Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

30
Jan 06
As empresas têm à sua disposição um vasto leque de instrumentos para comunicar com os seus diversos públicos. O recurso a mecanismos como os boletins empresariais, o mailing directo e também a internet são formas das organizações atingirem os seus públicos, de aumentarem a sua proximidade e de reforçarem as suas relações sociais externas.

Contudo, para conseguir fazer passar as suas mensagens à opinião pública as empresas preferenciam a comunicação social. Até porque as notícias tansmitidas através da comunicação social dotam a informação revelada da credibilidade que advém do facto dos jornais, rádios e televisões se tratarem de entidades externas e independentes, com um forte peso social na sociedade.
Por isso, as empresas dedicam cada vez mais tempo às relações com os meios de comunicação social e, consequentemente, com os jornalistas. Não só para assegurar que a sua informação é emitida mas também que garantir que o é de forma correcta.

O poder da comunicação social é enorme. Com base numa notícia é possível construir ideias, causas, projectos, ou destruir organizações, personalidades públicas ou políticas de desenvolvimento. O poder da comunicação social é de facto enorme e nem sempre – talvez, quase nunca – os jornalistas têm uma noção clara do quanto uma notícia pode afectar a vida da sociedade.

De um lado da barricada temos as empresas a defenderem os seus interesses comerciais, sociais e financeiros, do outro temos os meios de comunicação com os seus diferentes interesses e ideiais, entre os quais também se incluem os benefícios comerciais, sociais e financeiros próprios.
Algures no meio existe um espaço comum onde os interesses e objectivos se cruzam. As empresas e os meios de comunicação social que conseguirem partilhar e explorar este espaço comum serão os mais bem sucedidos junto da opinião pública e dos respectivos mercados.

A dificuldade e a polémica que encontramos neste quadro de relações tem muitas soluções mas a principal passa pela capacidade de, quer as empresas quer os jornalistas, conseguirem experimentar as diferentes realidades com as quais convivem diariamente, mas em palcos totalmente diferentes. Enfim, colocar-se na pele do outro. Isto é fundamental para assegurar o respeito pelos objectivos de cada um.

Na ressaca do jogo político a que assistimos nos últimos tempos, período durante o qual o *astrisco* abordou algumas temáticas a propósito, este é o tema que achamos por bem propor para discussão.
Há muito que reflectir sobre esta realidade.


O *astrisco*
publicado por Marco Freitas às 09:18

10
Jan 06
O debate sobre “Ética no jornalismo e os públicos”, organizado pela Escola Atlântico, foi uma oportunidade de superior interesse para debater os mais diversos assuntos sobre o sector e ver em confronto os profissionais e os aspirantes a jornalistas.
Com uma rara excepção, designadamente o representante regional da classe jornalística no debate, denotei um desencanto generalizado pela profissão, até uma certa tristeza pelo actual estado de coisas do sector e uma auto-flagelação em excesso que até soou a falso. Pode ter sido uma coincidência na escolha dos convidados, simplesmente. Curiosamente, este estado de descontentamento choca com os resultados de Novembro do Barómetro da Marktest/DN/TSF que atribuem aos jornalistas a melhor avaliação no desempenho da sua profissão, ultrapassando os médicos, as forças de segurança, professores, engenheiros e empresários. E, claro, estão nos antípodas dos políticos.

Um outro aspecto curioso do encontro e que durante as horas que decorreu falou-se do universo do jornalismo, das suas realidades, perspectivas e soluções para os problemas, dos públicos, sem nunca ter havido um referência explícita ao impacto da net no sector. Um pormenor que traduz a distracção que reina no mundo da comunicação social nacional. Porque digo distracção? Porque grande parte da classe teima em aceitar os problemas e a necessidade de os resolver com medidas inovadoras, alterando, se for necessário, o actual status quo.
A questão da criação da ordem de jornalistas, assunto que foi abordado pela rama no debate, é uma dessas questões.


Já a dicotomia empresa de comunicação social – jornalistas é outro dos assuntos que precisa de ser clarificado na mente de muitos jornalistas portugueses.

