Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

15
Abr 08
Como deve acontecer com qualquer meio de comunicação social (MCS), a RTP-Madeira merece todo o respeito pelo trabalho que desempenha em prol da informação e do entretenimento da população madeirense.

Aqui, na ilha, conhecemos a televisão e o mundo através da RTP-M, vivemos os grandes filmes e saboreamos a séries animadas que o canal passava. As vozes e a expressão de Maria Luís e de Armindo Abreu, só para nomear dois dos mais emblemáticos pivots e jornalistas do canal, ficaram para sempre na memória de muitos de nós.

Aprendemos tanto com a RTP-M que não nos conseguimos afastar do canal, apesar da imensidão de possibilidades oferecida pelo cabo ou pelo satélite. Por isso, somo exigentes com a sua qualidade e queremos sempre mais do canal que sempre foi nosso. Agora, nos dias de hoje, sentimos que o canal tem capacidade para oferecer ainda mais. Tem gestão séria, ideias novas, programas novos e muita dinâmica… Pode ser melhor? Claro que sim. É isso que todos os que trabalham naquela casa fazem todos os dias.

Como tal, além de muitas outras considerações a reter sobre a importância da RTP-M para a Região, tal como o número de postos de trabalho que criou, há que considerar que existe muito de injusto nesta pressão partidária contra o canal. Por vir de ambos os lados do espectro político uma das leituras que podemos fazer é que a RTP-M está a fazer um trabalho louvável de isenção, deixando os partidos à beira de uma ataque de nervos por não conseguirem impor as suas ideias editoriais.

A pressão dos partidos sobre a comunicação social parece que está a acontecer em todo o país. Será sintoma de uma classe política enfraquecida, incapaz de sair do fosso onde caíram senão através de práticas menos correctas?

Estas reflexões estão naturalmente relacionadas com as interrogações que o PS-M tem levantado sobre a política editorial da RTP-M. (É estranho que não usem o mesmo critério analítico em relação ao canal nacional).

Na primeira deslocação ao Parlamento Regional, o Director da RTP-M mostrou com clareza e objectividade que as dúvidas dos socialistas e da oposição eram infundadas e que o tratamento noticioso dos níveis da intervenção activa de cada um dos partidos e do Governo Regional.
A RTP-M marcou pontos a todos os níveis com a sua ida ao Parlamento e com o trabalho de análise que fez. Contudo, dados divulgados pela ERC reacenderam a sede de desforra dos socialistas que, obviamente, não leram com atenção os quadros da ERC, ou melhor, como é natural nos partidos, sem excepção, limitaram-se a fazer a leitura superficial que lhe interessa.

Ora, com base nos quadros da ERC a que pude aceder, sobre o número de presenças nas peças da RTP-M por instituição político-partidária, tiramos algumas conclusões que importam referenciar.

A primeira nota é que o quadro que inclui todas as presenças do PS (nacional e regional) emitidas no telejornal, entre Setembro e Novembro de 2007, mostra que o resultado parcial de 15,9%, a que se atribuiu uma deficiente representação do PS, afinal de contas, face ao total das pelas emitidas, não correspondia à verdade dos números pois essa representação devia ser lida como de 22,7%. Assim, a tendência divulgada por Leonel Freitas encontrava paralelo nos dados da ERC.

Procurou-se perceber melhor os quadros da ERC que, claramente, apresentam uma ausência de dados confrangedora e impeditiva de uma melhor análise de conteúdo, em particular para uma entidade de tamanho calibre e responsabilidade.

É porque nestas coisas da análise da cobertura noticiosa o conteúdo também deve ser analisado e não somente o registo quantitativo das notícias e das referências. É muito pouco para apurar os verdadeiros efeitos de uma cobertura noticiosa.

Pergunta-se, por exemplo, o que é que a ERC quer significar com a representação dos partidos “em discurso directo ou indirecto…”? Foram só contabilizadas as referências de jornalistas, incluindo o PIVOT, ou também as vezes em que um partido se referiu a outro? Indo mais além, será que a ERC contabilizou as vezes em que o PS-M se referiu ao PSD-M ou a AJJ?.


Consideremos também as diferenças nos dados da cobertura noticiosa.
A ERC elaborou um relatório entre os meses de Setembro e Novembro de 2007 e a RTP-M debruçou-se sobre os meses de Outubro de 2007 a Janeiro de 2008.
Mesmo que os dados mais completos agora disponibilizados pela ERC correspondam aos indicadores do canal regional, não é por demais evidente que não se podem comparar tempos diferentes? É pena que o PS-M não tenha percebido esta discrepância. Com certeza, se o tivesse feito, teria sido mais comedido nos seus reparos.

