Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

12
Ago 06
" O papel dos media na política contemporânea obriga-nos a perguntar em que espécie de mundo e em que espécie de sociedade queremos viver e,
em particular, que sentido queremos dar à democracia para que a nossa sociedade seja realmente uma sociedade democrática?" É com esta pergunta que Noam Chomsky abre o seu livro sobre "A manipulação dos media" e
acredito que esta é uma das principais questões que os políticos da nossa terra e todos aqueles que lidam directa ou indirectamente com a comunicação
social regional devem procurar responder.

A birra entre a classe política e os jornalistas a que temos assistido nos tempos mais recentes, com ênfase particular para o caso das sapatilhas no Parlamento regional, é mais do que um reflexo imediato da "silly season": é um sintoma grave e ainda invisível da sociedade que ajudamos a produzir e que, actualmente, enfrenta dilemas novos que não sabe resolver... Ou não quer. Ou talvez, como defende Ignacio Ramonet, do que se trata é da "confusão entre os media dominantes e o poder político". É porque o "quarto poder" já não é tão quarto assim!... Segundo este especialista em comunicação, para isso era preciso que "os três primeiros (poderes) existissem e que a hierarquia que os organizava, na classificação de Montesquieu, continuasse a ser válida." Para Ramonet o primeiro poder é hoje "claramente exercido" pelo sector económico; o segundo,
em estreita relação com o primeiro, é, para além de qualquer dúvida, o mediático. Um pódio que relega o poder político para um terceiro lugar
pouco glorioso. O que verdadeiramente me preocupa são as
consequências desta guerra fria entre políticos e comunicação social e a necessidade que ambos os lados sentem em armazenar trunfos para contínuas
guerrilhas.
O braço de ferro não é de agora e parece estar cada vez menos relacionado com as funções que cada um dos sectores deve desempenhar e com as
formas, naturalmente diferentes, de olhar para a sociedade. Atento q.b. a esta situação registei um conjunto de notícias sobre as problemáticas que têm envolvido os jornalistas e os políticos no último par de meses, entre reportagens, artigos de opinião e análises e correio dos leitores. Que resultados se podem retirar desta profusão editorial, que lições foram aprendidas para o futuro?
Aparentemente nenhumas. Pelo menos não foram visíveis quaisquer manifestações de vontade e acções concretas para sanar os diferendos existentes, para que ambos os sectores se dediquem sem mais distracções às suas actividades. É precisamente neste ponto que tudo se complica:
uns querem mandar na agenda temática dos outros. Este tema rendeu inclusive um trabalho jornalístico de autor. Aí, com alguma propriedade, fala-se num dia-a-dia regional "inócuo", de uma "arte política zero" e do "drama" de uma monotonia meses a fio. O quadro traçado fala das estratégias obsoletas dos partidos para atraírem a comunicação social, de todos os partidos, do facto de ser "pecado
mortal" não acompanhar o presidente do Governo Regional e dos "equívocos do relacionamento política-jornalismo". Também aqui, infelizmente, não vimos soluções. No entanto, ficou claro que a comunicação social regional está tão envolvida com a vertente política que parece ser absolutamente difícil descolar-
se, optar e reduzir o destaque dos políticos ao essencial: ao verdadeiro contributo para o desenvolvimento regional e para o bem-estar dos madeirenses.
Concentrar a solução das crises entre ambos os sectores no superficial, ou seja, na indumentária, traduz a incapacidade para evoluir e para pensar uma relação entre a política e a comunicação social mais clara, sensata e isenta de truques...
Do lado de cá, de quem observa este pseudo-debate sobre a liberdade de imprensa e de expressão e de como esta deve ser observada, temos este quadro: políticos que se agridem constantemente (como se daí resultasse algo de útil) sob a batuta mole da presidência do Parlamento; um jornalismo que garante uma grande cobertura política (teimando a dizer aos leitores que é isso que eles
querem); agentes partidários a sugerir aos jornalistas o que deve ser notícia (porque a verdade está com eles); jornalistas "mal-vestidos" que não
podem entrar no Parlamento de todos nós (sim! aquele em que se pode dizer as mais variadas barbaridades, insultar, entre outras coisas de interesse para as revistas côr-de-rosa e não entram profissionais no cumprimento de um dever para
com a sociedade porque calça sapatilhas ou veste "mal").
Portanto, este é em traços gerais o panorama que nós, os espectadores, consumimos. E a pergunta que faço é se haverá alguém com coragem e ocm
interesse para mudar o rumo das coisas? Sendo certo que para isso não bastam as reuniões de partidos com o Sindicato de Jornalistas, oportunidade para desbobinar ares angelicais sobre a sua postura com a comunicação social, como se não fossem actores da mesma peça; conferências de imprensa à porta do parlamento; manifestos sindicais que mais não fazem do que revelar as fragilidades de um edifício parlamentar ultrapassado.
O que é preciso é um compromisso sério, amplo e eficaz entre a classe jornalística e a classe política, um acordo escrito que confirme uma mudança
de comportamentos. Penso que o estabelecimento de um Código de Acção Conjunta que fomente o conhecimento de ambas as actividades e a partir disso o respeito mútuo é uma solução. O exercício de redigir um código desta natureza é
por si só uma forma de aprendizagem partilhada e um caminho sensato para evitar as patranhas a que temos assistido.
publicado por Marco Freitas às 16:47

