Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

19
Jun 11

Eis a notícia do Diário de Notícias da Madeira:

 

Alguns dos visados foram sinceros, outros optaram por argumentos fantasiosos...

 

É a mais recente estratégia de Jardim. Com a perspectiva de poder desfazer-se do facto do DIÁRIO ser um jornal efectivamente plural, o líder laranja informou os dirigentes do seu partido que estão proibidos de escreverem Opinião no nosso jornal.

O 'decreto' do presidente foi transmitido durante a última reunião da Comissão Política Regional do PSD-Madeira, a 7 de Junho. A principal justificação para esta mudança de estratégia - no congresso de Abril defendera exactamente o contrário - é não permitir que o pluralismo de opinião seja uma imagem de marca do DIÁRIO, para que assim não possa ser argumento a favor deste jornal, nem considerado nas queixas já feitas e a fazer em diversas instâncias judiciais e reguladoras no âmbito da contestação à concorrência desleal na imprensa madeirense.

Para além disso, Jardim tem outros objectivos: levar a que, devido à ausência do PSD, o DIÁRIO acabe com o palco que dá a colaboradores de outras áreas políticas, sobretudo em tempo de campanha eleitoral. Em suma, Jardim quer 'fabricar' mais um assunto para desviar atenções do essencial em mais uma campanha bipolarizada, elegendo o nosso jornal como alvo preferencial.

Na reunião da Comissão Política, Jardim não justificou as razões da decisão perante os outros dirigentes. Apenas quis deixar claro que a directiva era para cumprir, sob pena de serem tomadas medidas a quem não respeitasse a indicação dada. A ameaça teve efeitos imediatos, embora nem sempre comunicada ao Director do DIÁRIO com a devida frontalidade. Logo no dia seguinte, Medeiros Gaspar era o primeiro a cessar a colaboração com o DIÁRIO como articulista convidado. Fê-lo alegando um argumento diferente, que um outro órgão de comunicação social havia dado a "oportunidade de publicar opinião escrita com maior regularidade". Surgiram outras indisponibilidades sem explicação. Mas também mensagens honestas, sem esconder nada.

O Director do DIÁRIO, Ricardo Miguel Oliveira, convidou os articulistas por escrito em Outubro do ano passado. Na semana passada, quando tomou conhecimento da directiva de Alberto João Jardim, sentiu necessidade de perguntar, também por escrito, se os colaboradores declarados social-democratas continuariam ou não a escrever opinião nos moldes e nos dias definidos no convite. Em nome do planeamento das edições quis saber das disponibilidades, admitindo que o embargo era limitado ao membros da Comissão Política. As respostas foram chegando com justificações de todo o género. Quase todas a agradecer a oportunidade, mas a assegurar que cessavam a colaboração, já que tinham sido colocados 'entre a espada e a parede' numa época em que se procede à escolha de candidatos às listas...

O DIÁRIO sabe que nenhum dos membros da Comissão Política ousou contestar a directiva no dia da reunião. Perceberam que era hora de 'ouvir e calar', acreditando que a 'guerra' dura só até Outubro.

São várias as personalidades do PSD com colaborações regulares no nosso jornal. Alguns com décadas. Outros com meses. Nem todos terão sido já informados do 'decreto' jardinista. Muitos manifestaram por escrito ou por telefone a sua mágoa em deixarem de escrever, admitindo-se que alguns não obedeçam à ordem superior.
Entretanto, vários deputados e militantes do PSD foram já abordados por 'comissários' do partido para as cautelas a ter se forem abordados para escrever no DIÁRIO. Apesar disso, o nosso jornal vai manter as suas colunas de opinião, com colaboradores de todas as áreas políticas e assegurando o pluralismo. Uma garantia dada pelo Director em Editorial (ver Última Página).

 

PSD põe e dispõe do JM: Coito Pita faz alinhamento da 'Opinião'

O deputado Coito Pita terá ficado com a incumbência de fazer o alinhamento no 'JM' dos ex-colaboradores do DIÁRIO, o que diz bem da influência do PSD no jornal dito da Diocese, mas que é suportado financeiramente pela Região, com valores anuais a rondarem os 4 milhões de euros. Outros terão rejeitado o brinde. Simplesmente porque não alinham na campanha de ódio exercida contra o DIÁRIO. "Basta-nos a humilhação de ter que deixar de escrever num jornal que nos deu oportunidade de partilharmos opiniões e para o qual fomos superiormente convidados", referem

A decisão é inédita e reveladora do estado a que chegou a democracia na Madeira. Na última reunião da Comissão Política do PSD-M, a primeira depois das Legislativas de 5 de Junho, também se sabe que dois membros influenciaram o presidente do partido no sentido de serem tomadas medidas específicas contra o DIÁRIO. O objectivo engendrado era penalizar o DIÁRIO, retirar-lhe argumentos que podem fazer a diferença no processo em curso na Comissão Europeia.

A decisão contrasta que aquilo que Jardim disse no último Congresso do PSD. Perante a deselegância de Coito Pita em considerar traidores os social-democratas que escreviam nas colunas de opinião do DIÁRIO, Jardim foi à tribuna explicar que essa presença era estratégica e legítima, desautorizando o deputado.

A decisão da CNE em deixar claro que na última campanha o DIÁRIO respeitou o princípio do tratamento jornalístico não discriminatório irritou Jardim. O presidente do PSD-M apresentou três queixas contra o nosso jornal e não teve razão em nenhuma. Numa das queixas contestou o facto de haver candidatos de outros partidos a escrever opinião em plena campanha. A CNE recordou que nesse mesmo tempo candidatos do PSD também exerceram o mesmo direito.

 

 

 

publicado por Marco Freitas às 10:48

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