cargo mais alto do município. Para este político “não profissional”, apesar de já possuir alguma experiência a nível autárquico, a nobre arte da política só tem valor se servir para resolver os problemas das pessoas e não pela vaidade dos cargos.


PSD desde a juventude

“De facto, não sou um político profissional, sou alguém que gosta da política e vejo essa política como uma forma de servir e de colocar as minhas capacidades ao serviço da população. Em 1997 entrei pela primeira vez para uma estrutura partidária, no caso, a Comissão Política Concelhia de Braga, na altura presidida pelo Miguel Macedo, mas já era militante do PSD na minha juventude. Estive com Miguel Macedo em 1997, com Carlos Alberto Pereira a seguir”, referiu o jovem político bracarense.
“Após as autárquicas de 2001, no início de 2002 entendi que o partido precisava de ter outra dinâmica em Braga. Candidatei-me à liderança do partido e ganhei. A partir daí tenho assumido a liderança a nível concelhio. Pouco depois de ser eleito fui convidado para integrar a distrital, na altura presidida pelo José Manuel Fernandes. Quando este saiu em 2004 continuei como vice-presidente”, acrescentou.


“Visão negativa da política”

“Todos os cidadãos têm uma opinião muito negativa e relação aos políticos e à maneira como as coisas se fazem, mas também acho que não nos podemos ficar pela simples crítica. Se achamos que as coisas não estão bem, e se acreditamos, como eu acredito, que a política é uma actividade nobre, na lógica de serviço à sociedade, então temos de apresentar alternativas, soluções. E se descermos na escala hierárquica, eu acho que o presidente de junta é um cargo extremamente importante, é o primeiro ponto de contacto entre a população e as estruturas decisórias. Por seu lado, o cargo de presidente da Câmara de Braga é para mim bracarense o cargo mais importante a que um bracarense pode aspirar”.
“Por outro lado, quando falo de motivações, não falo em termos de carreira, nem de ascensão a lugares políticos, mas sim motivações pessoais de quem gosta da política e que acha que pode dar um contributo para que a política seja melhor do que aquilo que tem sido até hoje”.



Autárquicas 2005:
campanha profissional

“A campanha de 2005 para as autarquias foi interessante, pela primeira vez houve uma campanha profissional por parte da coligação Juntos por Braga, e isso é reconhecido de forma unânime. O novo regime de financiamento das campanhas eleitorais também foi importante no sentido em que minorou as diferenças que havia entre partidos da oposição e o poder instalado em termos de disponibilidades de meios. Apesar de tudo, os nossos meios foram bem geridos, constituímos equipas de muito valor em todas as freguesias, nos vários órgãos autárquicos que estiveram muito motivados na campanha, na lógica do trabalho em equipa. Só esta poderia dar os melhores frutos, coisa que no passado não acontecia. Os autarcas de freguesia estiveram muito empenhados na campanha para a Câmara Municipal e isso deu excelentes frutos”, disse confiante.
“Em termos de resultados, é óbvio que não foi o resultado que nós pretendíamos, no entanto, foi um progresso assinalável uma vez que foi feito o caminho mais difícil, ou seja, em vez de irmos retirar votos ao Partido Socialista fomos buscá-los à abstenção, aos novos eleitores e algum voto útil de esquerda que se verificou, mas foi insuficiente para a conquista da Câmara Municipal que era o nosso grande objectivo. Ainda assim estes resultados deixam-nos com uma forte expectativa para o futuro e com uma grande responsabilidade para com a população bracarense”, reafirmou Rio.


“Poder gasto e sem energia”

“A grande mensagem que está por trás desta candidatura e que levou a esta resultado eleitoral, foi a lufada de ar fresco na política bracarense. Nós entendemos que o poder que está neste momento em exercício é um poder que está gasto, em termos de energia e de ideias e em termos de ambições já começa a ficar muito aquém daquilo que uma grande parte da população bracarense deseja. Neste sentido, reunimos um leque de pessoas com competências específicas em áreas muito diversificadas, já com larga experiência nas suas actividades profissionais em termos de envolvimento cívico. E deste modo dissemos às pessoas que temos uma proposta diferente, renovadora e que vai mudar a postura da autarquia. Não vai ser aquela autarquia, que nós vemos hoje, a tentar controlar os presidentes de junta e a controlar todos os projectos em que se envolve. Vamos ser, isso sim, uma autarquia que se vai colocar ela própria como instrumento de apoio ao desenvolvimento do concelho. Por exemplo, se alguém faz bem as coisas na área social nós temos é que os apoiar e não substituirmo-nos a esse trabalho, se há alguém que tem um bom potencial para desenvolver um bom trabalho na área da cultura nós temos que os estimular. No fundo, é um pouco essa mensagem que passamos e que, de facto, mereceu a confiança dos nossos eleitores. Se calhar mereceu alguma desconfiança de muitos que gostariam de uma mudança mas que ainda não a expressaram em termos de votos e a verdade é que o partido dos abstencionistas continua a ser aquele que ganha as eleições em Braga. É também para esse público (abstencionistas) que teremos de trabalhar nos próximos quatro anos e demonstrar-lhes que somos de facto diferentes e melhores para o desenvolvimento do nosso concelho”.



