Comunicar pode ser fácil... Se no tempo que a vida nos permite procurarmos transmitir o essencial, desvalorizar o acessório e contribuir, num segundo que seja, para que a mensagem se assuma como tal e não como um universo de segredos...

16
Nov 16

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A notícia deve encher de orgulho os madeirenses. Um dos seus jornais diários voltou a ser premiado internacionalmente. A notícia pode ser lida nas páginas do título em causa...

Independentemente da leitura dessa notícia, não se pode deixar de realçar este feito de um jornal regional, de uma ilha ultraperiférica, que contra muitas dificuldades, de diversa ordem, consegue manter-se no activo com relativa pujança e ainda por cima a marcar tendências. 

Da mesma forma que a maioria dos madeirenses se orgulha de ter na lista dos seus conterrâneos o CR7 e o atleta olímpico João Rodrigues, também deveria manifestar o seu orgulho por ter um dos seus meios de comunicação social a brilhar internacionalmente. 

 

MPF

publicado por Marco Freitas às 14:09

10
Mai 16

Por que motivo o Consórcio de Jornalistas abriu ao público base de dados dos Panama Papers

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publicado por Marco Freitas às 09:01

23
Mar 16

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Há algum tempo que se verifica uma maior aposta das empresas na publicidade online do que na TV tradicional... Os jornais têm sido as principais vítimas desta alteração de paradigma, como confirma o caso recente do Diário Económico que fechou a sua edição em formato papel. 

 

Esta mudança tem duas vertentes: o aparecimento de novas formas de comunicar e publicitar por parte das empresas, que aos poucos começaram a dispensar o papel intermédio dos media tradicionais, com os seus riscos; e uma outra, que diz respeito às empresas de comunicação social e à sua capacidade de adaptação a este mundo online.

 

No segundo caso, no mundo mas em especial no nosso País, houve uma clara dificuldade em querer mudar os paradigmas arrastando as empresas para situações económicas difíceis. A mudança está a fazer-se e é preciso reagir com mais eficiência. 

 

Acredito que há um meio termo e que as empresas ainda precisam - e muito provavelmente vão sempre precisar - da credibilidade dos media para certificar a sua informação. A ver vamos.

 

Marco P. Freitas

 

 

publicado por Marco Freitas às 15:23

(Texto publicado no Diário de Notícias da Madeira, 19032016)

 

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Ribeira Funda, Madeira. Lugar praticamente parado no tempo. Lá, troquei palavras com uma senhora que não conhecia o mundo e que hesitou na idade da sua longa vida. Ali, senti a insignificância das dimensões Espaço e Tempo. Vive-se porque se está vivo.

Como outros na linha de montagem da vida, questiono a ditadura do Tempo e os seus efeitos. Creio que vivemos cansados e encurralados com o que nos rodeia e, por isso, andamos a garimpar um novo começo, uma sociedade diametralmente mais sã e equilibrada.

 

A montra desta pressão temporal são os MEDIA. Através deles valorizamos tanto o (i)mediatismo que as nossas conquistas, pessoais e sociais, são calendarizadas numa rede social online que deslumbra, ilude e promove o voyarismo. O percurso dos acontecimentos na agenda mediática mostra a textura volátil do real. O consumo exponencial do Espaço e do Tempo mediático-virtual canibaliza a realidade e hoje vivemos mundos paralelos: o da rede online e o outro.

 

Já vencemos dois meses de 2016 tendo como pano de fundo os traços marcantes de 2015, o ano em que o mundo fixou todos os medos. Os fazedores de opinião foram unânimes: 2015 foi instabilidade, incerteza, caos e medo. O ano navegou mediaticamente entre os inquéritos políticos à Banca, vencidos no ranking pelos ataques terroristas ao Charlie Hebdo e pelos ventos da crise política grega. Confusos, os burocratas da UE deram-se ao luxo de arrastar a crise dos refugiados que disparou com um naufrágio no canal da Sicília. O assunto passou por muitas eleições.

