Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Ago 08
Na edição de 10 de Agosto de 2008, o Diário de Notícias da Madeira trouxe ao de cima uma das questões mais importantes para a vida da res publica madeirense: qual o rumo que pretendemos seguir…
Num trabalho redactorial exemplar, o jornalista do DNM sustenta a ideia de que estamos “Sem rumo ao fim de 30 anos”. Apoiado na opinião e na análise de três incontornáveis personalidades regionais, do mundo da política e não só, Jorge de Sousa dedica duas páginas ao balanço dos últimos tempos da política regional, fora e dentro do Parlamento. “A análise da política madeirense não conduz a resultados muito positivos. Fica a sensação de que, em 30 anos de autonomia, pouco mudou no relacionamento entre os protagonistas”, diz o jornalista, rematando que “os debates mais profundos, que se exigiam, parecem eternamente adiados…”

Apesar de concentrado no sub-sector social da política, a análise protagonizada pelo jornalista traduz claramente o que se passa nos dias de hoje nas mais diversas estruturas da vida social regional. A verdade, é que não é só na política que vivemos “sem rumo”…

No meu ponto de vista, esta peça do Diário é extremamente importante porque alerta para um apatia e para uma incapacidade generalizada que lesa a definição, o mais rapidamente possível, de um futuro estruturado para a nossa região. Neste blog tenho vindo a defender a importância de se fazer um debate imediato e profundo sobre o que queremos para a Madeira, nos mais diversos patamares da sua vida… Tenho também incitado a comunicação social em geral a usar do seu papel de responsável social para fazer esse alerta… É preciso agitar as águas… Se os decisores não percebem a importância deste debate pode ser que através da força mediática as populações comecem a exigir aos seus líderes algo mais do que meras discussões de percurso.

Tenho defendido que, como actores sociais, na sua maioria mais isentos do que os políticos e outros, os jornalistas são fortemente responsáveis pelo abanar de consciências e por colocar na agenda pública o debate sobre o futuro da nossa região, seja sobre que tema for…. Há uma imensidão de perguntas que podem e devem ser colocadas e existe níveis de resposta a exigir aos mais altos decisores da nossa terra…

A peça feita pelo Diário deixa bem patente o descrédito em que a política e os seus actores caíram, arrastando consigo todo um processo de desenvolvimento que importa redefinir, da economia à saúde, passando pela educação e justiça, rasgando os cânones até agora estabelecidos para criar novos paradigmas… Precisamos de arriscar se queremos fazer frente ao que vem aí… Mais do que uma crise económica teremos uma crise social sem precedentes se não criarmos um novo motivo para empolgar os madeirenses…

Podemos esperar pelos políticos?!… Só por aqueles que realmente parecem pensar e trabalhar em prol da Região. É nesses que devemos concentrar as nossas atenções e são a esses que a comunicação social deve dar espaço editorial. Mas, para além dos políticos, há uma imensidão de gente espalhada pelos mais diversos sectores de actividade que tem ideias, concepções e práticas úteis para o futuro da Madeira. Se a classe política legisladora dá pouco valor a opiniões externas, então parece ser altura da comunicação social ser socialmente responsável e abrir um debate amplo e diversificado sobre a Região… Agora e já. O futuro é agora…

Jorge Freitas de Sousa conclui, e bem, que “com a política regional parada, ou adormecida pelo calor do Verão, é fácil concluir que, mais uma vez, muita coisa ficou adiada para Outubro. Debates profundos sobre planeamento, modelos de desenvolvimento, política social e, sobretudo, o rumo para uma autonomia que continua a ser vista como um dogma…”

Pois é… Por isso, defendo o papel interventivo da imprensa para alertar consciências e criar uma vaga de fundo que obrigue os decisores a repensar o que querem da Madeira… Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro: alguém terá de pagar a falta de visão dos políticos de daqueles que poderiam ter mudado para melhor a vida da nossa região.

Marco Freitas
Editor do *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 10:46

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