Uma outra diferença é visível no tipo de análise mostra que não se deve comparar o incomparável… A ERC optou por apresentar em valores absolutos o número de presenças nas peças por instituição político-partidária e a RTP-M mediu a cobertura em minutos. Será irrelevante esta diferença?

Acredito que um partido, seja ele qual for, prefira ter mais tempo de informação do que número de referências, até porque este último dado não é sinónimo de maior visibilidade, essa sim, medida com maior propriedade pela extensão temporal de uma peça. Isto para dizer que só uma análise de conteúdo mais específica às peças noticiosas permitiria ao PS-M considerar-se, ou não, vítima das políticas editoriais da RTP-M.

Uma terceira diferença de critérios analíticos é demonstrativa de que a oposição poderia ter tido mais alguma contenção nas considerações que fez sobre a RTP-Madeira. Ou seja, referimo-nos aos critérios usados para catalogar as entidades abrangidas na análise.
Por um lado, a ERC considerou um plano de referências mais abrangente desde os partidos, aos secretários regionais, aos directores regionais e a outras entidades ligadas ao governo, por outro a RTP-M considerou para análise a agenda dos partidos e os secretários regionais como parte integrante do governo. São critérios discutíveis, obviamente. Mas são diferentes e, por isso, incomparáveis. Mas, é ainda discutível porque se se considerar para análise a presença de todos os membros dirigentes de um governo, seja ele qual for, é absolutamente natural que o número de referências seja substancialmente superior. Se somarmos a isto a capacidade de iniciativa dos governos face às oposições mais letárgicas, depressa concluímos que os canais de televisão não têm outro caminho a seguir…

Apesar de todas as anteriores considerações, decidiu-se, comparando o comparável, aprofundar a análise quantitativa ao quadro da ERC, tendo-se chegado a quatro conclusões de enorme relevância e que, mais uma vez, nos faz estranhar a atitude do PS-M em relação à RTP-M.

Primeiro, somamos todas as referências dos partidos da oposição contra as do PSD e do Governo Regional. O resultado é este: 461 presenças para a oposição e 400 para o PSD e Governo. Ora bem, segundo os dados da ERC, a oposição em bloco não perde para Jardim.

Segundo, considerando que a anterior análise era global e, por isso, capaz de deturpar a realidade, restringindo esta contabilidade ao universo regional. O resultado foi este: oposição regional 374 presenças e o PSD e o Governo pouco mais 386. Um equilíbrio importante e que contraria as criticas feitas à RTP-M.

Terceiro, ainda dentro da lógica de que o adequado é comparar o comparável, entendeu-se correcto comparar as presenças entre os dois maiores partidos regionais. Segundo a tabela da ERC o número de presenças do PS-M foi de 121 e o PSD-M de 118.
Eis um dado que temos dificuldade em perceber como passou ao lado do PS-M. Um dado que só por si aconselhava alguma contenção política e verbal ao partido. A diferença não é enorme mas mostra o PS-M com mais referências, o que é extremamente interessante se considerarmos que as estruturas partidárias em questão têm máquinas de propaganda substancialmente diferente em termos de eficácia e de actividade. Logo, como foi possível que este dado passasse ao lado dos observadores?

Finalmente, em quarto, optamos ainda por comparar as referências ao PS nacional e ao PSD nacional nos telejornais da RTP-M, segundo a tabela da ERC. Este foi o resultado: PS teve 15 presenças e o PSD 14. Palavras para quê?

Uma nota complementar sobre o nível de referências ao Governo Regional que, em momento algum, pode ser tema de comparação já que se trata de uma entidade única.
Fará algum sentido que um partido ignore que um Governo, qualquer que ele seja, tenha mais presenças nos alinhamentos dos telejornais? Não é assim nas emissões nacionais? E faz sentido. Por norma, é um governo que tem a iniciativa política e de acção; é o governo que está mais vezes debaixo do escrutínio da comunicação social, por vias positivas ou negativas (análise qualificativa que a ERC tb não realizou).