Hoje, ser madeirense é mais do que olhar o mar e sonhar com mundos para
além do horizonte. Noutros tempos saber que existiam terras além do nascer
ou do cair do Sol preenchia a vontade de ser madeirense... Nesses tempos
cumprir o sonho era ir trabalhar num outro sítio qualquer ou desbravar
mares em aventuras raras, já que outros povos eram capazes de chegar até
nós... O mundo nem era imenso nem pequeno... era simplesmente secreto e
desconhecido. Tudo isso mudou.
Já não somos povo de uma terra isolada do mundo porque esbatemos o
agreste das linhas costeiras que nos impediam de dar um passo em frente.
Não foi o mundo que veio ate nós... Fomos nós que quisemos ir e trazer
novas experiências para a pequena ilha feita de molhes de pequenos aglomerados escondidos nas escarpas. Ser madeirense hoje é mais e devia ser desejar mais do que os nossos antepassados. Rompemos estradas na rocha, abrimos túneis incertos só com a convicção de que iria dar a algum lado e com um pouco de sorte encurtar distâncias, fomos ambiciosos e quisemos mais do que hidroaviões na baía do Funchal, quisemos aviões por cá e fez-se um aeroporto, fomos sendo exigentes com as nossas necessidades e evoluímos.
E agora? Que razões sustentam o marasmo que invadiu os espíritos dos
contemporâneos? Que motivos justificam debates e conversas de café que
não nos levam a lado nenhum, como se já não soubéssemos usar os escorpos
que outrora ajudaram a rasgar a ilha e a traçar caminhos para longe?
Acreditamos que vivemos num porto seguro e vivemos novamente a ilusão
daqueles que pensavam que a ilha subsistia sem o mundo. Perdermos
garra... Vejo gente aninhada ou mesmo prisioneira de raciocínios limitados
por outras barreiras, a exemplo do que a linha costeira impôs ao nosso passado. O tempo de querermos mais é agora. O tempo de voltar a ser novamente madeirense arrojado é hoje... Caso contrário, perderemos o mundo.
A internet não é tudo e viajar não dá automaticamente mundo. A barreira
que temos de ultrapassar é a do nosso pensamento pequeno e confinado a
uma sala de estar que não aceita o risco... Autonomia, internacionalização,
globalização, desenvolvimento económico e social são conceitos interessantes
que precisam de doses de criatividade e de risco para serem uma realidade na nossa terra. Quando efectivamente quisermos ir mais além depressa confirmaremos que as birras e os amuos, que parecem crescer exponencialmente em sectores representativos da sociedade, não passam de alimento para a falta de vontade e de coragem de ir além. O tempo de voltar a ser madeirense arrojado é hoje.
Marco Freitas
publicado por Marco Freitas às 16:46

