Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

01
Fev 12

 

 

Veja as diferenças e decida sobre a opção jornalística do Expresso

1 de Fevereiro de 2012

 

A edição de 28 de Janeiro de 2012 do semanário Expresso, exemplo não raras vezes de um jornalismo rigoroso, tanto quanto possível perto da objectividade, mostrou que o velho ditado que diz que “no melhor pano cai a nódoa” ainda é muito válido e aplica-se inteiramente a duas opções editoriais tomadas na edição a que me refiro.

 

Sublinho, sou pouco mais que ninguém para dizer ou rebater as opções editoriais do Expresso. Faço na única medida em que sou seu leitor e consumidor assíduo e cidadão consciente de que o papel da comunicação social de informar é muito importante mas o de formar é muito mais duradouro.

 

O caso que aponto traduz um pouco do que se passa no jornalismo português nos dias que correm. E, reafirmo, o que destoa do Expresso.

 

Nesta edição, na página 3 do Caderno Principal a notícia que enchia a página trazia em título “Passos adia projeto de substituir Jardim”. Só na página 15 é que vem uma peça, a rondar o 1/8 de página, com o seguinte título: “Governo sem lista dos 1700 cargos extintos”.

 

Como digo, a autoridade do critério seguido cabe exclusivamente ao Expresso mas o resultado dessa opção, a publicação duas notícias de impacto diferente na realidade nacional e na vida difícil dos portugueses nos dias que correm, já é do foro público e por isso aberto a comentários, tanto em relação ao destaque propriamente dito quanto aos conteúdos apresentados.

 

Tenho dificuldades em entender o título e o conteúdo da notícias, se é que tal texto poderá ser entendido como tal. Desde quando é que Passos tem o direito de ter um projecto para substituir Jardim, quer no partido quer no Governo Regional da Madeira? Nunca. O assumir dessa possibilidade na notícia, se não teve outros propósitos é um erro informativo grave, na medida em que o PSD Madeira tem autonomia em relação ao PSD Nacional e, mais importante ainda,  pelo facto de Jardim ter sido eleito democraticamente pelo madeirenses para governar.

 

Nota-se por aí uma forte vontade de ignorar as regras do jogo democrático... Mas que o jornalismo seja cúmplice desse jogo é mais preocupante.

 

Comparativamente, veja-se que anúncio de Pedro Passos Coelho sobre a extinção dos cargos dirigentes bem como a negação da lista desses cargos e, pior, o atraso assumido na reforma do Estado, só mereceu a página 15. Não será esta falha do Governo, que contraria as orientações do governo Troiko, e que pisa nos esforços financeiros que os portugueses estão a fazer para suportar a despesa do País, uma informação mais importante que a ideia de um projecto partidário do PSD para a Madeira.

 

Sei que a guerra entre Jardim e Passos e vice-versa vende. Mas vender “bilhardice” não é jornalismo.

 

Continuarei a ler o Expresso mas este exemplo é mais uma das razões porque existe uma fuga crescente de pessoas para o online, prejudicando os projectos editoriais portugueses.

 

É também por esta e por outras que considero que na Madeira se faz bom jornalismo, ao contrário da ideia que se deixa verter para o espaço nacional, muitas vezes com a cumplicidade silenciosa dos jornalistas regionais.

 

É que se as empresas de comunicação social nacionais não começam a olhar para o jornalismo como uma ciência da construção do conhecimento podem esperar um futuro muito triste. É que para ler, ver e ouvir minudências bastam as redes sociais.

 

Marco Freitas

Comunicólogo

publicado por Marco Freitas às 15:05

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