 

Menos atractiva, a guerrilha política entre os pró e os contra austeridade foi pincelando a agenda, como na altura da rendição de Tsipras e Vourofakis. Os efeitos colaterais marcaram Portugal, também alvo desta batalha ideológica, porque quando Costa perdeu eleições e se insinuou ao cargo de Primeiro-Ministro levou a sua avante com mérito e colossal ajuda da Esquerda mais à esquerda, vingando a derrota internacional do Syriza.

Entre as novelas políticas, o assunto dos refugiados foi perdendo colunas, cabeçalhos e segundos televisivos, recuperando a influência na agenda quando uma foto de uma criança imóvel nas ondas de uma praia na Turquia humanizou o problema. Manteve-se na berlinda quando foi relacionado com a onda de ataques terroristas na Europa.

 

Em 2016, a agenda continua marcada por palavras como instabilidade, terrorismo, refugiados, lesados do BES, Troika, corrupção, problemas climáticos, Banif, colapsos financeiros e austeridade. Tons negativos amplificados pelo buzz irritante das redes sociais. O mundo está do avesso e tem dificuldade em lidar com isso.

A “cronofobia” dos tempos recentes sinaliza duas tendências que me preocupam: há pouca esperança para o Planeta tal como o conhecemos e o conformismo de que é impossível escapar à avalanche dos medos e do caos, venha de onde vier.

 

Por acreditar que a Lei da Necessidade faz mover o Homem e forma interesses e objectivos, eu submeteria à Ágora mundial uma única determinação: a de se viver bem, sem a medida do Tempo.

 

Por isso, porque não experimentamos eliminar a pressão do ontem, do agora e do amanhã? Precisamos do Tempo para aprender? Não iremos envelhecer na mesma? Não evoluímos socialmente sem idade? Para quê submeter-se ao Tempo quando estamos confinados a um limite verticalmente finito!?

 

Marco P. Freitas

 

 

publicado por Marco Freitas às 15:02

23
Fev 16

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Na Ribeira Funda, onde uma estrada escondida num túnel nos carrega para um sítio praticamente parado no tempo, troquei palavras com uma senhora que nunca tinha saído de lá, que não conhecia o mundo e que não sabia o tempo da sua, certamente, longa vida. Ali, sentimos que as questões sobre o espaço e tempo que habitamos são insignificantes. Vive-se porque se está vivo.

 

Desde essa altura, tenho questionado a ditadura do tempo. Se o tempo pudesse ser cancelado, se vivêssemos sem anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos não teríamos de mudar de ano, nem aniversários...

 

Afinal, procuramos mundos extraterrestres e pulamos de alegria com a descoberta de água em Marte só por uma questão de sobrevivência da raça ou porque estamos cansados de tudo o que nos rodeia, e encurralados ansiamos desesperadamente um novo começo, uma sociedade diametralmente diferente, mais sã, mais equilibrada?!

 

Atribuímos tanto significado à dimensão temporal que as nossas conquistas como humanidade são calendarizadas e somos pressionados a prosseguir como uma evolução social com base na velocidade do imediatismo.

 

Já vencemos dois meses de 2016 tendo como pano de fundo os traços marcantes de 2015. O ano que para mim significou o tempo “de todos os medos”.

 

Os fazedores de opinião foram unânimes em classificar 2015 como o ano da instabilidade, da incerteza e dos medos, conceitos que são a negação da dimensão que o tempo tende a influenciar e a privilegiar.

 

A “cronofobia” do ano deixa bem claro que a esperança para o mundo, tal como o conhecemos, mesmo para um optimista como eu, pode resumir-se à possibilidade de vida noutro planeta.

 

Teórico? Filosófico? Distante do nosso dia a dia? Pelo sim pelo não, tenho tomado nota desta linha evolutiva das perspectivas da humanidade.

 

O conformismo de que é impossível escapar a avalanche terrorista deixa isso bem claro, bem como os revivalismos radicais e os defensores de que já não há “meio-termo” mas tão só tendências de direita e de esquerda. Serei um proscrito por não pertencer a este novo movimento social de ruptura. Eu, para quem não me chocam as rupturas porque

podem ser sadias! É preciso chafurdar no vazio para perceber que os extremos querem criar falsos sentidos de segurança e não a necessidade de mudança evolutiva e dinâmica?

