Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

02
Ago 12

Este é o meu último artigo no Diário de Notícias da Madeira nos próximos tempos. É altura de me dedicar a um projecto mais pessoal ao nível da comunicação. Tal não se coaduna com a exigência e responsabilidade de escrever mensalmente para um jornal como o DNM. É tempo de repousar. 

 

 

1.

No último artigo defendia a ideia de que o jornalismo pode valorizar-se como um espaço de reflexão e não como o epicentro do ruído que resulta do excesso de informação existente nos dias de hoje. Para o bem e para o mal, a influência do jornalismo é um facto. A minha sugestão é que este seja a expressão activa do equilíbrio que falta.

 

Os casos nacionais e internacionais que marcaram o jornalismo nos últimos anos são paradigmáticos e acrescentam razões à análise ao papel do jornalismo na crise feita por especialistas como Dean Starkman, Tom Rosenstiel, Tiago Mata e Felisbela Lopes. Nessa análise realçavam aspectos que condicionam a actividade do jornalismo e os  efeitos na percepção da realidade, sendo unânimes na certeza de que, no mínimo, a antecipação e denúncia da mesma foi pouco vigorosa. Lembram que redacções mais pequenas, menos experientes e com menos tempo de reflexão são sintomas da fragilidade que coloca a profissão em cheque.

 

Nem a explosão da crise transformou o jornalismo, já que continuou a apresentar o mundo pela mesma rede fechada de fontes e de influentes comentadores, partilhando a gestão de perspectivas do status quo, a privilegiar a cobertura reactiva, a evitar as perguntas essenciais e a faltar profundidade nas análises. Em suma, a hiper-produtividade noticiosa pós-crise não tem garantido qualidade nem objectividade.

 

2.

Há algum tempo que tenho tido a honra de escrever esta coluna. Um desafio feito pelo Diário ao qual procurei corresponder com elevação, coerência, rigor e em liberdade. Há mais de 15 anos que tenho colaborado com o Diário/TSF em vários projectos. Fui jornalista na casa. Como profissional da comunicação olho para o sector com muita apreensão. O que me leva ao meu próximo desafio. Pelas características que vai ter, não será correcto continuar a escrever nestas páginas. Agradeço aos que continuamente me incentivaram. Como disse a quem me convidou em nome do Diário: Não se trata de um “Nunca” mas de um “Até mais”...

 

Marco P. Freitas

publicado por Marco Freitas às 10:34

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