Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

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Fev 11

 

Num mundo perfeito a informação seria tratada com rigor e nunca equiparada a desinformação. Nesse mundo, jamais assistiríamos impávidos a tamanho desregramento no uso da informação, comungando dos seus efeitos perniciosos sob a capa de uma pretensa absoluta liberdade de expressão. A título de exemplo veja-se o que o aconteceu com o Wikileaks e, à nossa escala, com a exploração do caso BPN no recente processo eleitoral.

A informação é hoje sinónimo de poder e há cada vez mais organismos, da área social, comercial e política, a usá-la para fazer valer os seus interesses. Mas, é para os mass media que a informação se torna essencial, hoje em dia rivalizando com o mundo da Internet, sites, blogs e todo o tipo de rede social, numa comunidade aberta de informadores.

Nunca foi tão necessário alertar a opinião pública para as nuances da divulgação informativa. Não o fazer é enveredar por um caminho que despreza a verdade dos factos. Ignacio Ramonet (A Tirania da Comunicação) dizia que “a inquietação actual dos cidadãos baseia-se na convicção de que o sistema informativo em si não é fiável, que tem falhas, que dá provas de incompetência e que pode... apresentar enormes mentiras como se fossem verdades”. Estamos no domínio das meias verdades, tão promovida no universo mediático, e perdemos a noção do que é real. “A informação é dissimulada ou truncada porque há demasiada para consumir. E não chegamos mesmo a aperceber-nos da que falta”, alertava Ramonet.

Atendendo às técnicas utilizadas para tornar a informação utilitária e eficaz é preciso não esquecer, como atesta Volkoff, que “ a ignorância do público alvo é uma das grandes armas do desinformador”. Antes da opinião pública, os media são o target preferencial do “informador biombo”, aquele que usa a informação para esconder outra. O facto é este: não temos um mundo perfeito.

 

Marco Freitas

Consultor de Comunicação

 

(Texto publicado na edição de 2 de Fevereiro de 2011 do Diário de Notícias da Madeira e disponível para assinaturas digitais)

publicado por Marco Freitas às 14:36

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