Por isso, porque não experimentamos eliminar a pressão do ontem, do agora e do amanhã? Precisamos do tempo para aprender? Sem o tempo não iremos envelhecer? Não evoluímos socialmente sem idade? Para quê submeter-se ao tempo quando estamos confinados a um limite verticalmente finito e perseguimos fórmulas para a perpetuação no reduto da infinidade? Ou melhor, se acreditarmos noutras dimensões e realidades para além da vida?

 

Enquanto consumimos despercebidos estas dicotomias, pequenos e grandes acontecimentos canibalizaram-se para merecer o maior destaque do mundo dos media.

 

2015 navegou mediaticamente entre os inquéritos políticos à Banca, vencidos no ranking pelos ataques terroristas ao Charlie Hebdo, pelos ventos da crise política grega e pela semente “syriziana” anti-austeridade.

 

Ao contrario de Bava, não consigo dizer que "não guardo memória" destes tempos atribulados, até porque como provou o trabalho do consórcio de jornalistas que fez explodir o Swissleaks está a ficar difícil esquecer, mesmo que o Google já o faça.

 

A humanidade não está protegida. Os problemas causados pela migração baralharam os burocratas da UE que se deram ao luxo de permitir arrastar a crise dos refugiados que começou a ganhar força em Abril, por altura de um naufrágio no canal da Sicília.

 

Matéria que será tema nas eleições do Reino Unido que ficaram publicamente marcadas pela estrondosa gafe nas sondagens, enganadas quanto à inequívoca derrota de David Cameron. A seriedade e a valia das sondagens e empresas do sector foi tema replicado no processo eleitoral português.

 

Menos mediática, a guerrilha política entre os pró e os contra austeridade foi pincelando a agenda, subindo no ranking a espaços, como na altura da rendição de Tsipras, com a consequente demissão de Vourofakis, com os respectivos efeitos colaterais quando em Portugal, também alvo desta batalha ideológica, Costa perde eleições e se insinua ao cargo de Primeiro-Ministro, levando a sua avante com mérito e colossal ajuda da esquerda mais à esquerda.

 

A perplexidade atingiu o País político e do comentário. Afinal, que Nação fustigada pela austeridade valida e confia no Governo que a impingiu tão severamente?

 

Por entre as incertezas politicas, como se adivinhava, o assunto dos refugiados foi perdendo colunas, cabeçalhos e segundos televisivos, recuperando a influência na agenda quando uma foto, extraordinariamente triste, de uma criança imóvel nas ondas de uma praia da Turquia, humanizou a questão dos refugiados. Mas, foi tema vencido no topo mediático fruto da incapacidade da Europa de se unir e resolver cabalmente a questão, com um mundo a assistir de bancada.

 

As eleições portuguesas e a situação política que resultou da ida às urnas encostou este tema internacional, não voltando a ter o destaque merecido, dada a catadupa de eventos nacionais de grande impacto mediático.

 

Tudo porque em Portugal o mundo da política parece que mudou para as próximas décadas. Os refugiados, mantidos em segundo plano na agenda, são chamados à berlinda quando são relacionados com as ondas de ataques terroristas na Europa, com especial incidência nos ataques a Paris.

 

O mundo está voltado do avesso e parece haver muita dificuldade em lidar com isto. A distância oceânica faculta aos madeirenses uma zona de conforto e de ilusão, longe da “soma de todos os medos”....

 

Tivemos um ano marcado por palavras como instabilidade, terrorismo, refugiados, Syriza, lesados do BES, Troika, corrupção na FIFA, problemas climáticos, Banif e colapsos financeiros, escândalo Volkswagen, austeridade. Tudo sintoma negativos amplificados pelo buzz irritante das redes sociais (44% da população mundial usa internet).

 

Nesta moldura negativa e mediaticamente atractiva, a reunião entre Obama e Castro, rasgando literalmente uma página da história e o alerta do Papa sobre a existência de uma “guerra mundial segmentada”, passaram despercebidos.