Tendencialmente, as oposições têm uma agenda menos eficaz porque seguem a reboque dos governos, agem por reacção. Acontece no espaço nacional como também acontece na Região. Aliás, temos vindo a assistir a fortes criticas de jornalistas da imprensa ao comportamento dos partidos que condenam a postura dos jornalistas mas que se recusam a admitir que têm uma deficiente capacidade para criar factos políticos, esses sim, merecedores de espaço editorial adequado.


Uma outra nota sobre a ERC. Parece-nos pouco profissional e correcto que a ERC liberte este tipo de dados sem uma análise mais cuidada e mais profunda. O efeito das notícias na opinião pública é resultado de um conjunto de condicionantes, onde se incluem o tempo da notícia, o seu alinhamento no conjunto do telejornal, a apresentação do pivot, a reportagem em si e as intervenções directas dos protagonistas políticos.
A quantificação é importante mas é só uma parte de uma análise que ajuda a definir se efectivamente uma cobertura noticiosa foi mais favorável, neutra ou desfavorável a determinada organização. Por isso, perguntamos: terão os partidos condições para atacar o trabalho que a RTP-M tem feito ao nível da informação? A reposta é óbvia.


O *astrisco*

Quadros da ERC no site
http://astriscocomunicar.com.sapo.pt/
publicado por Marco Freitas às 15:05

14
Abr 08
Um congresso partidário, de qualquer partido, devia ser sempre um momento importante para a sociedade porque as decisões e estratégias que resultam de tais reuniões magnas certamente influenciam a política global desenvolvida pelo partido e, consequentemente, a vida das populações em redor da sua esfera de influência. Isto é mais verdade quanto maior a relação do partido com a governação de uma localidade. Actualmente, em Portugal, temos como exemplos, entre muitos outros casos nas autarquias, o PSD-Madeira e do PS-Nacional e açoriano.
Independentemente do ambiente político e partidário que envolve um congresso, o mais importante são os seus resultados, designadamente ao nível do que o partido pensa oferecer à população. Contudo, não raras vezes, são as intrigas políticas e partidárias que despertam a curiosidade, que atiçam as más-línguas e que fazem mover a comunicação social especializada no sector.

O que se passa no interior de um partido deve ser gerido dentro do partido – o direito à privacidade está consagrado na lei e nas regras socialmente definidas. Mas, os partidos não podem nem devem esquecer os milhares de eleitores que lhes garantem vitórias eleitorais – e por inerência tantas outras coisas – porque esses precisam de saber, têm o direito de saber o que move actualmente uma organização partidária e como pensam os diversos sectores da res publica.

Podemos incluir neste quadro de divulgação pública as guerrilhas internas? Se se considerar que as suas consequências mudam substancialmente a vida dos eleitores: Claro! Estes têm direito a conhecê-las.


Vejamos o caso actual do PSD-M.
Dizia-se que este seria um dos mais importantes congressos para o PSD-M. Certamente (!), mas acho que deveria ser interpretado como o mais importante congresso para os madeirenses.
As guerrilhas têm piada para quem está de fora a assistir “na desportiva”, através da comunicação social, para os fãs da política e, naturalmente, para os participantes do Congresso… Contudo, estas batalhas internas raramente asseguram o esclarecimento necessário sobre os políticas que o partido deve prosseguir para o desenvolvimento de uma localidade, porque a concentração dos protagonistas está fixada em “coisas menores”, mais individualizadas e personalizadas, digamos que ao nível dos interesses pessoais. Para os eleitores não basta ser-se conhecido publicamente para se saber qual o projecto estratégico que um potencial governante (e no PSD para mim são todos) tem, por exemplo, para a Madeira.

O partido em questão tem muito que fazer internamente mas não pode descurar a sua missão de responsabilidade social. O PSD-M tem praticamente todos os méritos sobre as políticas de desenvolvimento que a Madeira realizou e, simultaneamente, toda a responsabilidade de assegurar o melhor futuro da Região. Existem poucos madeirenses que já não estejam a sentir o peso da crise económica (A LFRA ou mesmo a diminuição de fundos não têm a culpa de tudo).

Como tal, este conclave social-democrata, para além das questões da sucessão e da organização interna do partido, deveria ter considerado como trave mestra a definição e anúncio de um documento de fundo sobre os vários sectores da sociedade, as problemáticas que os atingem e as respectivas e necessárias soluções, estabelecidas com seriedade, realismo e inovação. Nem que para isso fossem precisos mais dias de trabalho. É porque já basta de falar na necessidade de um novo ciclo. Estamos a vivê-lo e, porém, não vislumbramos uma estratégia de longo prazo para a manutenção das actuais condições de desenvolvimento da Região.

