Estudo
Jornalistas desconfiam dos assessores de imprensa (e vice-versa)
No final do ano passado, Carolina Enes defendeu a sua tese de mestrado Jornalistas e Relações Públicas: Que (co)relação?

Estudo
No final do ano passado, Carolina Enes defendeu a sua tese de mestrado Jornalistas e Relações Públicas: Que (co)relação?

Este é um tema que merece grande reflexão. Porque, a meu ver, as teorias marketing do marketing vão esgotar-se a breve trecho porque o seu famoso mercado está sem tino... Salvo se continuarem com a sua tendência canibalista de mastigar as outras ciências de comunicação.
MPF

Em 2011, segundo o site dos Repórteres sem Fronteiras, o barómetro da liberdade de imprensa registou um total de 66 jornalistas mortos e 2 colaboradores. Foi no Paquistão que se assinalou o maior número de baixas destes profissionais (10).
Já em 2012, o barómetro assinala uma morte, pasra além dos 169 jornalista presos.
Pode ler sobre o assunto em mais pormenor no site Repórteres sem Fronteiras: http://es.rsf.org/

A avalanche de análises e conjunturas de toda a ordem que nos foi proporcionada nos últimos meses de 2011 é digna de concorrer com as profecias de Nostradamus. Por mim, dispenso grandes exercícios de cartomancia para saber que 2012 será um dos piores anos do início de século. É simples: teremos menos dinheiro disponível numa altura em que é preciso ir mais longe.
Contudo, no que diz respeito a Madeira, malgrado as dificuldades a enfrentar devido as opções tomadas e de que fomos todos parte delas, não enveredo pelo discurso degenerativo que o actual momento facilita.
Não aceito sentimentos de derrota no povo madeirense. Não de um povo que furou escarpas de basalto para fazer estradas e que pulou montanhas para irrigar a ilha através de levadas. Por isso, digo: quem não sentir o sopro da força colectiva e construtiva que é reserva da nossa história tem pouco de ilhéu e ainda menos de útil para o futuro da Madeira.
Para equacionar um futuro mais orientado e mais positivo teremos que colocar todas as cartas na mesa, sem medos de abordar as mais impensáveis soluções políticas e económicas e de, finalmente, começar a traçar uma nova linha de desenvolvimento sustentável. Não foi por falta de tentativas nem de avisos que o caminho foi adiado.
Haverá ilegitimidade ou ilegalidade em debater, de forma séria e objectiva, formas da Madeira realmente controlar os seus destinos? Os próximos tempos difíceis ditarão a necessidade de concretizar uma outra relação da Madeira com a República e com o Mundo. Negar este debate por medos indefinidos é sinónimo de fraqueza, aliás, até agora bem patente na praxis discursiva regional, designadamente no nosso amplo espectro político.
O meio termo provou ser esquivo. Como tal, ou alcançamos a absoluta autonomia económica e financeira ou seremos eternos servos da gleba.
Marco Freitas
Artigo publicado no Diário de Notícias da Madeira a 2-12-2011
Hoje, 2 de Dezembro, posso afirmar convicto que 2011 foi o ano de todas as indecisões e confusões. Tivemos eleições para todos os gostos e politiquice desmedida, com o correspondente suporte mediático. Chumbaram a política dos PEC’s para abrir portas à Troika e saltaram à vista as dívidas: a pública e das PPP's, das empresas, das famílias e da Madeira. As insolvências subiram em flecha.
À conta disto, o léxico público e mediático mudou, uma mudança colossal, a par com a austeridade monocórdica e com o fim de um paradigma de desenvolvimento mesmo sem a definição clara de um novo...
“Esquizofrenia" foi a palavra escolhida pelo último boletim de Estudos Económicos e Financeiros do BPI para definir o actual estado de coisas. Qualificação simpática se considerarmos a incongruência de um País que diz querer estar nos mercados internacionais mas que fere fortemente os seus mecanismos de atracção de investimento e de ajuda à exportação. A indecisão reinante reflectiu-se ainda na indefinição de muitas economias ditas maduras, na confirmação do progresso mundial a duas velocidades e na gestão política da crise por parte das superpotências. Por razões diferentes, foi o ano da queda de governos: da Grécia, de Portugal, da Itália e de Espanha.
Infelizmente, o mundo da comunicação social não passou ao lado da turbulência. Foram muitos os casos regionais, nacionais e internacionais, cujo cúmulo foram os escândalos do grupo de Rupert Murdoch.
A tendência mediática para exacerbar os acontecimentos e desvalorizar a informação equilibrada, o inebriamento dos actores políticos, económicos e sociais pelo enredo novelístico da informação, alavancado pelas redes sociais, faz de 2011 o ano da superficialidade, das palavras sem actos, das promessas sem resultados.
Marco Paulo Freitas

