Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

24
Jul 12

Fruto do drama que os incêndios causaram na Madeira veio ao de cima muito daquilo que tem estado em ebulição na nossa sociedade, de um forma geral e em sectores específicos. 

 

Um dos temas que me é particularmente caro é a discussão que surgiu sobre a cobertura noticiosa de calamidades como esta, os seus efeitos positivos e também os negativos. À mistura foi lançado para o debate público, incluindo nas redes sociais, a pressão política sobre os jornalistas, e a tentativa de orientar a informação nestes casos de crise. 

 

Diga-se, em bom rigor e como nota prévia, que há um manancial informativo sobre estas problemáticias e que o tema estará sempre longe de um consenso, tendo prismas diferentes consoante as realidades onde se insere. 

 

Mas há uma nota que eu não posso deixar de dar, na medida em que um dos temas habitualmente secundarizado nesta discussão é a o da "profundidade do que é e deve ser a liberdade de expressão". E essa secundarização é feita, precisamente, e com particular cuidado, pelos meios de comunicação.

 

Geralmente com razão, estes são os primeiros a insurgirem-se contra qualquer tentativa que parece coertar o seu direito e dever de informar. Nessa argumentação secundarizam - ou até ignoram -  a liberdade que assiste aos cidadãos e às organizações de dizerem o que acham sobre o que pode ou não ser útil para uma boa informação pública. A dificuldade em aceitar este argumento e esta prática, depressa compensada com alusões a tentativas de pressão, encerra uma censura à liberdade de expressão de cada cidadão ou titular de cargo público ou outros. Encerra ainda a presunção de que são os media o garante da boa e livre informação, da boa democracia, da sociedade esclarecida. Isto pode ser na generalidade correcto de se dizer... Mas, é, sem dúvida, uma forma de orientação informativa, logo de condicionamento à liberdade de expressão, que, para que fique bem claro, vem primeiro que a liberdade de imprensa. Esta só existe realmente se a primeira for uma realidade.

 

Quanto à prática jornalística relacionada com a cobertura de eventos drásticos, existem algumas reflexões importantes a fazer tento em conta o bem público, o contributo para a solução dos problemas e, como não podia deixar de ser, o interesse editorial dos meios de comunicação. É dificl dizer que pode haver um meio termo para os interesses envolvidos mas, a meu ver, terá que haver, sobre pena das tragédias serem um mero motivo para outras guerras, designadamente no campo da política, como aconteceu muito claramente com a situação na Madeira.

 

Sugestão de link

 

http://www.unesco.org 

publicado por Marco Freitas às 11:52

03
Jul 12

 

 

 

Sugestão de Verão (I): Façam um Retiro...

 

Ontem, olhei para o Dia da Região como o primeiro dia do resto deste ano complexo. Se não houvessem mais razões, a data seria motivo de sobra para sugerir um Retiro a muitos dos protagonistas públicos da Região.

 

E porquê? Porque nos dias de hoje não sabemos fazer silêncio e recusamo-nos a recuar para reflectir. Quem nunca fez um Retiro desconhece que depois de vencer o ruído interior somos obrigados a olhar de forma diferente para o mundo que nos rodeia.

 

Dizem os estudos que em conversas e troca de dados somos capazes de comunicar seis jornais completos por dia. Infelizmente, adoramos fazer uso dessa capacidade, fragilizando as nossas defesas ao bombardeamento diário  da informação!

 

Mas, na verdade, como evitar o excesso de ruído informativo se o número de emails enviados por segundo ultrapassa os 3 milhões, se os vídeos carregados no Youtube por minuto ronda as 24 horas, os tweets por dia são mais de 50 milhões e o total de minutos passados no Facebook por mês andará pelos 700 biliões?

 

Sem momentos de silêncio e boa comunicação ficam por fazer as perguntas essenciais, a reflexão que importa sobre o funcionamento da sociedade. Perdemos perspectiva!

 

Como se não bastasse, à nossa escala, o ambiente social que nos envolve enferma de duas maleitas: nota-se uma necessidade extrema de impor ideias e, paralelamente, pouca humildade para ponderar. Sem inversão de marcha, o resultado da “cacofonia” vigente na Região será trágico.

 

A bem da Madeira, espero do jornalismo um outro contributo. Como já se defende em meios académicos, numa sociedade globalizada e influenciável pelo “word of mouth” das redes sociais, o jornalismo tem pela frente a possibilidade de uma nova vida ao assumir-se como o instrumento capaz de contribuir para uma triagem informativa credível. Enfim, ser um espaço de reflexão e não o epicentro do ruído.

 

marcoasterisco@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Marco Freitas às 15:59

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