Dito isto, importa ainda considerar outro pormenor.

Um dos aspectos fundamentais deste tipo de encontro é a sua comunicação com a Opinião Pública que, normalmente, é feita através da comunicação social. Sobre estes encontros, refira-se, a comunicação social apresenta um sentido aguçado para encontrar as fraquezas dos protagonistas. Mas, no fim de contas, entre os partidos e a comunicação social há geralmente um encontro de interesses que acaba por resultar, na prática, num grande espaço mediático sobre as mais diversas incidências do Congresso.

Para a opinião pública esta é a forma possível de ficar a conhecer o que se passa entre aqueles que aspiram à governação, apesar dos partidos terem outros meios para comunicar com os eleitores. O seu uso é muitas vezes defeituoso e ineficaz porque, na generalidade, são limitados ao nível dos conteúdos, orientados e tendenciosos, consequentemente não beneficiam da credibilidade fornecida pelos meios de massas. Afinal é o que os políticos e os partidos procuram quando tentam capitalizar a presença dos media.

Por isso, a comunicação social é, sem margem para dúvida, o único meio útil para percebermos, com um maior nível de isenção e percepção, o que se passa num congresso. Por vezes, desempenham um papel menos pró-activo e formador quando insistem em focar nas tricas partidárias internas relevando para planos inferiores as razões pelas quais os partidos deviam existir e trabalhar: a estabilidade social e o bem comum. Aliás, comungo da ideia de que este tipo de abordagem “politiqueira” também contribui para o enfraquecimento da actividade política e para o descrédito de muitos dos seus actores.

Como tal, por todas as razões que temos invocado, a decisão do PSD de fechar a fase de debate à comunicação social é questionável, apesar da legitimidade que assiste ao partido pelo facto de se tratar de uma reunião interna, onde se discutem estratégias políticas contra ou a favor de determinadas políticas, partidos e lobbys.

De facto, para o partido poder discutir mais à vontade as questões que o apoquentam, o fecho à comunicação social é uma medida útil. Tenho, no entanto, dúvidas que tenha sido esta a principal razão para a opção do partido. As questões lançadas por alguns jornalistas sobre esta situação fazem todo o sentido. Ainda assim, se atendermos ao funcionamento humano nestas situações, temos dúvidas que vingue a cultura do segredo ou de secretismo à moda dos conclaves romanos. Ou seja, aos poucos os jornalistas terão as fontes necessárias para conta o que se passou no congresso.

Sou de opinião que esta estratégia só contribui para o fluir das intrigas, das interpretações enviesadas e para a especulação, em suma, tudo aquilo que o partido dizia querer evitar. Por outras palavras, com um pouco mais de trabalho e alguma criatividade, a comunicação social só terá a ganhar com esta decisão do PSD pois terá espaço para congeminar os cenários que melhor se enquadrem à cena do momento.

Diga-se, ainda, que este tipo de cultura de secretismo não favorece a transparência, conceito tão necessário nos dias de hoje aos partidos, porque os eleitores, influenciados pelo espírito do consumidor exigente, estão mais atentos.

Aproveitando o precedente aberto pelo PSD, talvez fosse altura para a comunicação social regional também começar a dizer não aos políticos, aos partidos e as actividades meramente propagandísticas que costumam cobrir à luz do principio tácito de que se deve cobrir tudo o que os partidos fazem para evitar perder declarações importantes.

Há muito que a comunicação social selecciona as notícias do foro económico, social e cultural, um comportamento editorial que não encontra paralelo na política. Ora, aproveite-se o precedente aberto pelo PSD para dizer que nem sempre a comunicação social está disponível e que, em determinados casos, determinou mesmo que a iniciativa partidária era irrelevante, redonda e sem novidade.