O modelo editorial é outra das questões que levanta celeuma. E isso não passou ao lado do debate. Não existem fórmulas absolutamente correctas de relatar os factos mas umas mais claras do que outras, seja recorrendo a perpectivas objectivas ou subjectivas. O importante é sabermos o método utilizado por este ou aquele jornal. O modelo híbrido que prevalece no nosso país produz imensas dúvidas, na essência, porque não defende um consumo bem definido da informação pelos diversos públicos. Há quem defenda o modelo anglo-saxónico. Com alguns aperfeiçoamentos é um modelo bastante realista porque não anula a subjectividade inerente às questões sociais e humanas, enfim, a todas as questões tratadas na comunicação social.

Entre a apresentação conceptual de João Ferreira (SIC Notícias), o posicionamento percursor de Miguel Martins (Correio da Manhã), a criatividade e ousadia de Ricardo Oliveira (DN-Madeira), a palavra redonda de J. Manuel Freitas (A Bola), as referências deontológicas de Paulo Sérgio Santos (Rádio Renascença) e o testemunho pessoal de Ana Lourenço (SIC Notícias) encontramos muitos argumentos para olhar para o jornalismo como uma profissão de futuro. É preciso vontade de transformá-lo e essa necessidade ou desejo foi mais clara na intervenção do representante regional.
Foi tanto assim que houve um debate interessante e pode dizer-se que a escola desempenhou o seu papel ao contribuir para a análise dos temas já referidos.

Uma nota final para referir a escassa presença de jornalistas regionais no evento. Sabendo o número aproximado de jornalistas que exercem na Madeira, descontando os que trabalharam naquela manhã de Sábado – e sabemos que são em menor número que durante a semana – como avaliar esta ausência acentuada. Mantenho a minha convicção já expressa nesta nota: por pura distracção, e acrescentar desleixo não é exagero. Aos que estiveram presentes é óbvio que esta crítica preocupada não se aplica.

O jornalismo pode ser uma profissão de futuro...Mas, para que tal aconteça, as mentalidades têm de mudar.



Comentários:

É isso mesmo!!! Quando vi o convite a todos os jornalistas e interessados para participarem na Conferência da Escola Atlântico, fiquei entusiasmado com a possibilidade de fazer algo útil num sábado de manhã (mesmo porque só trabalho a partir das 14h e nesse fim-de-semana estava de folga!).....No entanto, para meu desalento, nesse dia 2 de Dezembro que era o último para as inscrições, ninguém soube me informar (nem no cartaz havia um contacto) para onde poderia efectivar o interesse!!! Bem, posto isto, e dado que a conferência possivelmente nem teria tanta gente (como se veio a verificar!), convenci um colega a irmos até à Calheta, pois "voiture" não é um privilégio que ainda possa usufruir....Contudo, meu colega, fez-me um convite bem mais aliciante, se assim se pode dizer: Matança do Porco!!! Imperdível e irrepetível! Pois... Como vêem meus caros, nem sempre a vontade pode ser o principal caminho para chegarmos a um caminho seguro, passe o pleonasmo! Não fui, simplesmente porque as circunstâncias desse dia não proporcionaram...embora acredite que muitos colegas não foram porque vivem num certo "marasmo profissional" ou coisa que o valha!!! Passando às questões que interessam (e esta vai ser curta!), sou e serei sempre a favor da criação de uma Ordem dos Jornalistas ou outra coisa qualquer...Não me digam que a Comissão da Carteira Profissional e, muitas vezes, o próprio Sindicato, não se afiguram como potenciais Bastonários?! De facto, é uma questão de palavras...só isso!!! Outro tema realçado no comentário do astrisco, e que me deixou com vontade de dizer algo, foi a frase "o jornalismo é uma profissão de futuro"! Claro, hoje em dia e cada vez mais, qualquer um de nós, cidadãos, letrados e "info-incluídos" pode desempenhar esse papel...Pela minha parte, sei que gosto do que faço e continuo a ter orgulho (chamem esse sentimento o que quiserem!) em ver o meu nome impresso, ao lado de um artigo que, no mínimo, será lido hoje e poderá ser lido daqui a 50 ou 100 anos, quando cá já não estiver!!! Esse é, por enquanto, o legado que me orgulho de deixar aos meus filhos e netos (se os tiver!) e às gerações que tiverem a sorte de cá estar na altura....Sinto-me um Eça de Queirós (à minha modesta dimensão), que deixou o seu legado no jornalismo português do século XIX! Bem, com este contributo, encerro a minha contribuição para este ano 2005! Aproveito para desejar a todos os "astriquenses" um feliz ano 2006 e que participem mais vezes, a bem deste nosso (meu) amado "brain storming" blog. Um abraço Posted by: Francisco Cardoso at dezembro 28, 2005 02:30 PM