Dificuldades revelam-se…

Relativamente a uma eventual presidência de Câmara, substituindo Mesquita Machado, o nosso interlocutor é da opinião de que “ainda é muito cedo para traçar qualquer tipo de cenários para o futuro, no entanto, tudo dependerá pelo mandato que for feito pela autarquia. Por um lado, a presunção que nós temos é que neste mandato vão começar a revelar-se as dificuldades que foram criadas pela situação financeira da Câmara num passado recente que até aqui têm sido mais ou menos disfarçadas, não impedindo que houvesse ao longo deste últimos meses um chorrilho de inaugurações todas as semanas” denunciou, adiantando ainda que “a realidade a esse nível vai alterar-se um pouco, basta ver o Orçamento de Estado onde os financiamentos públicos vão-se tornando cada vez mais exíguos. Por outro lado, a verdade é que, do nosso ponto de vista (oposição), temos condições para desenvolver um trabalho que não foi desenvolvido no passado e que nós entendemos que pode ser a continuidade desta esperança que foi semeada agora com estas eleições e demonstrando ao grosso da população que, de facto, podem confiar em nós e neste equipa”.


Poder em 2009

Em relação ao modo como a coligação vai pôr em prática a sua política autárquica, Ricardo Rio foi adiantando ao GlobalMinho & Porto que, “vai centrar-se no contacto com as populações, aliás, esta é a estratégia que vem sendo seguida ao nível do partido e não somente nestas eleições. Desenvolvemos visitas às freguesias, fazendo recolha de sugestões para a gestão da autarquia. Estes são alguns dos passos necessários para termos a garantia que em 2009 possamos conquistar a Câmara Municipal de Braga”.


Recandidatura de Mesquita?

Sobre a possibilidade ou não de uma recandidatura de Mesquita em 2009, Rio afirma que “é muito difícil traçar cenários a esse nível, apesar da veemência com que ele o afirmou, não podemos dar por garantido que Mesquita Machado não vai candidatar-se as próximas autárquicas. São várias as razões para assim pensarmos. Já disse que não se candidatava e não cumpriu com essa afirmação. Outra questão tem a ver com o facto de Mesquita Machado ser uma mais-valia para o PS e daí haver uma certa dificuldade dentro do partido em encontrar uma alternativa que consiga segurar o seu eleitorado. Mesmo do ponto de vista dos protagonistas, a política que tem sido seguida pelo Partido Socialista, na pessoa do actual presidente da Câmara, tem sido um bocado a política da terra queimada. Nós sabemos que os vereadores não têm grande autonomia, não têm grande protagonismo, ou seja, não há aos olhos dos bracarenses potenciais alternativas. As pessoas olham para Mesquita Machado como uma peça de mobília, estão habituadas, está lá na sala pousada”, ironizou.





“Estancar a construção”

Quando se fala em gestão urbanística da cidade, Ricardo Rio avança logo com a revisão importante que é preciso fazer ao PDM (Plano Director Municipal). “Em relação a esta matéria achamos que é fundamental fazer uma revisão do Plano Director Municipal, tendo em conta dois objectivos: o primeiro diz respeito à malha da cidade, queremos estancar um pouco este crescimento desenfreado que se tem verificado em termos de habitação. Num segundo nível, mais fora do perímetro urbano, libertar alguns terrenos para se construírem habitações para os jovens dessas freguesias se fixarem aí. A par de tudo isto, há que implementar a fiscalização e fazer cumprir os regulamentos municipais. Contudo, não está em causa combater o sector da construção, até porque ele representa uma mais-valia para ao sector económico da região, algumas destas empresas de construção possuem até uma grande consciência ao nível do mecenato social, mas fazer com que se cumpram as regras”, alertou Ricardo Rio.





CAIXA

Resumo curricular

Ricardo Rio Nasceu em Braga, é licenciado em Economia e mestre na componente curricular da mesma área. É docente universitário desde 1995 e consultor de várias empresas. Foi director do Instituto Mercado de Capitais de Euronext Lisboa, Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Analistas Financeiros e Assessor do Conselho de Administração da Casa da Música do Porto.
Foi deputado da Assembleia Municipal de Braga entre 2002 e 2005 e na Assembleia Metropolitana do Minho, entre 2004 e 2005. Actualmente é vereador na Câmara Municipal de Braga.
É presidente da Comissão Política do PSD de Braga desde Junho de 2002 e Vice-Presidente da Comissão Política Distrital desde Julho de 2004.
Edita desde 1999 o suplemento de Economia do Diário do Minho e colabora com vários outros jornais e publicações.



Jorge Paraíso

(Braga, 18 de Novembro 2005)
publicado por Marco Freitas às 11:14

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