Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

29
Mar 07
Caros leitores,

O *astrisco* não foi de férias nem está adormecido... Esteve a trabalhar num novo projecto... E perguntam vocês: mas que projecto é este!? Muito bem...
O *astrisco* decidiu realizar uma análise ao conteúdo informativo produzido em redor das eleições antecipadas de Maio, provocada pela demissão do Governo Regional da Madeira, nos dos títulos da Região: o Jornal da Madeira e o Diário de Notícias da Madeira (Infelizmente o Tribuna ficou de fora desta análise porque não temos termo de comparação).

Este é um desafio sobre o qual o *astrisco* espera os melhores contributos dos jornalistas.

Os resultados da análise serão apresentados numa base mensal num período que decorrerá entre o dia do anúncio da demissão e o derradeiro dia das eleições.
O estudo limitar-se-á a dar indicadores sobre as peças jornalísticas recolhidas, limitando-se, conscientemente, na sua liberdade de opinar sobre os resultados, na expectativa de que os nossos leitores possam fazê-lo de forma dinâmica e com senso crítico.

Sobre a recolha informativa podemos adiantar que estão a ser recolhidas todas as peças jornalísticas exclusiva e directamente relacionadas com as eleições, registando-se o título, a data, as páginas, as chamadas à primeira e os fundos, a existência de fotos, as secções onde se inser a informação, o tipo de trabalho e a identificação das fontes.

Para dar início a este projecto analisamos a informação publicada a partir do dia da demissão de Alberto João Jardim até o fim do mês. Apresentaremos posteriormente os dados sobre o mês de Março.

Por isso, desde já, caro leitor fique a saber que em 9 dias (entre 19 e 28 de Feveiro) os dois matutinos publicaram 269 peças jornalísticas.

Consulte o *astrisco* para saber qual dos jornais publicou mais notícias, quem é que foi mais referido nos títulos, quais as fontes é que foram preferenciadas ou ainda a distribuição diária do número de notícias publicadas em Fevereiro.




Os resultados de uma análise informativa ao Diário e ao Jornal

Jardim é o mais referido nos títulos

Um dos resultados da análise efectuada pelo *astrisco* diz que Alberto João Jardim foi o mais referido nos títulos emitidos entre 19 e 28 de Fevereiro.

1- Mas comecemos pelo total de notícias publicadas. Do total global de 269 peças registadas 157 foram publicadas no Diário de Notícias da Madeira e 112 no Jornal da Madeira.


2 – No tipo de trabalho efectuado há um equilíbrio entre as opções editoriais dos dois matutinos, com excepção dos trabalhos classificados como breves e também de opinião. Assim, refira-se que no Diário foram publicadas 80 reportagens e no jornal 84. O maior número de breves foi encontrado no Diário já que este publicou 30 e o Jornal somente 5 breves. O modelo de paginação adoptado pelo DNM explica em boa parte esta diferença.

No que concerne à opinião, tanto um como outro assinalaram números consideráveis de artigos mas o DNM fez publicar 33 peças e o JM 16. Esta diferença pode ser objectivamente explicada por duas razões: primeira, o espaço editorial dedicado à opinião pelo Jornal é mais estanque do que no DNM; logo, e em segundo lugar, no DNM a maior versatilidade de autores é favorecida. A existência das cartas de leitor é um dado a considerar.

Em suma, o modelo de peças mais usado foi as reportagens, a breve e a opinião. A entrevista, ao invés, foi substancialmente menos utilizada. O Jornal da Madeira publicou quatro e o Diário duas.



3 – A decisão de Jardim e toda a problemática que envolve as eleições antecipadas, como podemos facilmente deduzir, são temáticas tendencialmente abordáveis nas secções de política. Mesmo assim, procuramos identificar nos jornais em análise as outras secções que acolheram peças sobre o tema.

