Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

17
Fev 08
A demissão de Alberto João Jardim a 19 de Fevereiro de 2007 pode ser considerada um momento memorável na história recente da democracia nacional e regional. Na essência, porque um partido há imensos anos no poder resolveu – por decisão do seu líder – colocar-se numa posição de alguma fragilidade, no sentido de que uma corrida eleitoral é um processo dinâmico, pouco ou nada linear, um exercício subjectivo e sujeito a erros estratégicos. A sondagem que se diz ter sido pedida por Jardim para sustentar a sua decisão certamente não prometeu uma vitória absoluta.
Ir a eleições naquela altura, com todas as suas implicações, foi também uma decisão histórica porque comportava riscos dignos de registo. Desde logo, o quadro económico, social e político da Região. À data, para além da discussão sobre as condições económicas da Madeira, em consequência do debate sobre a LFRA, agudizou-se o chamado “contencioso com os Governos do território continental”, alimentando-se argumentos divisórios à unidade social entre povos de uma mesma nação.
Tudo isto aconteceu nos corredores do poder e também nas páginas dos jornais. Os meios de comunicação social foram palco preferencial de um debate aguerrido que culminou na demissão de Jardim, nas eleições antecipadas e na vitória retumbante de um partido.
Mas se a realização mais ou menos inesperada de um processo eleitoral podia oferecer perigo à maioria, os restantes partidos também tiveram de enfrentar a urgência da situação. Aparentemente, com excepção do CDS/PP, que convivia com uma situação interna difícil e apresentou-se ao eleitorado numa posição dúbia em relação à LFRA, os restantes partidos evidenciaram linhas estratégicas sem “meias-posições”. No global, considera-se que os partidos conseguiram dar uma resposta rápida às exigências da ocasião, sendo que a medida da sua eficácia ficou medida na noite das eleições, a seis de Maio. Estes aspectos da vida dos partidos foram reflectidos na comunicação social regional.


A relação de proximidade dos jornalistas com o universo político tem sido profusamente abordada por especialistas de vários campos e de várias ciências sociais, sob diversos prismas. A comunicação social regional não difere, neste aspecto, da restante nacional ou mesmo internacional. O que leva a perguntar, nos limites, se seria possível que os políticos sobrevivessem como tal sem o mundo mediático ou se os media se habituariam a não favorecer o espaço político. Isto para dizer que há uma reciprocidade de interesses entres as duas classes sociais e profissionais que, do lado positivo, podemos perceber um fim altruísta e social mas, do outro lado, daquele que traduz a ambição desmedida dos protagonistas, um uso direccionado, espartilhado e até anti-social.
Mais do que os espaços próprios da discussão da res publica, desde as assembleias de freguesia à Assembleia da República, ou ainda aos espaços socialmente activos das organizações associativas, a comunicação social posiciona-se como o palco preferido da política para se expressar, para influenciar a sociedade, as suas decisões e evolução.

Estas eleições antecipadas na Região tinham todos os condimentos para ser um alvo preferencial da agenda mediática. Aliás, um dos motivos que nos levou a realizar um trabalho de pesquisa e respectiva leitura analítica sobre este período mediático. Em tempos tão agitados, o esforço logístico dedicado às eleições, as transformações do espaço editorial, as escolhas editoriais e os temas envolvidos são aspectos interessantes da actividade jornalística, certamente, merecedores de estudo.
Marcou-nos a curiosidade de tentar descobrir quem e o que determinou a agenda temática da comunicação social regional. A dedicação da comunicação nacional ao tema foi, aliás, um sintoma de quanto este período merecia ser alvo de uma análise cuidada. Confesso que à data olhei para a logística nacional na Madeira sob o prisma de que falta temas polémicos na imprensa do rectângulo e, por isso, as eleições da Madeira eram um elixir interessante para os editores, até porque se centrava no impacto e na explosão informativa resultante do debate entre dois políticos de peso, como Jardim e Sócrates.
Em 84 dias registamos 2680 peças editoriais/informativas relacionadas com eleições antecipadas de 6 de Maio de 2007. Destas 1555 (58%) foram publicadas pelo DNM e 1125 pelo JM (42%). Em termos globais podemos dizer que não houve uma grande diferença em termos quantitativos na cobertura informativa do período em questão entre os dois títulos envolvidos no estudo.
A análise às fontes presentes nos trabalhos informativos revelou que 1684 foram de origem política. Logo depois surgiu como fonte preferencial a própria imprensa com 653 peças. Uma nota interessante da intervenção do sector na realidade social e política da altura. Um outro dado curioso está ao nível de referências nos títulos dos intervenientes activos da campanha em geral. Do total das referências em títulos, o PS foi quem obteve maior número (185), logo secundado pelas referências a AJJ (181). As referências ao PSD ficam aquém dos anteriores protagonistas (122) sendo que o CDS tem praticamente o mesmo nível de referências (117).
Uma das notas de relevo é que Jacinto Serrão, líder do maior partido da oposição, apresentou um número de referências tão baixa quanto do PND, pequeno partido que se lançou nesta campanha sem grandes pretensões e sem estratégias megalómanas de propaganda. Ou seja, Serrão obteve 56 referências em título e o PND 52. Todos os restantes partidos tiveram mais referências que estes (BE – 89; MPT-95; e CDU-94).
O trabalho de análise ainda não está concluído mas é nosso objectivo elaborar um trabalho rigoroso e sério que permita um registo digno daquele período importante da história democrática da Região.