O *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 11:34

11
Abr 08
As XI jornadas de ciências da comunicação que tiveram lugar no início de Abril na Universidade do Minho em Braga, subordinada ao tema “Verdade ou Consequência” lançaram para o debate temas de elevada importância, nomeadamente a nova visão sobre a profissão do jornalista, sobre o próprio jornalismo per si e questões internas dos órgãos de comunicação social. Um dos temas mais quentes em debate foi a manipulação dos media por parte do poder político e mais recentemente, por parte do poder económico, também este condicionador da actividade política. Tema caro, polémico e nem sempre bem entendido.
Mas vamos por partes: do leque de jornalistas e responsáveis editoriais que participaram na iniciativa minhota, todos, ou quase todos, foram unânimes em referir que existe, efectivamente, manipulação da informação nos órgãos de comunicação social. No entanto, esta dita manipulação assume várias formas de actuação, nomeadamente à torrente de informação dos nossos dias. Hoje existe tanta informação disponível para assimilar que, ela própria encerra em si uma forma de manipulação. Escolher a informação que nos interessa e que nos dá jeito não é tarefa fácil hoje em dia.
A problemática começa logo nas fontes. Existe um leque alargado de fontes de informação. Mas o problema não reside propriamente aqui, reside, isso sim, no facto de estas fontes não serem isentas. As fontes nunca são desinteressadas, como referiu Pinto Balsemão, têm sempre um móbil quando divulgam ou difundem determinada informação. Agem sempre com um objectivo em mente, para condicionar determinada forma de abordagem de determinada temática. No meio deste “nevoeiro informativo” existem alguns profissionais, nomeadamente do audiovisual, que acreditam que a manipulação existente não é deliberada, ou seja, estes profissionais e outros, ainda acreditam na independência e na autonomia da profissão de jornalista. José Pedro Marques, profissional da RTP lançou uma questão importante para o debate. Falou das estatísticas como fonte credível de informação. Porém, não há qualquer preocupação em explicar aos leitores/espectadores/ouvintes o que está por trás das estatísticas. O que importa é dar a notícia em primeiro lugar. Até aqui tudo bem. Contudo, os profissionais da comunicação social têm também de ter presente que, actualmente, existem novas funções que têm de assumir num mundo globalizado da informação: ou seja, hoje em dia dar a notícia em primeiro lugar já não é apanágio do jornalista, essa tarefa fica para as agências de informação, mas sim explicar essa mesma informação ao leitor/ouvinte/espectador/cibernauta. Os parâmetros comunicacionais dos profissionais da informação estão em mutação, a adaptação deste mesmos profissionais a estas novas “regras” é que vai ditar se o profissional está em condições de sobreviver neste novo mundo comunicacional.
Paulo Baldaia, director da TSF, argumentou que um dos sectores mais vulneráveis a esta manipulação é, sem dúvida, o sector da Justiça. As notícias “apetecíveis” deste sector da vida social são muitas vezes vítimas de má interpretação por parte dos profissionais da comunicação social. Deliberadamente ou não. Condenam-se pessoas na praça pública sem a respectiva decisão judicial transitar em julgado. Desta forma, presta-se um mau serviço à sociedade. São muitas as pessoas que aprendem a pensar através dos meios de comunicação. É através deste forma que muitas pessoas lêem o mundo e se inteiram das novidades. Ora, se há divulgação de informações erráticas em processos judiciais por parte dos profissionais da informação está-se a prestar um mau serviço ao país, nomeadamente às pessoas e aos próprios tribunais. Para este responsável da TSF, há cada vez menos jornalistas especializados. Hoje em dia a polivalência que caracteriza o profissional da comunicação social não é lá muito abonatória para que se faça a devida filtragem de informação que chega das fontes.


Jorge Paraíso
publicado por Marco Freitas às 14:14

Os jornais online contribuíram para aumentar os leitores da imprensa escrita e não para os diminuir, de acordo com um relatório do centro de pesquisas Pew Research, contrariando a tese de que a tecnologia vai provocar o declínio do jornalismo tradicional. Segundo o centro de pesquisas, a circulação dos jornais diários impressos desceu 2,5 por cento em 2007 nos EUA, mas os leitores mais do que duplicaram, tendo em conta a audiência constituída pelos leitores exclusivos dos sites dos jornais na Internet.

In, “Dica da Semana”, edição 320.
publicado por Marco Freitas às 14:13

As XI jornadas de comunicação serviram igualmente de rampa de lançamento de mais um título para o mercado intitulado “O jornalista em construção”. Joaquim Fidalgo, o autor da publicação, aproveitou com este seu novo trabalho para lançar algumas luzes sobre o futuro da profissão de jornalistas. Para este docente e investigador na área a comunicação, a profissão de jornalistas, ao contrário do que muitas pessoas afloram, não está em vias de extinção. Tem de haver, isso sim, uma reformulação da sua vocação num cenário em que existe uma cada vez maior circulação da informação. Para JF, o jornalismo tem, isso sim, de enveredar mais pela vertente da interpretação, sinalização para a navegação no mar da informação, ajudar as pessoas a saber ler o que lhes é apresentado, mais do que revelar dados. Essa função, actualmente, cabe mais às agências de informação e comunicação.


