Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

29
Ago 15

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“Do you, Ambassador Zorin, deny that the U.S.S.R has placed and is placing medium and intermediate range missiles and sites in Cuba? Yes or no? Don't wait for the translation: yes or no? I am prepared to wait for my answer until hell freezes over”...

Com esta declaração, Adlai Stevenson, Embaixador dos Estados Unidos na ONU e um dos protagonistas da crise dos mísseis de Cuba, em 1962, mostrou que a resolução de uma crise não depende de prazos, não beneficia de fugas à verdade nem de meias decisões.

 

Hoje, na Madeira, vivemos tempos tão vulcânicos que poucos se atrevem a dizer em que ponto nos encontraremos daqui a um par de anos. Vivemos pressionados pelas novas agendas temáticas e sem a zona de conforto que as fronteiras geográficas da ilha antes propiciavam. Temos crises em cadeia, as nossas e as dos outros.

Como cabe neste cenário a crise da comunicação social regional, a meu ver, só um trabalho profundo de análise sobre o sector como um todo, tendo em conta o mercado, a demografia e o comportamento dos consumidores, permitirá alinhavar uma hipótese de futuro desta realidade na Madeira.

O panorama que se adivinha tem tanto de risco como de oportunidade, como mostra o rol de indicadores, muitas vezes amplificados pelos mesmos media ainda agarrados à tradição.

 

Faz sentido ignorar o estudo mundial da Google que diz que 90% dos acessos aos media já são via ecrã; ou que 4 em 5 portugueses usam a Internet através de telemóvel e que dedicam mais tempo ao telemóvel por dia (147m) do que à televisão (113m), ou ainda que cerca de 63% dos europeus usam a internet diariamente? E o facto do consumo de media via mobile (25%) estar a potenciar o crescimento da publicidade online (entre os 10 e 15% ano) e a NET como meio preferencial de activação de campanhas? O que dizer da nova aplicação do Facebook (Instant Article) que permite publicar e ler directamente no mural as noticias sem mais desvios, com o acordo de 9 grupos internacionais de Media?

 

Consequências?! Uma: acabou a zona de conforto. Os novos consumidores de media estão sobre equipados, ávidos de conteúdos, permanentemente acessíveis e não esperam pelas noticias e pelas entregas matinais. As novas gerações estão viciadas no smartphome. Os Millennials, ou Geração Y como também são conhecidos, são imprevisíveis, valorizam as experiências e secundarizam o sentido de posse. Moldados pelas novas tecnologias, estão a confundir as marcas.

 

Há soluções? Tem de haver, caso contrário a comunicação social regional definhará e com ela uma história que começou em 1821 e já leva cerca de 60 publicações periódicas criadas (base NESOS).

 

Um estudo recente da ERC sobre os consumos de mass media, vai dizendo que os jornais tradicionais são as fontes de noticia mais consultadas na NET e que os jornais nativos ainda registam baixos níveis de frequência. Dados que indiciam que a travessia do offline para o online pode compensar para os títulos com marcas consolidadas.

Pinto Balsemão sentenciou há pouco tempo que importa "fazer a transição dos antigos formatos e modos de gestão para novas formas de chegar aos leitores". Ou seja, não há mais tempo para ignorar este quadro, temos de vencer os nossos próprios custos de contexto, focar na inovação e criatividade, porque, infelizmente, em Portugal, os meios de comunicação social são marcas em ciclo descendente (com excepções), com produtos que não geram confiança. Recuperar marcas debilitadas leva tempo e exigem investimento.

 

A imprensa precisa de ser disruptiva, porque, não se iludam, a panaceia para os males da comunicação social só pode ser encontrada no universo digital. O efeito placebo de uma meia aposta no digital será de curta duração. Mais do que nunca, o sucesso das empresas de comunicação social está na capacidade de entregar novos conteúdos informativos aos consumidores de notícias, correspondendo às suas necessidades e vontades.

Uma imprensa integralmente online não tem preço de capa, actua na fidelização através de assinaturas ou conteúdos, é mais amiga do ambiente, reduz custos operacionais e assegura uma dimensão criativa que o papel não permite. É possível produzir vídeos, fazer rádio e atacar as redes sociais, ser multilingue, e atingir tanto o mercado da diáspora como do turismo e dos negócios. Online, pode-se radicalizar a mudança e reconstruir o futuro da imprensa regional, redefinir targets, atrair mais publicidade do que no offline e, consequentemente, oferecer uma oportunidade ao jornalismo.

Neste campo, honra seja feita ao DIÁRIO por ser o único meio preparado para os novos tempos

 

Contudo, as estruturas empresariais dos media estão a hesitar. Por causa dos targets tradicionais sem acesso à NET ou temos Velhos do Restelo neste sector? Não há informação q.b. para a tomada de decisão?! Descubra-se. Afinal qual é o alcance da nossa rede social online, quantos e quem são os cibernautas, os seus métodos e locais de acesso e, do outro lado do muro, quem ainda quer seguir a informação através das formas tradicionais?

O interesse pela informação “bairrista” não é negligenciável numa solução de futuro, e, quiçá, isso sustente uma zona de conforto para as edições em papel durante mais algum tempo. Mas, é a prazo! A transferência e a segmentação das redes de contacto dos anunciantes e das fontes noticiosas para o digital vai impor a necessidade de mudança. Até porque, para além dos sites nacionais ou internacionais de media, mais experientes e cativantes, também se sobrepõem aos títulos em papel as páginas de bloguers ou sites de muitos cidadãos-jornalistas, numa miríade de opções informativas outrora impensáveis.

 

Face a este quadro de mundança para o digital, entendo que os apoios à comunicação social deveriam estar focados num único propósito: o de garantir o direito ao acesso à informação pelos mais desfavorecidos e os info-excluídos. Por exemplo, criando hotspots robot para a impressão das diferentes publicações, sem custos ou com preços modestos.

 

Acredito que é possível salvar o jornalismo regional neste mundo digital que nos absorve. Mas, cada hesitação sobre a estratégia a seguir será um segundo tarde demais...

 

 

Marco P. Freitas

publicado por Marco Freitas às 20:34

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