Hoje colocamos no blog alguns dos textos analíticos que fomos produzindo ao longo deste ano e que deixamos à disponibilidade para serem comentados.
publicado por Marco Freitas às 10:50

As diferentes problemáticas que afectam o bem-estar da população são geralmente abordadas
publicamente de uma forma avulsa porque dependem das agendas próprias dos partidos, de algumas organizações específicas ou do impulso da comunicação social.
As excepções são os períodos eleitorais. Nestas alturas, os protagonistas políticos e a comunicação social colocam em debate, num reduzido espaço de tempo, um amplo leque de questões públicas.
Os objectivos dos políticos e da comunicação social nestes períodos não são os mesmos mas
a amplitude daquilo que é discutido nos períodos eleitorais é da responsabilidade de ambos os
lados. Acontece, por vezes, que as campanhas são marcadas por um tema ou uma orientação temática mais vincada. Era o que se poderia esperar da campanha que resultou da demissão de Alberto João Jardim. Parece ser consensual que foi a polémica Lei das Finanças das Regiões Autónomas que provocou, de forma aberta e efectiva, a demissão de Jardim, ainda que associada a esta demissão tivessem existido outros objectivos políticos e uma agenda própria do presidente do Governo Regional da Madeira.
A partir desse momento histórico seria expectável que a pré-campanha e, particularmente,
a campanha fosse muito vinculada às questões económicas, designadamente aquelas relacionadas com a LFRA. A análise efectuada até ao momento diz-nos que na pré-campanha este foi um dos temas em foco mas que no tempo de campanha propriamente dito a temática passou ao lado de alguns partidos e também da comunicação social. Assistimos à discussão dos temas habitualmente debatidos em campanhas políticas. Ou seja, quase todos os que dizem respeito à vida diária e palpável dos cidadãos. Por outras palavras, se não fosse o ambiente escaldante que marcou o período em questão, fruto de várias condicionantes como a escalada do clima desagradável entre o Governo da República e o Governo regional, a agressividade discursiva entre os partidos na região, o longo período de pré-campanha que se
iniciou praticamente com o pedido de demissão de Jardim, a falta de preparação dos partidos com a consequente ausência de estratégias de propaganda bem pensadas e estruturadas (alguns dos cartazes criados foram francamente infelizes) e a avaliar pelos temas e soluções que os partidos colocaram na praça pública teríamos tido uma campanha política absolutamente normal.
O enfoque dado pela imprensa nacional às eleições na Madeira foi mais um factor de
pressão e de diferenciação relativamente a anteriores actos eleitorais na Madeira.
No plano da análise que efectuamos à comunicação social regional diária sobre as eleições
antecipadas na Madeira, o *astrisco* debruçou-se, também, sobre as temáticas e as polémicas que marcaram a campanha, com especial ênfase para o dia 23 de Abril, data que assinalou o início da campanha na comunicação social impressa. Um olhar sobre os artigos desse dia traduz muito do que viria a acontecer durante a campanha e resume o que se havia passado durante a pré-campanha (que para todos os efeitos começou logo que Jardim se demitiu). A primeira página do dia 23 no Diário de Notícias da Madeira não deu relevo específico ao início do tempo de campanha, nem mesmo com uma chamada, mas não deixou de noticiar sobre a segunda volta das eleições francesas.
Apesar disso, o primeiro “caso de campanha” está na primeira do dia 23 e decorreu de um incidente começado na pré-campanha. É o caso que ficou conhecido como “a excursão de Santo António” do dia 25 de Abril. O passeio que estava a ser organizado pela junta de freguesia para celebrar o 25 de Abril e para o qual Alberto João Jardim confirmara a sua presença deu polémica quando a Comissão Nacional de Eleições o considerou “pouco oportuno”, já que aconteceria em plena campanha. Marcelino de Andrade, presidente da junta de Freguesia, acatou a decisão, acusou o PS de denunciar o passeio e viu ser exposta uma tarja perto da junta atacando os "responsáveis" pelo sucedido. Apesar da posição da CNE, o passeio realizou-se mas com o apoio financeiro de empresas locais, como mais tarde também foi notícia. De certa forma, a não referência explícita ao novo período do processo eleitoral e a chamada à primeira página de um tema quente da pré-campanha revela que não houve variação de maior nas diferentes partes do processo eleitoral desde que Jardim se demitiu. No fundo, os partidos entraram em campanha desde a primeira hora.