 

Também houveram histórias por cá nesta ilha meia perdida no Atlântico. Apesar de décadas de governação social democrata, o PSD-Madeira vendeu eleições, por um fio, e passamos a viver sob o signo da mudança, numa sensação de alguma volatilidade, acompanhando a situação mundial, com sinais de que as coisas estão por se ir resolvendo: a da mobilidade dos transportes (ferry e C&), a do novo hospital, a dos portos (cais 8 e C&) e da comunicação social (JM MADEIRA e C&).

 

Da soma de todas as partes, há duas conclusões que me assustam: a de que ser moderado tornou é démodé e de que vigora um conformismo traduzido no conceito de que não temos como fugir ao medo e aos caos.

 

Acredito que a necessidade que faz mover a humanidade e que forma interesses e objectivos. Sem a medida do tempo, a lei da necessidade deve ser a de se viver bem.

 

 

publicado por Marco Freitas às 12:08

19
Dez 15

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Ao ver as dificuldades de um desporto olímpico como a Esgrima para angariar apoios, apercebi-me, com maior acuidade, da injustiça que a Política Desportiva Regional (PDR) tem configurado ao promover uma “protecção” tão vincada ao futebol profissional face a muitos outros desportos. Falta equilíbrio e falta investir na qualidade. Tenho motivos para pensar assim. Vejo o mundo do futebol em constante polémica. O “desporto rei” é agora o campeão dos milhões investidos, do buzz mediático, da falta de transparência, da violência desportiva e da dificuldade em se modernizar.

 

Em alternativa, cresce um conjunto de actividades desportivas, algumas inovadoras, que num curto espaço de tempo têm dado muito há Madeira, quer em termos de promoção externa quer na criação de novas potencialidades para a Região. Falta avançar para o seu reconhecimento efectivo - que vai além do financeiro - porque são desportos que têm gerado campeões a custo de tostões para o erário público. Eis alguns dos exemplos mais falados: Ténis de Mesa, Vela, Esgrima, Badminton, Padel, Padle, Trails, Dow-hill, Karaté, Muay Thai, Culturismo e Velocidade...

 

Lembro-me de ter assistido a uma discussão brutal sobre a nova política para o desporto. O que mudou se, no essencial, a cultura anterior mantêm-se e se a política de apoios não sossega o sector (conforme se vê pelas guerrilhas nas páginas do desporto)?!

 

Há quem aposte nos milhões de fãs do futebol para assegurar o ansiado “Price Money” e enunciem engenharias financeiras para explicar os benefícios desses apoios. É claro que existem. Contudo, na ponderação custo/benefício, o que dizer aos longos anos de apoio, à pressão exercida sobre os decisores que empurrou a Região para uma política desportiva descontrolada, cheia de estruturas e de mecanismos ineficazes?! Afinal de contas, quantos clubes madeirenses ganharam o principal campeonato de futebol ou uma prova de prestígio internacional?! Há quem defenda o apoio à vertente do futebol como uma forma de sustentar as outras modalidades dos clubes. O que soa estranho, pois os clubes nem conseguem rentabilizar o investimento que dizem fazer na formação futebolística, desonrando o esforço financeiro dos pais nas “escolinhas”. Ou não é verdade que o número de jogadores de formação nas principais equipas de futebol continua reduzido?

 

Para além da estrela maior do futebol, a título de exemplo, convém reter que temos outros atletas madeirenses de referência: o olímpico João Rodrigues na Vela, Marcos Freitas no Ténis de Mesa, Álvaro Noite na Esgrima, Francisco Abreu na Velocidade de protótipos e Carina Bento no Bodyboard. Que se chegue à frente quem tem dúvidas que têm sido divulgadores profícuos e competentes do nome Madeira.

 

Mais, aos sucessos individuais, há que somar os eventos desportivos de grande valia que têm vindo a ser realizados na Região como a concentração internacional de selecções de Badminton; o Madeira Swim Marathon, que integrou o circuito europeu, o Eco Trail Funchal que trouxe atletas de 13 nacionalidades, a prova de Padel, a demonstração internacional de Karaté no Funchal para marcar o inicio de época da modalidade, o Bodyboard com um evento de topo na Região, os trails, o down hill, o sucesso no Muay Thai.

