Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

19
Out 05
Não posso ter uma opinião insenta sob os blogs. Primeiro, porque produzo e alimento um blog e, segundo, porque não há opiniões isentas, sem direcção.

Quando li no outro dia um artigo de opinião intitulado “Bloguistas difamadores” vislumbrei um preocupação da autora sobre os efeitos deste novo mecanismo de comunicação. Genuína... Sem dúvida!

Mas será que a análise dos efeitos do “mundo blog” justifica o menosprezo pela questão de princípio: a da sua existência?

A interessante descrição das potencialidades e riscos da utilização dos blogs, feita na primeira parte do artigo - onde se detecta o espaço de liberdade que este instrumento de informação permite -, não entronca com o ataque desferido àqueles que utilizam os blogs com fins menos claros, sob anonimato.

Senti incluso um apelo à defesa de um discurso entrencheirado em padrões ditos normais, condicionado por regras socialmente aceites, e, obviamente, sujeito a um auto-controlo comportamental que roça amiúde a hipocrisia.

A liberdade de expressão e de manifestação de ideias é tão válida para a imprensa como para os blogs. Antes dos blogs já tinhamos jornais de toda a espécie, para todos os públicos e com políticas editoriais as mais díspares possíveis, encorporando objectivos diferentes, defendendo causas, interesses e usando da sátira.

Os blogs não carregam consigo qualquer função que incentive de per si uma vontade ou intenção de prejudicar terceiros. São de facto um instrumento de comunicação, um veículo informativo que, a exemplo de outros, encorpora a boa ou má-vontade dos autores e participantes. É destes que a nossa preocupação deve cuidar.

Defender a liberdade implica querer correr riscos. Aceitar a liberdade implica aceitar que esta é um processo que aprende com o aperfeiçoamento da relação dicotómica entre o bom e o mau, entre a verdade e a mentira, a transparência e o segredo, entre a circulação aberta da informação e os actos encapuçados de censura.
A perspectiva defendida pela autora do texto a que me refiro é comprensível mas os ataques infudados a que se refere ficam sem identificação, sem a idêntica clareza que solicita aos anónimos.

Antes de se tirar conclusões precipitadas há muitas questões para colocar sobre este tema.
Há bons e maus blogs ou só blogs? Do ponto de vista do consumidor informativo, qual a diferença entre uma informação divulgada por um bloguista anónimo e aquela que um jornalista redige protegendo a pretensa credibilidade da informação sob a capa do anonimato da fonte?
Porque é que os blogs estão a ganhar terreno ao jornalismo formal e tradicional? Será que a confiança na informação transmitida pelos meios tradicionais está a diminuir?

Ao abrigo de várias teorias, princípios e interesses, os media tradicionais também não possibilitam o destilar de ódios e faltas de respeito por terceiros?

O jornalismo ainda não é uma prática profissional madura. Todos sabem disso mas a maioria não o admite... O jornalismo é um espaço de comunicação em constante evolução e adaptação. Então porque exigir dos bloguistas aquilo que um jornalista ainda não logrou alcançar?

Espero contribuir para uma reflexão séria sobre este assunto, sugerindo algumas passagens do livro “Nós, os media” de Dan Gilmor:

“De muitos para muitos, de alguns para alguns. Nestes dois casos e em todos os outros, o blogue é o meio de comunicação.”

“(blogue)... é um jornal online, composto de hiperligações e apontamentos em ordem cronológica invertida, o que quer dizer que o apontamento mais recente é o que ocupa o topo da página.”

“Será possível que a liberdade editorial absoluta conduza apenas ao caos?”

“A cobertura de importante eventos por jornalistas não profissionais é apenar uma parte da questão. O que também interessa é o facto de as pessoas teram oportunidade de falar. É um dos mais saudáveis melhoramentos nos media desde há muito tempo. Estamos a ouvir novasz vozes – não necessariamente de individuos que desejam ganhar a vida a falar em público, mas de pessoas que pretendem dizer o que pensam e o que ouviram, mesmo que só possam falar para uns poucos”.

autor identificado pelo "astrisco"
publicado por Marco Freitas às 17:47

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