A comunicação social reflectiu um pouco esta continuidade apesar de ter criado nas suas páginas rubricas específicas para definir o processo eleitoral. Fê-lo durante a pré-campanha e também durante a campanha. No período em questão, o DNM criou um espaço específico que denominou de “campanha eleitoral” onde inseria os artigos directamente relacionados com as acções de campanha. Para além disso, manteve um espaço de índole mais geral a que chamou de “Eleições regionais 2007”, onde cabia muitos assuntos relacionados com as eleições mas paralelos à agenda dos partidos em campanha. O DNM criou ainda dois espaços de comentário sobre os temas da campanha, um dedicado aos partidos e outro a líderes de opinião. No primeiro
caso estamos a falar da rubrica “Convém esclarecer” que, em suma, era uma oportunidade para
os partidos explicarem em pormenor temas e propostas que apresentaram. No segundo caso,
era um espaço dedicado a uma breve opinião sobre um tema, efectuado por líder de opinião ou
alguém ligado a organizações representativas na sociedade regional. Outro dado interessante foi
a criação de logótipos próprios para assinalar as páginas que diziam respeito à campanha. Uma
urna de voto com a bandeira da Madeira e uma mão a simbolizar o gesto de voto foi o símbolo
que o Diário escolheu para apresentar no topo das páginas e em algumas caixas de notícias.
Em relação à pré-campanha, o discurso dos partidos não trouxe inovação de monta. Talvez uma
maior agressividade discursiva e de tom, comum nos últimos dias que precederam à decisão suprema do eleitorado. Ainda assim, o primeiro dia de campanha, com reflexo na imprensa, assinalou algumas situações dignas de registo. Por exemplo, Jardim alertou para o facto do país estar atento as eleições na Região. Talvez pelo impacto mediático, talvez por ser as únicas eleições no país à data ou, simplesmente, por ser na Madeira, a ilha que desafia o território continental e, neste caso o Primeiro-Ministro de Portugal.
Por isso, Jardim atacou desde logo Sócrates – alimentando também a sede de polémica da imprensa nacional – dizendo que a sua queda começava na Madeira, que a LFRA foi a razão da sua demissão e que o PSM traiu a região. Para AJJ, Sócrates era o adversário a vencer e não Serrão. Se para Jardim, o processo eleitoral era tão importante que justificava que as juntas de freguesia emitissem no dia das eleições cartões de eleitores, "até perto das mesas de voto”, para
Serrão, por outro lado, a campanha merecia ser desvalorizada pois na sua opinião “só vale para
confundir a cabeça dos madeirenses”. Confusão para a qual, segundo aquele, muito contribuiu
Jardim já que este “escondeu a realidade do povo madeirense” com a sua demissão.
A opinião de Idalina Perestrelo da Quercus-M, que acusou os partidos de esquecer as questões ambientais durante a pré-campanha, porque a LFRA “monopolizou os interesses dos
partidos”, parece contradizer Serrão... A posição dúbia ou de neutralidade do CDS fica
patente também no primeiro dia de campanha. Para além de dar conta do primeiro acto público