 

Tendo dúvidas que estes alertas belisquem o que está instituído, mas penso que, com serenidade e alguma objectividade, será possível mudar o equilíbrio de forças na distribuição de verbas no desporto. Enquanto existirem...

 

Marco P. Freitas

publicado por Marco Freitas às 19:48

01
Set 15

Chama-se JM-Madeira e é o "sucessor" do Jornal da Madeira. 

 

Por agora, limito-me a dar conta do seu primeiro dia. Boa imagem, bons conteúdos e uma equipa dirigida por um dos profissionais da comunicação mais capazes que conheci até hoje. 

 

O sucesso deste projecto será o sucesso da comunicação social na Madeira, inclusive daqueles que muito lutaram contra um Jornal da Madeira amputado e condicionado...

 

www.jm-madeira.pt

capa do JM Madeira 1092015.tiff

 

publicado por Marco Freitas às 16:43

29
Ago 15

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“Do you, Ambassador Zorin, deny that the U.S.S.R has placed and is placing medium and intermediate range missiles and sites in Cuba? Yes or no? Don't wait for the translation: yes or no? I am prepared to wait for my answer until hell freezes over”...

Com esta declaração, Adlai Stevenson, Embaixador dos Estados Unidos na ONU e um dos protagonistas da crise dos mísseis de Cuba, em 1962, mostrou que a resolução de uma crise não depende de prazos, não beneficia de fugas à verdade nem de meias decisões.

 

Hoje, na Madeira, vivemos tempos tão vulcânicos que poucos se atrevem a dizer em que ponto nos encontraremos daqui a um par de anos. Vivemos pressionados pelas novas agendas temáticas e sem a zona de conforto que as fronteiras geográficas da ilha antes propiciavam. Temos crises em cadeia, as nossas e as dos outros.

Como cabe neste cenário a crise da comunicação social regional, a meu ver, só um trabalho profundo de análise sobre o sector como um todo, tendo em conta o mercado, a demografia e o comportamento dos consumidores, permitirá alinhavar uma hipótese de futuro desta realidade na Madeira.

O panorama que se adivinha tem tanto de risco como de oportunidade, como mostra o rol de indicadores, muitas vezes amplificados pelos mesmos media ainda agarrados à tradição.

 

Faz sentido ignorar o estudo mundial da Google que diz que 90% dos acessos aos media já são via ecrã; ou que 4 em 5 portugueses usam a Internet através de telemóvel e que dedicam mais tempo ao telemóvel por dia (147m) do que à televisão (113m), ou ainda que cerca de 63% dos europeus usam a internet diariamente? E o facto do consumo de media via mobile (25%) estar a potenciar o crescimento da publicidade online (entre os 10 e 15% ano) e a NET como meio preferencial de activação de campanhas? O que dizer da nova aplicação do Facebook (Instant Article) que permite publicar e ler directamente no mural as noticias sem mais desvios, com o acordo de 9 grupos internacionais de Media?

 

Consequências?! Uma: acabou a zona de conforto. Os novos consumidores de media estão sobre equipados, ávidos de conteúdos, permanentemente acessíveis e não esperam pelas noticias e pelas entregas matinais. As novas gerações estão viciadas no smartphome. Os Millennials, ou Geração Y como também são conhecidos, são imprevisíveis, valorizam as experiências e secundarizam o sentido de posse. Moldados pelas novas tecnologias, estão a confundir as marcas.

 

Há soluções? Tem de haver, caso contrário a comunicação social regional definhará e com ela uma história que começou em 1821 e já leva cerca de 60 publicações periódicas criadas (base NESOS).

 

Um estudo recente da ERC sobre os consumos de mass media, vai dizendo que os jornais tradicionais são as fontes de noticia mais consultadas na NET e que os jornais nativos ainda registam baixos níveis de frequência. Dados que indiciam que a travessia do offline para o online pode compensar para os títulos com marcas consolidadas.

