Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

26
Nov 08
Nos dias de hoje, as organizações têm ao seu dispor uma parafernália de instrumentos de comunicação e de publicitação externa muito úteis para expor as suas ideias, actividades e opiniões.
A utilização destes instrumentos dependerá da capacidade intrínseca a cada organização para o fazer e, obviamente, das suas estratégias de comunicação.

É também sabido que a eficácia dessa comunicação depende sobremaneira do produto e do conteúdo que se pretende divulgar. Há, sabe-se bem, quem queira fazer comunicação sem substância…. O resultado é fácil de prever.

Porém, esta capacidade das organizações para comunicarem directamente com os seus públicos – uma actividade que actualmente colhe mais crédito do que no passado – não significa que se menospreze ou até ignore a importância de recorrer aos media. Até porque os meios de comunicação social são donos de uma credibilidade pública invejável no que concerne à capacidade para validar uma informação…

Em suma, se alguma organização se sente prejudicada pela cobertura mediática da imprensa tem bom remédio… Se considerar que essa cobertura é lesiva dos seus interesses tem mecanismos legais disponíveis e, por isso, também tem bom remédio….

Mas, usar da tribuna mediática para incitar à qualquer tipo de censura informativa ou de violência contra os profissionais da comunicação social, sejam eles quem forem, para além de constituir um falta grave e geral, certamente considerada nos nossos códigos legais, é de uma infelicidade enorme e de lamentar até à sétima geração. Fazê-lo em nome pessoal é grave mas anexar a credibilidade de uma instituição a essa falta é ainda pior…

Quando este tipo de atitude, sem qualquer tipo de classificação possível, parte de responsáveis de organizações cujo objectivo passa pela valorização e dignificação do ser humano, que aposta na formação e na responsabilidade social, que dizer do papel público que essas instituições deveriam representar? Temos por hábito dizer que o exemplo vem de cima… Pois bem, isso parece ser cada vez menos verdade, tanto no mundo desportivo com no económico e financeiro e também no político. Que exemplo está a receber a sociedade dos seus líderes?

E qual deve ser o papel dos mass media perante os ataques fortuitos à sua actividade e aos seus profissionais. Divulgar este tipo de informação? Aliás, é possível considerar declarações de incitamento à violência, em geral ou centrada numa classe, informação necessária, importante e divulgável? Tenho dúvidas… Certo é que a sua divulgação dependerá da agenda de um meio de comunicação social… Como deve ser… em qualquer circunstância.

Haverá solução possível para este tipo de situação?… Claro que há… E tudo passa pela redefinição do papel dos jornalistas na sociedade… Um trabalho que tem de ser feito com o máximo de urgência e a uma escala global… São os próprios jornalistas que devem fazer valer esta mudança… Aparentemente, até em prol da sua segurança pessoal.

De uma vez por todas, há que assumir que os jornalistas e o jornalismo não são mais um puro reflexo dos acontecimentos – se é que alguma vez foram.!!! São pessoas e um sector particularmente activos no quadro social, influentes, capazes de formar e formatar a res publica… Pede-se, assim, que sejam também socialmente responsáveis, que aprendam a medir o seu peso de influência e o impacto das suas palavras…

Pode isto significar o assumir da necessidade de alguma censura? Eu diria que não, na medida em que diariamente, em cada passo natural que um jornalista dá, que um editor prevê ou idealiza ou na linha de planificação de um chefe de redacção há pressupostos de vária natureza que influenciam o curso da informação… Censura prévia? Não, limites aceitáveis da forma como cada ser perspectiva a sociedade e o mundo que vê e que pretende comunicar… Selecção de informação, pura e simples.

Contudo, há, sabe-se bem, posicionamentos editoriais que configuram direcções propositadamente assumidas, de duvidosa base subjectiva – noto que nem toda a subjectividade é duvidosa porque exige respeito e respeita– porque recorrem a subterfúgios, de pouco rigor, de irresponsabilidade intelectual e social.

Por isso, para concluir, tornar claro aos olhos dos eleitores e da opinião pública em geral, que determinada orientação editorial será seguida face a cenas menos edificáveis, em todos os sectores da sociedade, porque estas não serão merecedoras do destaque que muitas vezes prevêem obter e conseguem atingir, não configura censura mas sim uma total transparência das regras de um jogo que é cada vez mais intricado… Um acto de elevada responsabilidade social…

Exige-se simplicidade e simplificação para se perceber os conteúdos das notícias, as razões da sua existência e dos seus timings. Só os profissionais dos meios de comunicação social conseguem e podem começar este caminho…

MPF
publicado por Marco Freitas às 12:17

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Novembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
14
15

16
22

23
25
29



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Sobre mim e autores
pesquisar
 
links
blogs SAPO