de Portas depois de ser reeleito internamente líder do partido, a imprensa reflectiu o ataque do CDS ao PS nacional e ao PSD regional, acusando-os de “partidarização das relações entre a Região e a República”, prejudicando a Madeira. Se eventualmente podemos considerar as razões do CDS sobre esta disputa partidária, a verdade é que numa batalha política quem não toma partido acaba por gerar indecisão nas hostes dos seus votantes. O CDS pagou caro a sua posição neutral, uma estratégia que não favorece um partido pequeno. Ao longo da campanha todos os partidos tiveram um idêntico espaço editorial nas páginas de política do DNM e, particularmente, naquelas referentes à campanha. Os títulos e os conteúdos fizeram a diferença em termos de visibilidade na página. No dia 23 de Abril, o DNM naturalmente focou os outros partidos. O BE partiu ao ataque no primeiro dia de campanha e, para além de se ter gabado de que tinha "obra feita nas conquistas das mulheres” – provavelmente, para mitigar o caso Violante Matos - pediram um “forte grupo parlamentar”. A CDU foi à porta de uma igreja, um acto tantas vezes criticado ao PSD, dizer de sua justiça. Por seu turno, o Movimento Partido da Terra, um projecto “imaturo” em batalhas eleitorais na Região, começou por realçar a importância do acto eleitoral sob uma nova lei que cria um único círculo eleitoral. Um tema que a comunicação social retomaria mais vezes. As campanhas são férteis em promessas, umas claras, outras encapuçadas, sob vários argumentos entre os quais “O não prometo mas faço”. Sobre isto, uma das promessas que deu que falar foi a da construção do estádio do Marítimo e do novo hospital. Jardim reconheceu que ambos os projectos poderiam precisar de “engenharia financeira”. Para concluir a cobertura temática do DNM no primeiro dia de campanha na imprensa notemos a temática dos custos de campanha. Uma pesquisa ao passado diria que em todas as campanhas este é um tema recorrente na comunicação social... Contudo, quando a razão que provocou eleições antecipadas foi ausência de dinheiro, o tema ganha indiscutivelmente outra relevância.
Depois de olharmos para o dia 23 do DNM podemos compará-lo com o do Jornal da Madeira. Para além da natural e óbvia semelhança de conteúdos nas notícias que correspondem às acções de campanha dos partidos, talvez seja de começar por realçar que também o Jornal não fez referência directa ao primeiro dia de campanha na primeira página. Ou seja, aparentemente não houve diferença entre o dia antes da campanha e o dia de campanha (com excepção da publicidade partidária nas últimas páginas dos matutinos). Um pouco como aconteceu em toda a campanha, a primeira página do JM no dia 23 valorizou uma inauguração de Jardim e toda a sua envolvente, acompanhada de uma foto a toda a largura da página. O recurso ao cartoon para atacar os adversários políticos foi comum a todo o processo eleitoral e o dia 23 não foi excepção. O jornal não tem páginas de política. Contudo, no período de campanha criou a rubrica “Legislativas 2007 – Campanha”, disseminando as restantes notícias de foro político nas páginas do regional, designadamente as inaugurações de Jardim. A par com o DNM também criou um logótipo para identificar mais claramente as páginas referentes às acções de campanha. Este "logo" tinha o nome da rubrica sobre uma imagem da bandeira da Madeira e uma mão a votar. É um conceito idêntico ao do Diário e foi utilizado na cabeça da página. É interessante registar a criação de um espaço de “agenda” que teve como função dar conta das movimentações dos partidos em campanha. A este nível o DNM optou por fazer notícias breves e sem nenhum enquadramento específico. Em termos de discurso político, o Jornal salientou que Serrão se apresentava como alternativa a um “poder velho e gasto” e referia-se à promessa de criação de 8 mil postos de trabalho. Uma matéria que seria motivo de discussão e até de alguma descrença pública. Por sua vez, Jardim definiu a campanha como uma “batalha” e recordou o facto de, aparentemente, o PS ter sido desacreditado tanto por Cavaco Silva como pelo partido a nível nacional. A importância do círculo único foi valorizada pela CDU nas páginas do Jornal. Por fim, a primeira edição do Jornal da Madeira no tempo
de campanha inclui também dois artigos de opinião que, não só causaram alguma polémica pelo
facto dos seus autores serem membros activos em campanha como dois distintos líderes do PSD
que gozaram de muitas oportunidades para defender os seus pontos de vista nas páginas deste
jornal (que não apresentou um único artigo de opinião de uma voz dissonante).
publicado por Marco Freitas às 10:49