Jorge Paraíso
publicado por Marco Freitas às 14:13

08
Abr 08
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publicado por Marco Freitas às 11:58

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publicado por Marco Freitas às 11:53

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publicado por Marco Freitas às 11:47

07
Abr 08
Nos últimos tempos, a comunicação social regional tem sido alvo de algumas polémicas, praticamente todas envolvendo a classe política e os partidos.
O PS quer um debate parlamentar sobre o Jornal da Madeira e a actuação do Governo em relação a este título; o PS-M quer ouvir novamente o director da RTP-M no Parlamento regional a propósito de uns números que a ERC divulgou e que contrariaram o que Leonel Freitas disse numa anterior audição; pelo meio consideremos a decisão do PSD de fechar portas à presença da comunicação social no congresso.

O poder e os níveis de impacto que a comunicação social foi atingindo é, sem dúvida, extremamente atractivo, designadamente para os partidos e os políticos que anseiam o poder e o governo da população.

A comunicação social proporciona um amplo e incomensurável campo de comunicação e de transmissão de mensagens, razão pela qual se compreende o recurso – muitas vezes abusivo – aos jornalistas para fazer passar a suas ideias.

A função social e formadora da comunicação social – que a meu ver deviam ser as traves mestras do jornalismo – convida os jornalistas a abordarem, sem medidas, a actividade política, sob os seus diversos prismas, e a divulgar, por dever, aquilo que captam junto da opinião pública. Falamos da nobreza do jornalismo, do seu papel de cidadania e de responsabilidade social.

Os políticos aprenderam a tirar partido desta força/fraqueza dos media e a contribuíram sobremaneira para viciar o jornalismo político que se faz.
São os próprios jornalistas que o dizem: “é um problema endémico da Madeira: televisão, rádio e jornais têm, pelos vistos, obrigação de dar voz aos partidos – haja notícia ou não, e os políticos ainda se queixam”. (Luís Calisto, in Análise, 2 de Maio de 2008).

No mesmo texto, o autor apresenta ainda a solução que certamente quase todos preconizam e poucos assumem a resolução: “é que os telejornais - e os jornais – devem ser espaço de notícia, reportagem, análise, entrevista, dependendo de critérios editoriais desenhados dentro de linhas jornalísticas profissionais e éticos. Não devem ser encarados como nova versão dos tempos da antena… Ora, se os políticos entenderem que têm direito a mais espaço para difundir a sua obra, pois reservem horário para uma, duas, seis horas de emissão por sua conta. Afinal quem é que legisla?.. Mas, deixem lugar para o jornalismo duro e puro”.

Tenho defendido uma revolução a este nível porque sabemos que outras áreas do jornalismo perdem espaço para a política. Infelizmente.
Tenho a sensação de que todos perdem com esta situação: os políticos perdem porque expõem frequentemente os seus erros, já que estes são preferidos pela imprensa; perdem os meios de comunicação porque a opinião pública está cada vez mais farta de politiquices, perdendo audiências e afastando-se dos públicos de futuro; perdem os espectadores, os ouvintes e os leitores, porque não beneficiam da grandeza do jornalismo nem da sua capacidade de informar e forma com grande isenção.

A pequena revolução que defendo passa por um acordo geral entre as partes para a redacção de uma “carta comum” que assegure aos media capacidade de escolha sobre as realidades que podem ser notícia e que faculte aos políticos instrumentos para um aumento da credibilidade que lhes falta junto da opinião pública. É claro que para isso será necessário um grande altruísmo de ambas as partes e uma grande unidade das classes envolvidas em volta dos princípios traçados.

Depois de tudo o que foi dito, quanto à RTP e ao Jornal só uma nota rápida para dizer que é altura de se criar na Madeira um organismo isento de análise a estas situações para afastar os políticos de uma vez por todas das tentações desta luta de poder mediático e para oferecer aos jornalista uma efectiva protecção sobre as pressões de que são claramente alvo. Mais, seria uma organização que sustentada em argumentos técnicos poderia agir junto de ambas as partes para evitar parcerias pouco saudáveis.
publicado por Marco Freitas às 16:53

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