Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

06
Ago 08
A 3 de Julho, o Jornal da Madeira dava eco de que o Diário de Notícias da Madeira e o JM haviam "assinado" um acordo para "salvaguardar o pluralismo da informação" e a co-existência dos dois jornais. Por outras palavras, a sua perpetuação no mercado.

Para o efeito, recorde-se: o JM passa a emitir os módicos 6500 exemplares, com um preço de capa simbólico (10c).
Desta forma,disse ainda o Secretário Regional da Tutela: estas alterações prendem-se com a lei da concorrência e com a perspectiva de se manter os postos de trabalho das empresas em questão.
Nessa notícia, o responsável disse ainda, que "não se trata nem de passo atrás, nem de passos à frente."
No dia seguinte, o mesmo jornal vem corrigir a peça do dia anterior dizendo afinal que não houve acordo assinado mais um "entendimento".

Sobre esta situação teci alguns comentários e dúvidas que passo a expressar por escrito:

1 - É-me indiferente, como certamente a muita mais gente, a nomenclatura que as duas partes querem usar sobre o que decidiram em conjunto, seja "acordo assinado" ou "entendimento" (embora as modalidades configurem corpos jurídicos diferentes). A verdade é que o JM e o DNM concertaram posições sobre o seu espaço no mercado.
A situação é melindrosa e tudo o que se diga poder parecer mal ou um ataque à bondade da medida. Contudo, esta medida mais do que resolver o futuro da comunicação social na Madeira preconiza um adiamento das soluções de fundo para o sector e levanta mais dúvidas do que respostas.

2 - Pode-se fazer este tipo de acordo sem consequências legais - para ambas as partes, claro? Não será uma medida anti-mercado, aquele mercado que muitos sempre invocaram para combater a existência e a gestão do JM?

3 - O que sudece com os restantes meios impressos? Não deveriam também ter entrado nesta equação que, aparentemente, resolve os dilemas da comunicação social regional, designadamente, em relação à existência e permanencia em actividade do JM?

4 - Um mercado aberto tem consequencias positivas e outras negativas. Certamente, é sempre muito dificil lidar com os amargos de boca que o mercado provaca na vida das pessoas. Contudo, adiar o inevitável, criar uma almofada de conforto para manter o actual estados de coisas é uma medida inteligente? É possivel considerar que esta irá evitar o choque que os meios de papel irão enfrentar nos próximos anos? Não era altura de equacionar medidas mais radicais para defender os postos de trabalho existentes desde já?

5 - A concorrência gera dinâmica, diferença, criatividade e motivos para valorizar uma actividade. Esta concertação tem pouco de defesa da livre concorrência. É feita ao nível da gestão, é um facto... Mas será o único que os leitores devem considerar? Onde fica o respeito pela diferença que cada jornalista impõe no seu trabalho diário?

6 - Contam as crónicas que o JM vinha provando capacidades para se afirmar como competitivo. Até que ponto é que esta alteração torna o título vendável, apetecido a investidores privados?

7 - Finalmente, olhando para o que disse o Secretário Regional sobre este acordo, de facto nada muda, fica tudo na mesma (!!). É mesmo disso que a comunicação social regional está a precisar.
publicado por Marco Freitas às 10:49

Os Jogos Olímpicos estão aí...
Ao jeito de tudo o que tem envolvido este evento, o maior centro de imprensa da história dos Jogos foi criado em Pequim. Tem cerca de 62.000m2, 4 andares e está preparado para receber cerca de 6000 jornalistas e fotógrafos acreditados entre os dias 8 e 24 de Agosto.
Para além dos muitos espaços de trabalho e das salas de conferência, o Centro inclui restaurantes, um ginásio, um espaço para massagens e até uma barbearia. Tudo isto num país cujo regime político veda a imprensa e aos seus cidadãos a mais elementar liberdade de expressão.
Será que a imprensa estrangeira poderá tecer, sem pressões, os seus comentários para além das incidências políticas sem que o Big Brother chinês intervenha? Veremos...
publicado por Marco Freitas às 10:40

Temos mantido algum silêncio no blog. Este período tem sido de reflexão. A questão que o provocou é se vale a pena manter o blog, na medida em que este tem sido pouco convidativo à participação dos seus leitores.

Temos procurado dotar este projecto de seriedade, de isenção e de uma subjectividade dentro dos limites do bom-senso e daquilo que o conhecimento técnico dos problemas nos permite comentar.
A demagogia, o populismo, a critica provocatória têm sido, propositadamente, mantidas de fora... A tentação tem sido enorme, até porque sabemos que outros blogs fizeram, e têm feito, sensação e atraído comentadores com grande frequência fruto de um posicionamento mais dado à coscuvilhice...

Não enveredamos por este caminho porque preconizamos uma abordagem ao mundo da comunicação voltada para o futuro e para o debate esclarecido e esclarecedor. Os adeptos não têm sido muitos.

Um outro aspecto tem ferido as boas intenções e o espírito deste blog: é que de facto vemos no sector da comunicação regional, a todos os níveis, muito pouco esforço para construir para o futuro um sector válido, maduro e capaz de, pelo menos, assegurar a estabilidade daqueles que trabalham no meios nos dias de hoje.

Vale a pena continuar com um blog que pretende ser um espaço de debate, de pesquisa, de lançamento de ideias precisamente no plano da comunicação?
A desculpa mais comum para uma ausência de participação é a falta de tempo. O trabalho, a vida pessoal e outras razões de agenda têm sido os motivos apresentados... Tenho, no entanto, alguma dificuldade em pereceber porque se ouve falar e se sabe que quase todos os profissionais envolvidos com a comunicação social - e não são só os jornalistas - têm uma opinião sobre o que se está a passar na Região, e não se conhece uma postura pública e global sobre o sector?
A análsie e a conclusão são simples: a vontade em se comprometer através de um testemunho escrito é quase nula. As palavras de boca levas-as o vento... Podem ser truncadas numa brisa sussurrante de uma noite quente de verão ou de uma discoteca... Mas, as desculpas são fáceis de encontrar assim...

Alguém dizia que os tempos de hoje estão vazios de compromisso porque as pessoas preferem passar pela vida despercebidas, ignorando a influencia incontornável que cada individuo provoca no universo do seu vizinho. Vivemos, por isso, num mundo sem consequências... Só de sequências...

Neste tempo que investi a reflectir sobre as valias de continuar este blog, senti a angústia de que se está a deixar fugir e a esvaziar o papel que os profissionais da comunicação social podem ter, de forma fundamental, na construção de uma sociedade madeirense.

Sou, por natureza, teimoso. E como acredito na vantagem de proporcionar um espaço de debate sério sobre o mundo da comunicação irei continuar a alimentar este espaço, a lançar provocações para discussão, a debitar informação sobre este sector.
Entre o sentimento de inutilidade e a adrenalina de produzir ideias sobre este mundo tão dinâmico quanto arenoso, e a ânsia de ver o sector evoluir, o astrisco vai procurar manter o seu papel...

Boas férias e voltem sempre
publicado por Marco Freitas às 09:39

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