Tem faltado comunicação e informação à ‘Crise’?
Sim e não. A formação e a prática profissional ensinaram-me que o excesso de palavras e informação nem sempre correspondem a um melhor esclarecimento da realidade. Muitas vezes, tais excessos traduzem ausência de acção. Por isso, se me pedissem para definir numa palavra a gestão da comunicação sobre a ‘Crise’, cá dentro e lá fora, diria que tem sido desastrosa. O que penso é isto:
a) Os inúmeros episódios da ‘Crise’ têm sido profusamente explorados nas notícias, nos comentários, nos debates e nas conferências, provocando (1º) a sensação da sua democratização e das respectivas soluções, criando um efeito partilha entre decisores e opinião pública, e (2º) a ideia de que tudo tem sido dito sobre a sua gestão, na essência, para evitar o caos.
b) A engenharia financeira que tem prevalecido na análise e na comunicação dos decisores, designadamente no plano das soluções, tem valorizado a dimensão aritmética sobre a social e subjectiva, quiçá, para dirimir o imprevisto que a vertente humana acrescenta ao actual estado de coisas.
c) A alimentação deste circo mediático em volta da ‘Crise’ pode trazer consequências desastrosas, porque um mundo sem percepção da realidade e entregue a um jogo de interesses, aparentemente controlado mas incapaz de reais entendimentos, é um mundo na linha do atrito.
Assim, as convulsões sociais e os movimentos em gestação são a prova cabal de que os nossos líderes muito provavelmente já perderam a batalha da comunicação. E, nesse sentido, sem o apoio voluntário da população, o desastre estará ao virar da esquina. Desconfio que é preciso muito mais do que memorandos ou reuniões entre Nações para convencer as pessoas a participarem no esforço de recuperação das economias. Até porque, o medo dos planos de austeridade também tem prazo limite.
Marco P. Freitas
Consultor de Comunicação

Como ex-jornalista do DNM, como leitor atento, como actual colaborador, desejo as maiores felicidades ao Diário de Notícias da Madeira e apelo que mantenha contante a coerência da sua postura.
Marco P. Freitas
A crise trouxe para cima da mesa temas estruturantes sobre o sistema organizacional da sociedade e a alteração dos modelos instituídos. As medidas sérias que os tempos exigem implicam uma mudança cultural que poucos alcançam e ainda muitos menos conseguem aceitar e cumprir.
Foram apresentadas muitas razões para a crise. Os problemas foram identificados mas as soluções mostram-se frágeis. Porquê? Porque os níveis de transparência sobre o filme da crise equivalem à gestão oscilante e lamacenta da mesma. Porque a admissão dos erros foi parcial.
Por isso, concordo com os que insistem na criação de mecanismos que reforcem a transparência em todos os sectores de actividade. Sem transparência, os erros cometem-se impunemente e um sistema corroído sobrevive.
O problema é transversal e não deve ser sujeito a segmentação. Contudo, temos conterrâneos a afiançar que nós, os portugueses, nascemos com o ADN da fraude e que de nada vale o facto de Portugal estar bem colocado nos rankings internacionais da transparência, a opinião pública reconhecer melhor os processos de corrupção, que mil entidades públicas tenham entregue planos anticorrupção e a campanha lançada pelo Governo junto das empresas exportadoras para evitar práticas de corrupção nos mercados internacionais.
Sabemos que o sucesso dos negócios à escala internacional depende da credibilidade das economias e que a simples ideia de que uma nação, região, entidade pública ou privada é pouco transparente mina fatalmente a confiança dos investidores. Logo, há que limpar alguns dos trilhos percorridos.
A meu ver, o que seria uma pré-medida correctora e de elementar transparência era aceitar que o enfoque negativo e desmesurado sobre o tema é uma abordagem que falseia a realidade, induz em erro e gera preconceitos imutáveis. A transparência é para todos e exige coerência. Também a quem a promove ou divulga.
Artigo publicado no Diário de Notícias da Madeira, no dia 2 de Outubro de 2011