No caso do Diário, para além das páginas de Política, as notícias também foram registadas em mais 9 secções. Na política verificamos 91 peças enquanto que, por exemplo, na secção de opinião encontramos 40 peças (entre o Ponto de Ordem).

No Jornal da Madeira não há uma secção denominada política, pelo que o tema foi disperso pelas secções “Região” e “Em foco”, respectivamente com 54 e 21 peças informativas. A secção opinião também teve um nível considerável de textos apesar das notícias foram dispersos por um menor número de secções, ou seja, por 8.

Neste parâmetro da análise é interessante notar que ambos os títulos optaram por atribuir às secções sub-títulos directamente relacionadas com as eleições.


4 – Neste tipo de trabalho analítico é sempre interessante olhar para o comportamento dos títulos. Trata-se de um trabalho meticuloso que no momento não é possível apresentar. Contudo, o *astrisco* optou por registar um dado simples: o número de referências aos principais intervenientes nas eleições. Para analisar estes registos identificamos como alvo Alberto João Jardim, Jacinto Serrão, o PS-Madeira e o PSD-Madeira. Os restantes partidos – ditos pequenos – são integrados numa rubrica denominada “Outros”.

Apesar de estatística, este é um dado que já indicia a subjectividade das opções editoriais. Os dados recolhidos são, no mínimo, curiosos e devem ser olhados à luz do número de peças publicadas.
No DNM, Jardim foi referido em 21 títulos e no JM em 14. Jacinto Serrão obteve um menor destaque nos títulos: quatro vezes no Diário e uma única vez no Jornal.

Em termos de partidos, importa sublinhar que todos tiveram mais referência no Jornal da Madeira do que no Diário. Vejamos: o PS apareceu oito vezes nos títulos do JM e seis vezes no DNM; o PSD 11 vezes no Jornal e 9 vezes no Diário; os partidos pequenos, como um todo, são largamente referidos no JM (10 vezes) e menos no DNM (4 vezes).

Um dado absolutamente curioso é que os intervenientes referidos nos títulos, tanto do Diário como do JM, no total receberam exactamente o mesmo número de presenças (44).

É fundamental dizer que apesar do maior destaque dado a Jardim pelo DNM não podemos deduzir automaticamente que esta cobertura foi mais favorável para as cores laranja. Este tipo de conclusão só é possível com uma análise mais pormenorizada aos conteúdos informativos e ao nível de referências, trabalho que realizaremos somente depois das eleições.
Ainda assim, podemos considerar que o destaque dado pelo DNM e pelo JM a Jardim pode estar embuído de razões e objectivos diferentes. A única conclusão possível à data é a de que o Presidente do Governo surge como o centro das atenções.


5 – Com o objectivo de definir melhor a relação do tema em análise com a realidade jornalística e social optamos também por identificar, tanto quanto possível, as fontes que constribuíram para a origem de notícias.

Identificamos quatro principais tipos de fontes: as políticas, as dos líderes de opinião, a opinião pública e a própria imprensa.

Um primeiro olhar ao quadro de resultados revela que no Diário houve um distribuição de influencia das fontes mais uniforme, enquanto que no JM a preponderância é fortemente política. Foram identificadas 83 peças com fontes políticas neste título, mais do que no Diário (61).

Um dado digno de registo é o facto de termos encontrado 50 peças com origem na própria imprensa.





6 – Finalmente, um parâmetro considerado para análise foi a distribuição noticiosa por dia.

A primeira nota a reter está relacionada com o frenesim mediático que rodeou o dia da demissão, tanto nos meios de comunicação regionais como nacionais.
Foi no dia 20 de Fevereiro que se publicou o maior número de notícias: no DNM foram publicadas 29 e no Jornal 25.

Quanto aos restantes dias dos mês verificou-se um equilíbrio no número de peças publicadas, contudo com números de artigos e de páginas a considerar.



Todos os dados apresentados são da responsabilidade de Marco Freitas, editor do *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 00:38

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