A análise da cobertura noticiosa relacionada com a demissão de Alberto João Jardim e consequente período eleitoral foi tema recorrente no *astrisco* no último ano.
Como os nossos leitores sabem, foi elaborada uma primeira análise ao período que rodeou a decisão de Jardim e ao mês que se seguiu, Março. O passo seguinte foi a apresentação dos resultados do mês de Abril e, posteriormente, estudamos a última fase da “crise” política que atingiu a Madeira, a campanha propriamente dita.
Aos leitores do *astrisco* proporcionamos uma análise específica sobre o período de campanha e os dias que se seguiram após a noite eleitoral. Esta análise foi compartimentada entre os dias 23 de Abril e 13 de Maio de 2007, precisamente uma semana depois do domingo das eleições.
Neste período de 21 dias (mais 10 dias do que a análise pós-demissão e menos 10 do que o mês de Março) foi publicado um total de 795 peças noticiosas. O Diário de Notícias da Madeira (DNM) publicou um total de 474 notícias e o Jornal da Madeira (JM) 321.
Comparativamente a outros períodos que analisamos - cujos dados podem ser consultados em anteriores artigos – este é sem dúvida um dos momentos editoriais mais profícuos. A este propósito deve-se referir que registamos como notícia para efeitos de análise todos os artigos que se referiam directamente ao momento eleitoral e que não foram confinados ao espaço específico que os meios de comunicação definiram para a acção de campanha dos partidos. Exemplos disto são as notícias relacionadas com as inaugurações e as polémicas que surgiram.
Como já foi referido, esta é uma das fases da análise que vai merecer a maior ponderação e estudo. No entanto, em jeito de proposta de discussão e de hipótese de trabalho, há um par de notas que podemos desde já partilhar:
1 – Na imensidão de artigos publicados nestes dias só detectamos 3 títulos com referência à Lei da Finanças das Regiões Autónomas. É certo que o tema deverá ter sido referido na campanha mais algumas vezes, mesmo que não tenha merecido honras de título. Contudo, não deixa de ser um indicador interessante que nos leva a considerar que será do nosso interesse analisar até que ponto a LFRA foi tema de discussão numa campanha que foi precisamente provocada pela sua promulgação.
Com um pequeno esforço de memória, depressa nos apercebemos que o tema foi desvalorizado durante a campanha, tanto pelos políticos como pela comunicação social. Muito provavelmente foi considerada matéria mediática esgotada...! Esta é uma hipótese de trabalho que queremos estudar em pormenor.
2 – Uma outra nota de realce é o recurso às aspas nos títulos. Uma medida editorial que é prática comum noutras alturas ou em particular numa fase tão sensível como um período eleitoral, em que os discursos dos partidos devem ser protegidos e difundidos sem erros? Vale a pena comparar o período imediatamente anterior à campanha com o da campanha.
3 – Para os dias de campanha, tanto o JM como o DNM, reservaram um espaço específico para as notícias sobre as acções políticas, com rubricas específicas, como por exemplo a agenda diária dos partidos.
publicado por Marco Freitas às 10:48