EXTRA DOC: Os JORNALISTAS Portugueses são FRAQUINHOS por causa do que acontece nas JUNTAS DE FREGUESIA! Ver: http://jornaldebarcelos.com/modules.php?name=News&file=article&sid=3659 ...... UNIVERSIDADES versus ESCOLAS TÉCNICO PROFISSIONAIS com ACESSO À UNIVERSIDADE. Dos ALUNOS DO SECUNDÁRIO QUE VALEM A PENA, cinquenta por cento (50%) deles NÃO CHEGA AO ENSINO SUPERIOR (total desperdício de Capacidades, de Conhecimentos e de Dinheiro). Dos ALUNOS QUE ENTRAM nas Universidade e Politécnicos (Públicas ou Privadas) CINQUENTA POR CENTO (50%) NÃO CHEGA A ACABAR O CURSO !!?!!?!?!!??!!??!!??!!????!!!!???!!??; (Crime Económico muito mais grave que a Fuga aos Impostos) Um CURSO de CINCO (5) ANOS é feito, em MÉDIA, em OITO (8) ou NOVE (9) anos!!!?!!?!!! Nota: São quatrocentos mil (400.000) alunos; Dos Cinquenta por cento (50%) que TERMINAM O CURSO: 1) Setenta por cento (70%) tira-o a COPIAR!!?!!?. Senão CHUMBAVAM também (seria 85% que não acabaria o Curso !!?!??!?!?!) e Profissionalmente serão uma mer.da e medricas e inseguros. E precisarão de trabalhar 16h por dia (perguntem aos Licenciados. Doutores e Engenheiros.) para produzir quatro (4) horas de riqueza; 2) Só DOIS POR CENTO (2%) !!!?!!?!! é que - IRIAM - CRIAR RIQUEZA (Empresas) ao País MAS … PIRAM-SE para o Estrangeiro. 3) Os outros 48% - em especial nas ESCOLAS - vão consumir a riqueza criada/gerada/construída pelos que não chegam à Universidade. Sejam eles ´Pagadores-de-Impostos´ sejam eles ´Fugidores-aos-Impostos´. NOTA: As Escolas SECUNDÁRIAS não têm culpa nenhuma, nenhuma, nenhuma! Ora perguntem aos Reitores das Universidades e aos Presidentes dos Institutos Politécnicos! iH Pá! OUTRA PROVA em 21.12.2005.: “Mas mesmo no ensino secundário - …… -, registou-se uma QUEBRA MUITO SIGNIFICATIVA de ALUNOS. … Já o número de PROFESSORES tem CRESCIDO ……, MAIS VINTE E DOIS MIL (22.000) do que em 1995/1996.” In http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1242507) CONCLUSÃO SIMPLES: Fechem TODAS as Universidades e Institutos Politécnicos durante CINCO ANOS e ABRAM Escolas Técnico Profissionais COM ACESSO À UNIVERSIDADE.; E/OU ENTÃO, nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para: CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas: http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html). PS: Paralelamente, coloquem CÂMARAS DE FILMAR NAS SALAS de Aula da Escola Primária e nas Salas de Aula do 2º Ciclo (o 5º e o 6º anos) OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO: Todos os Alunos PODEM E - DEVEM - CANDIDATAR-SE/CONCORRER todos os anos à BOLSA DE ESTUDO: "Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423 CURIOSIDADE: Em Portugal anda TUDO A TRABALHAR PARA O BONECO. As JUNTAS de FREGUESIA, que são / deviam ser o ELO DE LIGAÇÃO entre todas as áreas, estão UM AUTÊNTICO ATRASO DE VIDA http://jn.sapo.pt/2004/12/21/minho/juntas_minho_usam_a_internet.html . E OS QUE MAIS SE LIXAM SÃO os cinco milhões de Emigrantes! Porquê?! Requerer uma SIMPLES CERTIDÃO VIA INTERNET. Impossível. VIRAM VIRAM que não perdi um único segundo com os Candidatos a Presidentes da República! José da Silva Maurício Posted by: Fechem TODAS as Universidades PÚBLICAS durante CINCO ANOS e ABRAM ESCOLAS TÉCNICO PROFISSIONAIS; at dezembro 28, 2005 03:16 PM