Pinto Balsemão sentenciou há pouco tempo que importa "fazer a transição dos antigos formatos e modos de gestão para novas formas de chegar aos leitores". Ou seja, não há mais tempo para ignorar este quadro, temos de vencer os nossos próprios custos de contexto, focar na inovação e criatividade, porque, infelizmente, em Portugal, os meios de comunicação social são marcas em ciclo descendente (com excepções), com produtos que não geram confiança. Recuperar marcas debilitadas leva tempo e exigem investimento.

 

A imprensa precisa de ser disruptiva, porque, não se iludam, a panaceia para os males da comunicação social só pode ser encontrada no universo digital. O efeito placebo de uma meia aposta no digital será de curta duração. Mais do que nunca, o sucesso das empresas de comunicação social está na capacidade de entregar novos conteúdos informativos aos consumidores de notícias, correspondendo às suas necessidades e vontades.

Uma imprensa integralmente online não tem preço de capa, actua na fidelização através de assinaturas ou conteúdos, é mais amiga do ambiente, reduz custos operacionais e assegura uma dimensão criativa que o papel não permite. É possível produzir vídeos, fazer rádio e atacar as redes sociais, ser multilingue, e atingir tanto o mercado da diáspora como do turismo e dos negócios. Online, pode-se radicalizar a mudança e reconstruir o futuro da imprensa regional, redefinir targets, atrair mais publicidade do que no offline e, consequentemente, oferecer uma oportunidade ao jornalismo.

Neste campo, honra seja feita ao DIÁRIO por ser o único meio preparado para os novos tempos

 

Contudo, as estruturas empresariais dos media estão a hesitar. Por causa dos targets tradicionais sem acesso à NET ou temos Velhos do Restelo neste sector? Não há informação q.b. para a tomada de decisão?! Descubra-se. Afinal qual é o alcance da nossa rede social online, quantos e quem são os cibernautas, os seus métodos e locais de acesso e, do outro lado do muro, quem ainda quer seguir a informação através das formas tradicionais?

O interesse pela informação “bairrista” não é negligenciável numa solução de futuro, e, quiçá, isso sustente uma zona de conforto para as edições em papel durante mais algum tempo. Mas, é a prazo! A transferência e a segmentação das redes de contacto dos anunciantes e das fontes noticiosas para o digital vai impor a necessidade de mudança. Até porque, para além dos sites nacionais ou internacionais de media, mais experientes e cativantes, também se sobrepõem aos títulos em papel as páginas de bloguers ou sites de muitos cidadãos-jornalistas, numa miríade de opções informativas outrora impensáveis.

 

Face a este quadro de mundança para o digital, entendo que os apoios à comunicação social deveriam estar focados num único propósito: o de garantir o direito ao acesso à informação pelos mais desfavorecidos e os info-excluídos. Por exemplo, criando hotspots robot para a impressão das diferentes publicações, sem custos ou com preços modestos.

 

Acredito que é possível salvar o jornalismo regional neste mundo digital que nos absorve. Mas, cada hesitação sobre a estratégia a seguir será um segundo tarde demais...

 

 

Marco P. Freitas

publicado por Marco Freitas às 20:34

06
Mai 15

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Tem a sua piada assistir ao ambiente de "noivado" geral vivido actualmente na Madeira. 

O que vieram fazer milhares de cruzes enquadradas e outras tantas que faltaram ... No entanto, continuo na expectativa. Esta espécie de "limbo" a que múltiplas forças se entregam está a dificultar a perspectiva... 

 

 

publicado por Marco Freitas às 10:50

24
Mar 15

Li recentemente que está na forja uma novo consórcio europeu de comunicação social. Ao que registei, os objectivos principais são a luta por um melhor jornalismo e pela formação da sociedade através do jornalismo... 

 

Todos concordamos com isto.. Acho eu. Mas, parece que estaremos a começar a falar de responsabilidade e de responsabilização do acto de noticiar perante a sociedade.. Isso, a meu ver, tem contrapartidas e uma delas é a aceitação de que é preciso aprimorar a selecção de notícias, aumentando os níveis de controlo do que é noticiado... E agora?!!!

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publicado por Marco Freitas às 11:36

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