A análise do conteúdo informativo produzido pelo Jornal da Madeira e pelo Diário de Notícias da Madeira, entre os dias 23 de Abril e 13 de Maio de 2007 (período que inclui a campanha eleitoral), revela alguns casos interessantes. Como referimos em nota anterior, neste período foram publicadas 794 peças noticiosas divididas da seguinte forma: DNM 474 e JM 320. Os dados que apresentamos de seguida são mais algumas pistas para percebermos e caracterizamos o trabalho jornalístico durante a fase mais importante deste período eleitoral na Região.
publicado por Marco Freitas às 10:47

Durante o período de campanha, as peças jornalísticas publicadas tanto pelo DNM como pelo JM foram assinadas por um total de 55 jornalistas.
Uma nota de destaque para sublinhar a diferença no número de jornalistas que escreveram no Diário e no Jornal. Trinta e nove jornalistas do Diário deram nome às notícias do período de campanha e no Jornal esse número foi só de 16 jornalistas. Diferença que justifica o facto dos jornalistas do JM terem escrito maior número de notícias. Por exemplo, o jornalista que escreveu mais notícias atingiu as 19 peças. No caso do JM, o jornalista que mais assinou peças fê-lo por 29 vezes.
publicado por Marco Freitas às 10:46

Quanto ao tipo de trabalho jornalístico efectuado pelos jornalistas é de realçar que em termos de reportagem os dois matutinos publicaram um número aproximado de peças: 206 no Diário e 214 no JM. A maior diferença verificou-se no que diz respeito às notícias breves. O DNM publicou 118 e o Jornal 16. Esta diferença revela claramente o estilo de paginação dos dois jornais.
No plano dos artigos de opinião registou-se um nível aproximado apesar do DNM continuar a registar mais artigos desta natureza ao longo da pré-campanha e campanha: 51 do Diário por 35 do JM.
Uma das particularidades desta comparação do tipo de trabalho publicado está nos artigos que se associam à sátira e crítica. No DNM registamos 20 e no JM nenhum. Será estilo ou posicionamento público dos meios em questão?
Outra nota de merecido registo é a publicidade. Sobre este item podemos referir que se tratou exclusivamente de publicidade partidária, a anunciar os eventos de campanha. No DNM registamos 46 espaços e no JM 24. No Diário houve uma maior diversidade de partidos que utilizaram este instrumento. Esta diferença pode ser explicada pelo facto do DNM ser considerado o jornal com maior audiência?
publicado por Marco Freitas às 10:45

Quanto ao tipo de rubricas, a primeira nota vai para os suplementos especiais criados por ambos os jornais para dar todas as incidências do dia das eleições e os seus resultados. Nestes suplementos o DNM publicou 57 peças e o JM 47.
Mantendo a tendência das anteriores análises, o DNM concentrou o grosso da informação política nas suas páginas de política (248 peças) e o JM no espaço Região (171). O espaço de opinião e a última página são os outros espaços que receberam maior volume de noticiário.
publicado por Marco Freitas às 10:44

Na análise aos títulos para determinar qual a participação dos principais actores da campanha, individuais ou partidários, a tendência anterior em relação a Jardim manteve-se, ou seja, tanto no JM como no Diário foi dos actores mais referidos nos títulos.
No Diário, Jardim e o PSD arrancaram 48 referências em títulos e a dupla oposta, PS e Serrão, 34 referências. Em termos individuais, Serrão só mereceu 7 referências em títulos, o mesmo número no DNM e no JM, e o PS 27 referências, o máximo entre os dois jornais.
Uma nota de referência para apontar que o PSD mereceu muito menos referências em títulos no JM do que no Diário: 23 contra 8. Outra nota de interesse é que o Movimento Partido da Terra foi o único dos partidos considerados pequenos que ultrapassou a duas dezenas de referências nos títulos, o que aconteceu no Diário.
publicado por Marco Freitas às 10:43

08
Fev 08
A grande entrevista dada por Ricardo Salgado ao Expresso alguns anos depois do seu banco ter bloqueado todo e qualquer tipo de colaboração com o semanário na sequência de uma notícia sobre o envolvimento do BES no caso “Mensalão” coloca certamente um ponto final no diferendo entre as duas entidades.

Acima de tudo, esta situação é um exemplo claro de como as relações entre a comunicação social e as empresas são férteis de momentos construtivos e de outros muito menos.
Reza a história que muitas vezes a dimensão negativa dada pela imprensa a determinado projecto empresarial resulta de defeitos de gestão daqueles no que diz respeito à comunicação externa, essencialmente, no contacto com os jornalistas. Paradigma disto mesmo é o destaque que a imprensa nacional, e não só a da especialidade, atribui actualmente ao sector da banca.

Este sector de actividade da economia nacional, apesar do seu tremendo sucesso financeiro, alimentou uma postura comunicativa hermética, que privilegiava a comunicação vertical, tendencialmente unilateral, da qual o BCP foi o seu expoente máximo, plasmado na figura do seu fundador e líder, Jardim Gonçalves. Um líder que semeou o culto da pessoa, mantendo uma distância real entre si e a opinião pública em geral, distância expressa nos contactos limitados que manteve com a imprensa em geral.
As respostas à imprensa por escrito, o uso quase exclusivo de uma foto pessoal são só dois exemplos de um posicionamento que a determinada altura pareceu criar escola.