Ser competitivo e reconhecido a nível internacional é uma tarefa árdua e exige um trabalho contínuo das empresas, países, regiões ou cidades. Davos e o Dubai são dois casos sérios de reconhecimento internacional porque souberam
posicionar-se, construir e comunicar uma imagem de marca diferenciada dos demais destinos turísticos e de negócios. Os resultados que alcançaram
devem ser um incentivo para regiões como a Madeira. Quer queiramos quer não, vivemos num mundo globalizado onde os países lutam para atrair visitantes,
investidores externos e aumentar as exportações, o que implica a actualização de posicionamentos para gerar novas associações positivas e manter a notoriedade. A Madeira não é, com certeza, excepção e como tal precisa de saber
estar e comunicar neste mundo em mutação. Para poder definir a melhor forma de posicionar a Madeira no exterior há que analisar as oportunidades, as ameaças e os pontos fortes e fracos da Região. A comunicação da Madeira para o exterior
resultará se se obedecer a uma regra fundamental: tudo tem de começar por dentro, por nós, os que trabalham e vivem na Região. O projecto tem de contar com a colaboração de muitos nas pequenas e grandes iniciativas de comunicação e de acção. A identidade é muito mais do que uma imagem, é aquilo que fomos, o que somos e o que queremos ser. Acabar com sentimentos derrotistas ou auto-depreciativos, valorizar a capacidade de enfrentar desafios, como os nossos antepassados fizeram quando rasgaram as estradas da Madeira, e anular as posturas de suspeição perante novas vias de desenvolvimento pode ser o princípio de uma nova imagem para a Madeira.
O sucesso almejado não se coaduna com o “fado português”. No mundo das novas tecnologias falar em ultraperiferia é quase um contra-senso, porque esta não é mais do que um factor físico que pode ser ultrapassado com inovação, dinamismo, presença activa nos mercados através do protagonismo das marcas e produtos de sucesso. Porque não é possível promover uma marca artificialmente, um projecto de comunicação da Madeira deverá estar em perfeita harmonia com
a gestão global da Madeira. Para isso, a articulação entre os sectores privado e público deve ser maximizada. Segundo Carlos Manuel de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing, “a imagem de uma marca é a conjugação de múltiplos factores, sejam eles de ordem pessoal e colectiva, objectivos e subjectivos, fruto de diversas experiências acumuladas ao longo do tempo, que conduzem, consciente e inconscientemente, a uma soma algébrica de atributos que, no final, nos causam um sentimento de conforto, agrado, preferência ou de desconfort/desagrado/rejeição perante essa marca”. Ora, a Região tem um conjunto de factores fortes para singrar, para ser capaz de atrair consumidores e investidores e disponibilizar serviços capazes de revalidar com
locais de topo. Para promover um novo conceito da Madeira no mundo há que responder a duas questões importantes: a) a Madeira deve ser comunicada como
um todo ou os diferentes sectores de actividade devem realçar individualmente a Região? b) A ilha deverá ser vista como um destino eminentemente turístico ou deverá potencializar e posicionar paralelamente as actividades de sucesso que
existem para além do turismo? É um facto que o turismo é uma das actividades chave do desenvolvimento da economia e que a sua importância estratégica tem influência positiva na imagem de um país, região ou cidade mas, como já é admitido, se a Madeira quiser ser reconhecida e competitiva, não só o turismo deverá explorar novas vertentes como devem ser valorizados mecanismos de atracção de investimento externo como, por exemplo, o Centro Internacional de Negócios da Madeira. Mais, podem ser desenvolvidos conceitos como o de ilha ecológica ou conectada com o mundo através das novas tecnologias ou ainda a ideia de uma ilha aberta à investigação e à aprendizagem em várias áreas,
aspectos que podem mostrar um local diferente e atractivo. Associar o nome da Madeira a eventos de grande impacto – veja-se o caso de Davos – a uma sucessão de feitos e a uma história inovadora é meio caminho andado para afirmar a ilha como local de excepção. É incontornável: uma história diferente tem vida própria, comunica, cria reconhecimento e sensibiliza. Sendo um destino aprazível a Madeira pode também potenciar factores psicológicos como o
prestígio, o relaxamento, a educação e o conhecimento, a segurança e a estabilidade. Em qualquer processo de comunicação é importante ter presente que nem tudo pode ser controlado e que nenhum país, região, cidade ou empresa
tem uma imagem favorável em todas as áreas. Por isso, é preciso rever prioridades para valorizar o positivo e transformar o negativo, porque
como diz Paulo de Lencastre, director do Núcleo de Estudos da Marca da Universidade Católica Portuguesa “a marca de um país é muito mais o fruto orgânico de uma história do que resultante de um acto de gestão, por muito iluminado que ele seja”. Por isso, é fundamental arrumar a casa, definir para onde vamos e encontrar uma plataforma de trabalho comum para partir à conquista
do futuro.
publicado por Marco Freitas às 16:45

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