Em jeito de resposta ao nosso amigo Chico: Primeiro, devo dizer-te que o "marasmo" que toma de assalto a classe jornalística pode não ter nada a ver com a capacidade de trabalho e profissional dos mesmos - se bem que não podemos fazer uma leitura estanque da atitude profissional e do posicionamento na res publica. Acredito que muitos profissionais acham que já deram o seu contributo à sociedade ao preparar notícias para as suas edições ou emissões. Confesso que por vezes termino o dia de trabalho com a consciência de que fiz tudo o que podia fazer no que diz respeito à minha profissão... Mas será isso verdade? Será que os jornalistas, membros influentes da sociedade não podem dar um pouco mais do seu tempo, da sua experiência - que é quase sempre muito vasta em função da profissão que desempenham - para provocar, alimentar, desenvolver debates sobre temas fundameemntais para o bem-estar da sociedade e, em particular, para a melhoria do funcionamento da sua classe, por forma a promover plataformas estratégicas para o futuro? Podem dar tanto mais... Segundo, discutir a criação da ordem para os jornalistas não é uma mera questão de palavras. Na essência, julgo que a sua criação ajudaria a aumentar a credibilidade da classe e a incutir um funcionamento mais regrado da mesma. Como eu e todos aqueles que estão na profissão de que gostam, penso que gostam de saber que são respeitados e que gozam de credibilidade junto da opinião pública e de quem lidam diariamente. O mundo não é perfeito e também no jornalismo há manchas que precisam de sabão, são éticas ou formais... E a ordem pode vir a dar um novo fólego para tratar esses assuntos. Terceiro, o jornalismo é também uma profissão de futuro pela posição que tu tomaste... Manter o papel vivo, o conceito, "o espírito da coisa", é fundamental, até para diferenciar o jornalismo que preconizas daquele que cada vez mais se pratica nos mais diversos meios tradicionais por força da postura dos meios digitais. Um grande abraço e um bom ano novo a todos os leitores do *astrisco* Marco Posted by: marco at janeiro 3, 2006 11:57 AM



Meus caros, as mentalidades têm mesmo que alterar-se!! Tive o privilégio de iniciar o meu percurso jornalístico em Lisboa e aí continuar ainda durante alguns anos antes de vir para a Região e uma coisa posso garantir-vos: O jornalismo que se faz na Madeira tem pouco a ver com o que se faz em Lisboa. Não quer dizer que não tenhamos excelentes jornalistas na Região, a questão é outra... eles estão cá mas as mentalidades são muito diferentes! Aqui ainda há muitos tabus e medos infundados. Meus caros, é preciso exorcizar as dúvidas e abanar a sociedade, mostrar que esta é uma classe com muita classe e inteligente, uma classe com mérito, uma classe que sabe ouvir as duas partes e relatar os acontecimentos tal e qual se passaram, uma classe que não se intimida por entrevistar ilustres com opiniões contrárias, uma classe que requer respeito por parte da sociedade... uma verdadeira classe jornalística! Está na hora de saírem do armário! Já agora tenham um 2006 repleto de sucessos, saúde e paz! Rita Aleluia Posted by: Rita Aleluia at janeiro 10, 2006 09:30 AM
publicado por Marco Freitas às 09:57

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