O cultivo desta distância teve de ser investido e o líder do banco tornou-se mais acessível, começou a dar entrevistas com mais frequência, a dar conferências de imprensa com batalhões de jornalistas e tornou-se mais social, mais próximo dos seus clientes e da opinião pública. A entrevista à RTP – ainda eivada dos antigos vícios do controlo das questões para facilitar as respostas adequadas – já foi uma tentativa de mudar uma imagem de um líder encerrado no seu castelo que chocava com a ideia de um banco dinâmico, inovador e moderno.

O mundo fechado da banca, prática e quase exclusivamente disponível através do investimento publicitário e da comunicação institucional, está a colher tempestades.
Aberta a “caixa de Pandora” com o caso BCP – sem dúvida uma janela de oportunidade para vasculhar os armários de tão poderosas instituições, aberta por alguém de dentro do sistema – o sector tem estado sob o crivo atento e crítico da imprensa que reclama agora os anos perdidos de comunicação e de informação unilateral.

Os bancos parecem estar a mudar e a perceber que o “segredo não é mais a alma do negócio”. Parecem ter percebido que não é suficiente fazer campanhas publicitárias milionárias ou mostrarem a sua capacidade de contribuir para causas sociais. É por demais evidente que os bancos precisam de comunicar com os seus públicos através de um vector independente, ou seja, através da comunicação social.
Ainda têm um longo caminho a percorrer, até porque, neste momento, a atitude da imprensa é de natural desconfiança, reflectindo o mercado e a opinião pública. Acredita-se que com o know-how de que dispõem e de um investimento adequado numa estratégia de comunicação bilateral, o mercado mudará a sua opinião sobre a banca…
publicado por Marco Freitas às 16:49

o processo de reflexão sobre a comunicação social regional madeirense é um exercício exigente e complexo porque envolve muito mais do que a mera constatação de um realidade sectorial das profissões que este contempla e dos problemas estruturais e funcionais que limitam ou facilitam a sua evolução.

Uma abordagem à comunicação social regional madeirense deve considerar perspectivas diferentes sobre o modelo social, cultural e político social.
Portanto, mais do que um exercício objectivo devemos considerar todas as subjectividades envolvidas na construção do que é a comunicação social regional e daquilo que pode vir a ser.

A Madeira é por natureza um universo social reduzido, limitado por diversos aspectos endógenos e exógenos, que influenciam sobremaneira os diversos sectores da sua vida, desde a economia, as decisões políticas e o posicionamento cultural dos locais.

Considerar qualquer tipo de determinismo fatalista que condene a região a um estado de constante passividade é um sintoma grave de um pensamento ultraperiférico reduzido à assumpção da pequenez física e também significado absoluto de que as limitações geográficas assumem um poder coercivo sobre as vontades.

A criatividade, a inovação e a capacidade de ser positivamente diferente deveriam ser instrumentos capazes de ajudar a criar soluções para saltar as barreiras físicas. Se juntarmos a estes mecanismos humanos as potencialidades que as novas tecnologias nos oferecem talvez seja possível convencer os madeirenses que estão tão longe do mundo como aquele da Madeira.

As gerações condicionadas e fortemente influenciadas pelos limites físicos das ilhas marcam ainda as rédeas do nosso destino. Tudo é ainda muito palpável, feito numa navegação à cabotagem, com os risco controlados e disponíveis para a novidade q.b..

A longitude e a latitude que nos define no mapa mantêm-nos longe de um mundo vertiginoso e oferece-nos uma falsa sensação de segurança, quer das suas influências positivas quer negativas, e afasta-nos da mudança.

Por natureza as sociedades modernas são pouco nómadas. Mudam quanto a necessidade é mais forte que todas as outras razões. Na Madeira, os movimentos que significam mudança encontram fortes entraves, conscientes e inconscientes, em consequência da estabilidade social que viveu nas últimas décadas.

Alguns sectores mais libertos dos condicionalismos que referimos começam a perceber que o estado letárgico em que a ilha vive começa a prejudicar o seu futuro.
publicado por Marco Freitas às 16:46

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