Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

29
Mai 06
A relação das agências de comunicação com os jornalistas é o assunto do momento no universo da comunicação social nacional. O rastilho foi lançado por Emídio Rangel no lançamento do livro “Sob o signo da verdade” de Manuel Maria Carrilho quando acusou que em Portugal há uma promiscuidade sem limites entre os jornalistas e as agências de comunicação. Uma acusação que começa nas páginas do livro que o ex-candidato pelo PS à Câmara Municipal de Lisboa resolveu escrever para explicar a sua derrota, que pelos vistos foi responsabilidade de todos menos do próprio.

A reacção veemente do mundo jornalístico e das empresas especializadas em comunicação e relações públicas não se fez esperar. Outra coisa seria de estranhar.

O assunto é sério não só porque envolve a comunicação social e a forma como actua para informar a opinião pública mas também porque um qualquer político, de duvidosa isenção, pode sem mais disparar em todos os sentidos para explicar a sua conduta pública.

Haverá alguém de bom-senso que acredite que os jornalistas e as empresas de comunicação na sua maioria são cúmplices de lobbies altamente bem estruturados que visam destruir ou elevar determinada pessoa ou organização? Seria uma façanha enorme para um país que não se consegue organizar.

É incontestável que a relação entre ambos os sectores deve ser esclarecida, profissional e que cada uma das partes deve respeitar os interesses dos outros.
Há quem diga que este foi mais um ataque às relações públicas. Para sermos precisos e objectivos o que está a acontecer é um ataque a estruturas empresariais que fazem relações públicas e não à disciplina em si, até porque os profissionais que trabalham em regime de exclusividade para muitas empresas não são visados nesta polémica.

O assunto é sério e por isso merece uma reflexão profunda. Mas haverá interesse em analisar até ao limite a matéria que dá corpo a esta polémica? Salvo qualquer milagre, esta discussão pública não passará mais uma vez de uma briga de comadres.

cicerodebraga@netmadeira.com
publicado por Marco Freitas às 23:27

10
Mai 06
Haverá nas empresas portuguesas a consciência de que é de dentro para fora que conseguem transmitir de forma segura e credível a sua imagem, os seus princípios e as suas práticas de responsabilidade social? Estarão igualmente conscientes de que sem apoio interno jamais uma organização empresarial conseguirá obter pleno sucesso? Algumas sim, outras não!...

As relações internas nas empresas e os resultados que podem advir da existência de boas práticas a este nível são matérias que têm sido alvo de grandes avanços no mundo empresarial.
De facto, mais do que ser reconhecido, começa a ser colocado em prática o princípio de que uma empresa que não convence os seus funcionários nunca atingirá um nível de cumplicidade eficaz com os seus públicos externos. Razão pela qual muitas organizações empresariais ou industriais espalhadas pelo mundo têm desenvolvido programas para conquistarem os seus públicos internos.

O ambiente de trabalho, a formação e a comunicação são variáveis que os trabalhadores valorizam e são sem dúvida fortes condicionantes para o bom desempenho de uma empresa. Estas variáveis são confirmadas num estudo sobre “os melhores lugares para trabalhar”, realizado pelo Great Place para o Work Institute of UK. Este estudo deixa algumas dicas interessantes sobre a forma de agir das empresas para serem acolhidas positivamente pela opinião pública e pelos seus públicos-alvo específicos, incluindo o interno.

O comportamento das empresas em relação às comunidades é também um aspecto importante para os empregados, na essência, porque muitos vivem na orla geográfica daquelas e as suas vidas são directamente influenciadas pelas atitudes de vizinhança que tomam. Um estudo sobre cidadania empresarial, realizado pela MORI (2003), demonstrou que 60% dos empregados envolvidos em projectos empresariais na comunidade aceitam a sua empresa de forma mais positiva e que 45% se sentem mais motivados e com vontade de continuar na mesma organização.

Será um lugar comum dizer que a sensibilidade social de uma empresa colhe a simpatia e o apoio dos funcionários, mas a verdade é que uma pesquisa realizada nos EUA, intitulada “2004 Cone Corporate Citizenship Study”, revelou que 81% dos americanos afirma que o compromisso de uma empresa com as questões sociais é importante quando se trata de decidir onde trabalhar. Por isso, demonstrar que defendem valores socialmente importantes e que não hesitam em praticá-los é uma forma das empresas conquistarem a confiança e respeito dos empregados e, consequentemente, da opinião pública.

Esta confiança pode potenciar aquilo que Geoff Skingsley, vice-presidente dos recursos humanos da L’Oréal, chama de “ energia positiva nas organizações” e que cresce quando os seus membros são valorizados e a sua contribuição é reconhecida.
As boas práticas de gestão fazem com que os funcionários se sintam valorizados e importantes. Os bons exemplos chegam de empresas como a Pentascope, onde os trabalhadores têm um orientador e um mentor, um patrocinador interno para ajuda profissional e pessoal. Assim, os funcionários raramente têm de resolver os problemas de trabalho sozinhos. Outro exemplo, pensando na progressão das carreiras, vem daquelas empresas que incentivam os seus profissionais a trabalhar temporariamente noutro lugar, no caso, em empresas sem fins lucrativos das mais variadas áreas de actividade.

Uma nota final para dizer que só uma colaboração estreita entre os departamentos de Relações Públicas e de Recursos Humanos pode assegurar o sucesso das iniciativas de nível interno directamente orientadas para os funcionários. Nesta interligação os processos de comunicação são essenciais. Parece pacífico admitir-se que as empresas precisam de comunicar de forma eficaz com os empregados para facilitar a compreensão de determinadas decisões das chefias ou de iniciativas de algum dos seus departamentos. Mas… porque nem sempre isso acontece, é preciso não esquecer que comunicar é muito mais do que a manifestação de intenções ou de ideias, ou seja, é crucial haver sustentação e correspondência com a realidade para evitar que qualquer plano de acção de comunicação interna seja votado ao fracasso.

Marco Freitas
(artigo publicado no Notícias da Madeira)
publicado por Marco Freitas às 22:08

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